A Gruta do Lou

Vocacional, só mais um tango que se foi


Quando criei a Rede Gvocacional nessa plataforma Ning, o serviço era gratuito e imaginei estar prestando ajuda a todo remanescente dos Ginásios Vocacionais e à GVive, como instituição representativa do nosso grupo. Logo depois, o pessoal administrador da plataforma Ning resolveu migrar para uma prestação de serviços pagos. Isso ocorreu há quase um ano atrás e a primeira anuidade, que vencerá em agosto próximo, foi paga, então.

Agora, quando se aproxima o momento de renovarmos a manutenção da Rede GVocacional por mais uma ano, começamos a questionar a relevância em mantê-la. Do meu ponto de vista, creio que ao longo desse primeiro ano de existência, ficou claro que o interesse foi menor do que o desejável.  Outras experiências de redes sociais mais específicas, como a Escola de Redes e a Rede Global de Cidades Inovadoras, por exemplo já em estágio bem avançado de adesão, também custaram a engrenar,  e isso só melhorou quando alguém resolveu pegar o touro a unha, abandonando o propósito inicial de participação maciça de todo o grupo, ou a maioria dele, pelo menos.

No nosso caso, o fenômeno é bem sintomático e reflete o nosso grande calcanhar de Aquiles, ou seja, o fato de termos parado e desistido de caminhar quando a Polícia invadiu e fechou nossas escolas. De lá para cá, somos pouco mais do que um bando de saudosistas envelhecidos e ultrapassados. Salvo engano. Sem ofensa.

Nossa desculpa para o Vocacional de verdade ter deixado de existir em 1969 é, até hoje, a intolerância e truculência da ditadura militar. Acontece que o estado de direito democrático foi retomado ainda na década de oitenta do século passado e não me lembro de termos feito algo relevante e heroico como reivindicar o nosso direito de ver nossas escolas Vocacionais reativadas, se não para nós, para nossos filhos, netos e todos os estudantes paulistas e brasileiros em idade ginasial, colegial ou fundamental e médio como querem os sábios educadores dos monótonos dias atuais, por exemplo.

Não sei se você sabe, mas alguém cujo diploma ginasial tenha sido outorgado por algum dos seis Ginásios Vocacionais vinculados ao SEV, em tese, não tem um diploma válido, pois teria sido emitido por uma escola proscrita e, portanto, sem o direito de fazê-lo, invalidando todos os nossos diplomas, dessa forma. Claro que isso implica em todo o resto do nosso currículo escolar. Cabe discussão, lógico, mas é bem plausível, pois se a escola foi considerada inadequada como centro educacional, tudo o que fez enquanto existiu também seria, se não me equivoco. Claro que ninguém gostaria de levantar essa lebre e ser obrigado a reconhecer que suas formações acadêmicas possam estar comprometidas. Até para ser ético há limites, certo?

Mas o mais interessante é que ninguém lembrou de queimar seu diploma ginasial emitido por algum Ginásio Vocacional autêntico, em praça pública, como forma de protesto por manterem o Vocacional morto e enterrado, mesmo depois que os milicos voltaram para sua vida estranha nos quartéis.

O fato é que, desde aquele fatídico dia em que fomos agredidos e violentados com aquelas invasões infames, ficamos devendo luta e atitude combativa para evitar que nossa escola, mais propriamente a nossa proposta inovadora de escola publica de qualidade fosse aniquilada para sempre, como de fato foi.

Agora, o que restou, ou seja, a proposta Vocacional de Ensino só teria sentido se andasse para frente. Uma escola participativa e adepta do livre pensar dispõe em nossos dias de ferramentas e instrumentos nunca sonhados por Dona Maria Nilde e suas discípulas. As mídias sociais e em especial as redes sociais fazem parte desse moderno arsenal à nossa disposição. Mas como bem disse um de nossos colegas da “Gbebe,” lá no simpático Bar Memorial, o maior defeito do Vocacional foi nos alienar. Ao contrário do que supunham Laudo Natel e seus colegas da caserna militar, nós jamais representamos qualquer perigo, pois não fomos educados para lutar e muito menos para nos adaptar ao way of life dos demais brasileiros.

Não sou melhor do que nenhum dos meus colegas, tão pouco pior, mas não queimei meu diploma ginasial até hoje, se bem que nem saberia dizer onde ele anda e, igualmente, não fiz nada para evitar os acontecimentos destruidores de nossa escola. Talvez, ao criar essa Rede Gvocacional estivesse dando meu primeiro passo nessa direção, mas de forma mais coerente e condizente, pelo menos.

Por outro lado, manter a rede por conta própria não teria sentido algum, a meu ver, caso a GVive caia fora do barco, como suponho seja o desejo dos colegas mais chegados à ela. Também não tomo isso como alguma coisa pessoal, talvez falta de visão ou tesão por um outro Vocacional, vivo ou ressurreto. Sei lá.

Mas deixo aqui a opção para a maioria mais um dos participantes da Rede Gvocacional, se desejarem a continuidade da rede, mesmo sem a tutela ou influência da GVive, mas como uma inciativa não institucional ou hierárquica de “pessoas” que ainda amam o Vocacional, me comprometo a tocar a Rede GVocacional em frente, embora com um pouco mais de empenho do que tenho feito até aqui. Isso implicará em assumirmos juntos o pagamento da próxima anuidade, uma mísera parcela de US$ 199, os quais eu não disponho, no momento.

No entanto, considero como primeira opção, as coisas continuarem como estão. Talvez, só um pouquinho mais de empenho de todos, inclusive da GVive, já que a rede não é excludente no bojo de atividades dela, a meu ver.

Um abração a todos

Luiz Henrique Mello (1963 a 1968)


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