A Gruta do Lou

Vida sexual inteligente na Igreja

Atenção: O post de hoje não é recomendável a menores de dezoito anos, pois contém cenas e palavras de sexo explícito. Embora o assunto deva ser tratado, principalmente com os menores, mas aí cada um resolva como quiser.

Sexo, culpa e imposto Sexo, culpa e imposto

Conforme prometi, chegou a hora de sexo na Gruta.

Vamos começar por uma breve análise do mercado sexual. Há algum tempo atrás, governos e pessoal envolvido com captação de recursos para fins pouco nobres, ou seja, gente do primeiro setor que aplica um golpe velho, que funciona mais ou menos assim: primeiro cria-se uma necessidade, geralmente a partir de uma desgraça real e depois criam um imposto cuja justificativa seja suprir a tal necessidade.

Entretanto, durante muitos anos não conseguiram taxar o sexo. Pessoal sonhava com os números, já pensou se o povo pagar um x cada vez que transar? Calculavam que o sexo era uma das atividades mais praticadas pelos cidadãos sobre a face da terra. No governo chinês então, viviam os homens de olhos puxados da terra dos mandarins e membros do politiburro experimentando poluções noturnas diárias enquanto sonhavam com milhões ao cobrar esse imposto, mas ninguém conseguia conceber algo que fosse capaz de medir as trepadas de cada casal, e aí pouco importava o sexo dos participantes, desde que houvesse, ao menos, um do sexo masculino na jogada, enfim um sexometro capaz de gerar o parâmetro para a cobrança do imposto ao sexo. Dizem por aí, inclusive, que foi assim que a população chinesa aumentou tanto.

Enfim, o tempo passou e milhares de dinheiros deixaram de entrar para os cofres públicos enquanto ninguém achava ou inventava o tal sexometro. As coisas caminharam assim até que, acidentalmente ou sei lá de  que forma, alguém transou com um macaco e pegou um vírus (HIV) e foi para o cemitério rapidinho, não sem antes ter sido descoberto, primeiro em relação à transa exótica, o que rendeu a excomunhão dos dois, do homem e da macaca  (ou macaco) e depois o vírus propriamente dito.

Até hoje, dois médicos (um francês e um norte americano) estão brigando pela primazia da descoberta. Assim que tomaram conhecimento da “boa” nova, especialistas em tributação do mundo todo, representados por oito nações denominadas G8 reuniram-se de Davos na Suíça e criaram o mecanismo de tributação ao sexo.

O plano concebido continha três etapas distintas: 1) Inocular o vírus HIV na população através de uma vacinação qualquer, propagando-a como imprescindível. Há quem diga que tenha sido usada uma possível epidemia de hepatite, para tanto, começando por países menos significantes como os africanos e os sul-americanos, depois disso era só esperar o mundo todo estar contaminado. 2) Aguardar a maturação do processo, com a disseminação do vírus pelos quatro cantos. De transa em transa, ela até saiu do controle, chegando a contaminar os povos do chamado primeiro mundo, inclusive. 3) Convencer a todos, gregos e baianos, que a partir de então, era obrigatório o uso de uma geringonça conhecida como “camisinha”, um objeto que existia há décadas à disposição das populações, mas que não era muito usada, em todas as transas, a fim de evitar a contaminação pelo HIV.

Calcularam então que, embora o valor cobrado por cada ação fosse pequeno, o custo de cada camisinha usada, algo que os chineses consideraram discriminação, descontado o lucro do fabricante do produto, estaria implantado um notável sistema de taxação ao sexo, com a multiplicação exponencial do consumo de camisinhas. Mais ainda se boas campanhas incentivando o sexo fossem realizadas.

O paradoxo mais importante então, dava conta que seria ideal todo mundo passar a ter consideráveis cuidados antes partir para esse ato radical e tão odiado pela Igreja Católica, pelo menos entre seus congregados. Entretanto, não foi o que se viu. A partir daí, passou-se a propagar a prática do tal sexo seguro, ou seja, aquele praticado com o uso da camisinha.

Nunca na história desse país e de todos os outros do planeta, se transou ou se transa tanto. Gente que não fazia sexo ou que fazia pouco, como os mais jovens, os adolescentes, e os homosexuais entraram firme na onda. O adultério, antes devidamente represado pela igreja, saiu de controle e virou prática constante, para horror dos padres e pastores. Não demorou muito e, até eles (os padres e pastores) passaram a recomendar o uso da camisinha, se não, usá-las, também.

De fato, a AIDs (SIDA em português) fez um estrago considerável, mundo afora, especialmente na África, onde 30% da população foi contaminada pelo vírus HIV, sem direito ao coquetel de medicamentos que pode reduzir a mortandade dos infelizes portadores. Parece que todo mundo aderiu ao imposto do sexo via camisinha, que deve render números astronômicos em dinheiro para os cofres de governos do mundo todo, menos para os africanos, claro.

Transar pode, só não pode deixar de dar a porção do santo, como fazem os alcoólatras antes de um trago, jogando um pouquinho da pinga no chão. Não que a Igreja Católica tenha liberado seus fiéis para praticar sexo indiscriminadamente, afinal, ela vive do imposto ao pecado, há mais de dois mil anos, um imposto muito mais bem concebido e refinado do que o do sexo, pois ao invés de camisinha, o pecadometro é a consciência.

