A Gruta do Lou

Você pode mudar o mundo se quiser, basta abrir mão de seu filho

Estudo bíblico

Estudo Bíblico

Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei”. Gen. 22:2

Quando estudava a bíblia junto com meus alunos, pelos seminários clandestinos afora, costumava traçar um segmento de reta desse evento abrâmico e outro segmento de reta no evento em que Jesus anuncia sua morte aos seus discípulos, lá no livro de Mateus 20:17. A seguir unia os dois segmentos com uma reta. Fazia isso no quadro negro, que por sinal era verde, para que todos visualizassem. Pena que ainda não tínhamos o PowerPoint, naquele tempo. Queria que eles percebessem a estreita ligação entre esses dois acontecimentos, ainda que entre eles houvesse a distância de mais de alguns milênios.

Sem dúvida, esses dois acontecimentos primordiais encerram a essência da fé. Primeiro Abraão, em que pese toda a dramaticidade experimentada a caminho daquele monte infame, Deus estava tratando de ensinar, não apenas a Abraão, mas toda a raça humana uma das mais importantes lições necessárias à manutenção da espécie sobre o planeta: a fé. Não a fé em si próprio, que tem lá seu valor, também, mas a fé no Criador. Quando ficou claro que Abraão iria até o fim, sem titubear, no cumprimento do mandato divino em sacrificar seu único filho, o anjo surgiu e disse:

“Abraão! Abraão”!

“Eis-me aqui”. Respondeu ele.

“Não toque no rapaz”, disse o Anjo.

“Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho”.

A questão mais importante envolvia confiança, fidelidade, além de fé. Sem dúvida, desde o momento em que Abraão ouviu a instrução de levar seu filho para o holocausto até o aparecimento do Anjo cancelando a operação, o homem viveu uma situação dramática indescritível. Não era só a morte do único filho, o que já seria terrível, mas o assassinato efetuado pelo próprio pai.

Caminhando pelos meus segmentos de retas e reta, chegando até o outro evento, onde Jesus é o sacrificado, o que temos? Não seria algo dramaticamente igual ao lance abrâmico? A morte do filho único por decisão voluntária do próprio pai? Sem dúvida, mas ainda há mais. As duas situações foram redentoras, Isaque não poderia ser sacrificado porque de sua sobrevivência dependia toda a descendência de um povo e Jesus não poderia deixar de morrer porque disso dependia a saúde mental de toda a humanidade, contaminada pela pior de todas as doenças, a culpa.

Ser escolhido por Deus para qualquer tarefa, da mais simples até à mais complicada, sempre será privilégio dos grandes. Dificilmente Deus reivindicará um filho ou um bem material, por si só. Seus pedidos envolverão qualidades e atributos indispensáveis à sobrevivência de toda a raça, a Sua criação. O ato desprendido e terrivelmente insuportável vivenciado por Abraão, ou o maior de todos, o de Cristo, vivenciado pelo próprio Criador, não foi a mudança do mundo por um Iphone ou um Iped. Morrer ou viver, perder ou ganhar não serão, necessariamente, o objetivo ou a questão.

Com esses eventos, Deus mudou o mundo da morte para a vida, ressuscitando a fé, o único atributo capaz de manter esse mundo vivo.

A falta de fé é a maior e mais potente arma de devastação em massa. Os presidentes gastam milhões tentando impedir que seus inimigos possuam armas biológicas, químicas ou atômicas, mas não dão um centavo e muito menos um filho em favor da fé.

Certamente não é uma questão de igreja, seita ou instituição religiosa, mas de confiança, fidelidade e fé. Fazer o que Deus disse para fazer, sem questionar. A possibilidade, ao menos, é interessante, você pode mudar o mundo se quiser, basta abrir mão de seu filho. Será que o Steve Jobs toparia essa via?

Até onde você iria na confiança de que a palavra de Deus é a coisa certa a fazer? O que você estaria disposto a dar para salvar a humanidade ou como diria Steve Jobs, mudar o mundo?

Esses segredos revelados encontram-se na Bíblia. Por mais complexo, ambíguo ou complicado que seja, aí se encontram todas as revelações básicas necessárias. Urge voltarmos a ler e estudar o Livro Sagrado, não só nas academias, mas entre todos nós.

Capricornio PB

2 thoughts on “Você pode mudar o mundo se quiser, basta abrir mão de seu filho

    1. Roger
      O Kierkegaard é presença constante em minhas leituras, sem dúvida. Ontem ouvi um escritor (Luiz Paulo Horta) referir-se a ele como o cara das Angústias. Ele defendia a angústia como um meio capaz de impulsionar o homem a vencer a culpa e não a angústia como quem desejasse preservá-la, em uma espécie de amor mazoquista.
      Não tinha pensado no Jobs como alguém paciente, obstinado, sem dúvida.

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