A Gruta do Lou

Viver sem pecado


Muitos de nós buscam, simplesmente, estar em paz. Encontrar esse instante seria a real possibilidade de experimentar a tal felicidade. Ao contrário disso, vivemos dias atribulados, cheios de preocupações e incertezas, de tal forma que, nosso corpo é afetado de várias formas, pois não está preparado para tanto.

Essa realidade se deve à invenção do pecado original, uma criação verdadeiramente demoníaca, chamada por Jesus Cristo de “A semente do diabo”, quando narrou o acontecimento dizendo: “veio o inimigo e semeou o joio”, então desenvolveu-se toda essa teologia do pecado e de sua companheira, a culpa. Claro, há por trás disso um apelo irresistível à consciência, afinal se a humanidade andar fora do eixo da lei, estará irremediavelmente perdida e doente. Será?

Outro probleminha é que a teologia deu lugar à psicologia, um exercício cujos participantes insistem em chamar de ciência. Desde então, somos tentados a explicar todos os acontecimentos sob os pontos de vista das influências psíquicas. Todos os dias, assistimos essa dança macabra envolvendo teologia e psicologia, ah, matou porque surtou; roubou devido aos traumas de infância; adulterou porque foi violentada pelo pai na infância; estuprou porque sua mãe o assediava na juventude; é instável graças a um distúrbio bipolar inoportuno; mente compulsivamente por causa de sua auto estima ruim, etc.

Como seriamos sem o pecado original e sua esteira funesta? A grande verdade é que estamos estruturados nesses dois pilares e impedidos de enxergar o mundo de outra forma. O lado ocidental foi extremamente afetado e  a principal razão é que essa estrutura psico-teológica sustenta o capitalismo, sistema macro econômico que não existiria sem o pecado e sua mãe superprotetora. O oriente médio é ainda mais desgraçadamente vitimado, pois a partir do pecado original, deu a luz ao Corão, uma norma teológica muito mais contundente que não dá espaço à psicologia e se auto-explica quanto aos fenômenos psíquicos.

A grande verdade é que sem o pecado original, não teríamos que andar na promiscuidade, necessariamente. Teríamos sim que nos relacionar entre nós e com o meio de forma responsável, respeitando a liberdade geral sem que, para isso, houvesse qualquer lei teológica em nossas costas. Acima de tudo, ninguém precisaria centralizar o poder e muito menos adotar posturas tirânicas para manipular os seus semelhantes. Mas o que se vê, é um mundo de presidentes, reis, aiatolas, papas e deuses, uma minoria autocrática que dita os rumos da vida fincados em pressupostos psicoteológicos, cada um amparado em seus demônios servidores, cuja função é manter vivo todo o conjunto de suas falácias e falsas crenças.

Jesus tirou o time de campo há mais de dois mil anos atrás, separando a si e seu pai desse conjunto macabro. Convidou a segui-lo quem  assim desejasse, sem nenhuma parcela a pagar, quer fosse moral ou material., assumindo o passivo de todos. Mas se há um tipo de gente difícil de encontrar nesses dias, é justamente o grupo dos verdadeiros seguidores daquele que veio para tirar o pecado do mundo. Infelizmente nos sentimos irremediavelmente condenados e incapazes de viver sem nossa crença no pecado. Nossa sensação é de que essa não seria uma possibilidade e, na verdade, pecamos porque cremos no pecado e não naquele que propôs vivermos sem pecado.

4 thoughts on “Viver sem pecado

  1. “Pecado é crer no pecado e não naquele que propôs vivermos sem pecado” Luiz Henrique Mello.

    A foto ilustra muito bem esse tipo de abordagem.

    Mas está enraizado em todos nós e não sei se saberíamos viver sem isso.

  2. O texto merece ser mais esmiuçado. Principalmente quanto ao papel dos seguidores e a parte de não se ter parcelas a pagar.

    Ou talvez eu não tive ouvidos para ouvir.

    Abraço.

    p.s. a foto do título é sugestiva.

    Tu o disseste!

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