A Gruta do Lou

Vinhas da Graça

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Algumas frases de Jesus Cristo arrebentam com a lógica de doutrinas teológicas, uma delas, entre as minhas preferidas, é: “Porém, muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos, primeiros.” Ela aparece duas vezes, em exemplos aglutinados por Mateus, o do jovem rico e dos trabalhadores na vinha (caps 19 e 20), afinal muitos serão chamados, mas poucos escolhidos, completa.

Nunca saberemos, ao certo, o que o mestre desejou dizer com esse final, no máximo conseguiremos especular com nossas ideias tacanhas, sem nunca chegar a arranhar sua verdadeira intenção. Mas gosto de pensar que Bill Gates, Rick Warren, Ed e Ricardo, hoje primeiros, serão os últimos a receber e ainda receberão o mesmo que eu e a maioria dos leitores da Gruta, no final. Num ponto, se não em todos, ele estava certo, boa parte dos chamados nunca serão escolhidos, pelo menos nesse plano, onde o valor é concedido na base das realizações, da beleza, da cor e da capacidade de adaptação aos sistemas vigentes.

Por alguma razão, sem explicação, nasci com defeito congênito, não um desses mesquinhos e sorrateiros que roubam a vida de nossos filhos e amigos corroendo-lhes o corpo, mas nasci sem a capacidade de me adaptar. Não me adaptei aos meus pais, nem à escola e muito menos ao sistema trabalhista de meu país. Mesmo nos momentos em que estive subjugado em uma dessas masmorras, interiormente nunca me dobrei aos senhores da grana. Claro, o preço disso é óbvio, mas nunca houve um não alinhado que não tenha pago uma conta ácida por sua opção liberal e desalinhada.

O jovem rico e os trabalhadores que foram convidados ao trabalho, logo no início do dia, eram adaptados e, talvez, nunca suportassem a dúvida e muito menos o despojamento das pessoas humildes e dissidentes. Jesus mencionava esses detalhes de olho no Pai e sua implacável justiça inerente.

Aos que me condenam por minha vagabundagem não opcional, ofereço o meu Deus e sua maneira peculiar de avaliar os fatos. Ele nunca pisará um tribunal humano ou, muito menos, participará de uma daquelas sessões que ocorrem nessas casas de horrores. Simplesmente dirá ao jovem rico: ” vai, vende tudo o que tens e dê-o aos pobres, e terás um tesouro nos céus”, sabendo que ele jamais o fará.

Aguardarei até o fim do dia, certo de que ele virá, ainda que quase na hora undécima e não só me chamará para o trabalho, como me pagará o mesmo que foi pago a quem passou o dia todo na vinha.

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4 thoughts on “Vinhas da Graça

  1. Gosto muita daquela dos trabalhadores da vinha! Uns chegam cedo e fazem tudo, outros chegam tarde e não fazem nada. No final todos recebem o mesmo pagamento!
    Não é lindo isso?
    I love it!

  2. Boa Lou! Sempre mandando muito bem!!! Essa é a graça da graça, todos recebem, cabe a cada um apenas acreditar!

    Abs.

  3. “O que precisamos fazer para realizar as obras de Deus?”. Jesus responde: “A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou”. Sabe o que chama minha atenção nesta passagem? Que eles perguntam de “obras”, no plural, e Jesus responde de uma “obra”, no singular.

    Eles pensam que realizar a obra de Deus é construir santuários, realizar cultos todos os dias, as 9 da manhã, 3 da tarde, 7 da noite; arrecadar fundos pra construir mais santuários, até que o último ser humano se converta ?

  4. …Nessa geração está se tornando impossível acreditar que apenas “descansar no Senhor” dá certo! Eu mesma ainda me vejo muito enredada nessa armadilha do inimigo…

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