Viver como ele viveu


Edith Stein

Igreja e Religião, a impressão geral é que Jesus de Nazaré não apostou muito nesses meios, mas investiu muito mais em “viver como ele viveu”.

Não sei muito bem o que Jesus Cristo pretendia fazer com a Igreja. Ele não propôs acabar com ela. De outro lado, seus incentivos não foram muito além de solicitar e/ou determinar que sua casa fosse chamada “Casa de Oração”. Lucas nos lembra que ele citou textos das escrituras sobre a verdadeira religião e a coisa ficou bem por aí.

De qualquer forma, igreja e religião não estão muito afeitas nem a uma coisa e nem à outra, se não me engano, mas Jesus não mostrava grande esperança em atitude diferente desses dois segmentos.

A meu ver, ele investiu mil por cento no incentivo à pessoa, mais do que tudo. Com suas palavras e, sobretudo, com seu testemunho ferrenho vivendo o evangelho mostrou o que desejava, claramente.

Chamou-nos para viver como ele viveu.

Acho engraçadas essas discussões sobre a remuneração dos pastores, sacerdotes, padres, bispos, apóstolos, etc., pois é raríssimo, se não inexistente, encontrar algum desses vivendo, ou pelo menos tentando viver, como Jesus viveu. Em mensagem direta, a questão não se resume em crer, somente, mas em viver.

Não temos notícias sobre Jesus reunido com sua liderança e/ou seguidores para tratar de seus honorários, salários, gratificações, aposentadoria, cachê, etc. Mesmo porque, a economia que ele praticou era bem diferente da nossa e mais, ele não casou.

Deve ter sido aí que Paulo tirou aquela ideia excêntrica sobre não casar se deseja servir, pois quem casa viverá para os cuidados do cônjuge e do lar, com todas as suas implicações. Mas Jesus não falou nada disso e nem deve ter pensado insensatez tamanha. Jesus não casou por outras razões, muito mais nobres do que as enumeradas pelo insensato Paulo, como sempre.

Esse detalhe (viver como Ele viveu) serve não só para os líderes de igreja, mas para todos nós, até eu e você que fugimos de igreja e religião. Ainda tenho muitos amigos dos tempos em que fazia parte da igreja e da religião, enquanto eles permaneceram por lá.

Estou certo que viver o evangelho não depende de estar ou não fazendo parte de igrejas ou nutrindo uma religião. Por outro lado, também não impede ou, pelo menos, não deveria impedir, a meu ver.

Agora, esse modo de vida tem seu preço, como os outros também tem. Cada um precisará olhar no espelho e perguntar-se, olhos nos olhos, se está disposto a pagar.

Viver como todo mundo vive, olhando para o próprio umbigo, dando uma esmolinha aqui e acolá de vez em quando, tentando enganar a si mesmo, é a outra opção da maior parte da humanidade, tirando alguns tibetanos imprudentes.

Fica aí a chamada para uma reflexão a respeito. Mesmo parecendo tarde para isso, basta lembrar que Jesus evidenciou o fato de que o Pai dele tem especial apreço pelos últimos a se decidirem, também.

Capricornio PB