A Gruta do Lou

Vivendo com Alice


 Estamos vivendo com Alice no país das maravilhas. Acreditamos no que vemos acreditando ser esse mundo o fim último, a realidade. Será?

“Vejo que eu também passei a esperar por uma medicina cujo máximo empenho é a libertação de nós todos, uma medicina da liberdade humana.”

Dra. Rachel Naomi Remen em “Histórias que Curam”.

A Dra. Naomi, logo a seguir, no capítulo “Liberdade” diz mais:

“Os budistas falam sobre o samsara, o mundo da ilusão. É o lugar onde vive a maioria de nós. Dizem que confundir a ilusão com a realidade é a causa fundamental de nossos sofrimentos.”

Deixar a Matrix não é fácil. Se me pedissem para sintetizar a mensagem do evangelho, diria sem medo de errar, Jesus ensinou como voltar à realidade de todas as formas possíveis. Se olharmos por outro lado, ele tinha consciência plena do fato de estarmos vivendo no mundo do faz de conta, a ilusão, a utopia, as sombras nas paredes da gruta.

Gosto da frase dita por Dom Corleone II, na pele de Al Patino, referindo-se à Máfia: “Quando penso estar saindo, eles me puxam de volta com todas as forças.” A sapiência sacerdotal pós moderna diz a todos os imprudentes desejosos de abandonar o país das maravilhas o quanto é importante preservar a ilusão. E o fazem usando frases bíblicas: “Eu vim para os doentes.” E tome missão integral, total, na integra, da libertação, etc.

Pessoal faz manutenção da ilusão. Somos um grande bando de São Tomés. Só acreditamos naquilo que vemos. Arre égua! Só tem um pequeno detalhe, o mundo espiritual não pode ser visto com os olhos desse corpo. Para tanto, precisaremos desenvolver a visão espiritual. Nesse caso, pasmem, não veremos a doença, as dores e nem mesmo a morte. Veremos o que há por trás de tudo isso.

Quando não conseguimos ver além do mundo de Alice e suas maravilhas, não deve haver desespero e muito menos angústia. Ao contrário, essa não-visão enseja a possibilidade de buscarmos o melhor, o Reino de Deus, o perfeito. Depois é domínio próprio e ver todas as outras coisas acrescentadas, não por elas mesmas, mas por sabermos, de fato, o valor das coisas.

Será necessário alguma fé, mesmo uma bem pequeninha. De tal forma a permitir a possibilidade de ver algo além daquilo que vemos. Com isso poderemos buscar essa visão, sair da gruta para ver o que há lá fora e voltar para mostrar aos outros que há vida após a morte e um Deus pairando sobre o universo.

Beijo nas carecas

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