Chegou a vez da Igreja se posicionar, novamente, sobre o sexo. Até então, o que se pregava “era sexo só dentro do casamento” e até funcionava mais ou menos bem. Com a abdução dos pastores aos interesses do imposto ao sexo, aos poucos, não se ouviu mais falar dessa regra. Na verdade, os amigos de Malafaia passaram até a recomendar que mesmo no sexo dentro do casamento, a camisinha fosse usada, afinal, nunca se sabe onde maridos e esposas andam quando não estão juntos.

Há muito aguardava-se que a igreja cristã não católica assumisse seu papel regulador, mas até aqui, pouco ou nada se fala sobre o assunto, a não ser, recomendar a todos que não transem sem camisinha.

Então resolvi fazer justiça com as próprias mãos, já que a pastorada não faz o dever de casa. Embora não exerça o pastorado, e a Gruta não tenha qualquer intenção de ser igreja, o que pode ser contestado, se considerarmos igreja como uma comunidade de crentes, sinto-me no direito de propor a regulação da prática sexual.

Antes de mais nada, quero deixar bem claro que tanto o imposto do pecado, quanto o do sexo são condenáveis pelos livros sagrados da Gruta e acho que deveríamos optar por boicotar tanto um quanto o outro. Se seu pastor cobra imposto sobre seus pecados, por favor, mude de igreja. Se ele recomenda o pagamento do imposto ao sexo através do uso de camisinhas, igualmente, mude de igreja. O fato é, sexo não é e nunca foi pecado, embora tenha sido taxado como tal, desde os primórdios da igreja. A lei mais velha do mundo, conhecida como os dez mandamentos, preconizava como tal, apenas o adultério, afinal Moisés e Arão não queriam suas esposas transando com mais ninguém, além deles.

Apesar disso, não há como negar que não dá para liberar geral, como querem os senhores que vivem de impostos. Talvez eu deixe a todos perplexos, mas minha posição em relação ao tema é um tanto ortodoxa o que até a mim espanta. Em minha humilde opinião, se você não quer contrair o vírus HIV ou outro qualquer transmissível via sexo, a melhor opção é não transar. Acredito tanto nessa opção que a recomendo a todos, inclusive e preferencialmente aos mais jovens.

Se você é casado, e isso diz respeito aos machos e fêmeas, e não deseja contrair ou contaminar com algum desses vírus assassinos, não faça sexo fora do casamento, em hipótese nenhuma, nem mesmo quando isso parecer inevitável. Se fizer, nunca mais volte para casa e/ou dirija-se ao hospital mais próximo e requeira o coquetel anti AIDs e depois peça o divórcio. Se você ainda não casou ou está momentaneamente descasado, e também não deseja se tornar portador de uma ou mais dessas porcarias inventadas por norte americanos e franceses e demais membros do G8, não faça sexo, de jeito nenhum. Esse é o modo mais seguro de não entrar na roubada de virar transporte grátis da AIDs e uma passagem só de ida para o cemitério, mais especificamente, para dentro de uma cova.

Se conseguiu sair de um casamento desastroso, minha recomendação é no sentido de permanecer assim indefinidamente e sem sexo. O risco de um novo casamento tão desastroso quanto o primeiro é muito grande, e talvez valha mais a pena viver sem ele e sem sexo. Pelo menos você estará dando uma contribuição consistente à sua longevidade.

Para mim, pecado é pagar impostos injustos, se é que exista algum que não seja. Se olharmos o que nossos governantes fazem com essa grana, a impressão que fica é que não há imposto justo. Mas, dentre os impostos, o imposto ao sexo é inaceitável.

O imposto ao pecado é pago à igreja que é isenta de pagamento da maioria dos impostos que você e eu somos obrigados a pagar e também inaceitável. Quem os recebe e quem os paga está reservando um lugar compulsório no inferno, a meu ver. As igrejas deveriam viver de doações voluntárias e não das compulsórias, como fazemos na Gruta, se bem que andamos mal de doadores, compulsórios ou voluntários.

Penso na opção de não fazer sexo fora do casamento como a opção de vida sexual mais inteligente, seja para os frequentadores de igrejas, grutas ou para qualquer outra pessoa ou organização. Não conheço o jogador Kaka pessoalmente, mas considero acertada a opção dele, a sexual, óbvio,  inclusive como um excelente testemunho à legião de fãs ainda na mais tenra idade, que ele influencia.

Condeno sim, aqueles que o julgam, cujo carrasco mor atende pelo nome de Juca Kfouri e se diz ateu, embora tenha ficado indignado com o abandono do túmulo do Sr. Vicente Matheus, um falecido ex-presidente do Corinthians, deixando claro suas preocupações religiosas com os mortos. Gente assim, prefere expor as pessoas, e no caso, preferencialmente aos mais jovens, aos riscos da promiscuidade que é gerada pelo sexo praticado de forma irresponsável, mesmo que seja com camisinha, pois esse apetrecho pode evitar problemas físicos, embora não totalmente, mas seguramente não evitará os danos psicológicos, às vezes ou na maioria delas, catastróficos para os praticantes.

Em suma, diga não à camisinha, faça sexo só dentro do casamento e não pague impostos injustos, todos eles podem fazer muito mal à saúde.

morcego-12

7 thoughts on “Vida sexual inteligente na Igreja

  1. Pô Lou, pensei que você ia liberar o pessoal! Já que não liberou, libera aí pelo menos os “Woody Allen’s” da vida , e o fazer sexo com a pessoa que você mais ama!
    Já o dinheiro, bem dizia James Baldwin: “O dinheiro acabei por descobrir, era exatamente como o sexo: quando não se tem não se pensa noutra coisa, e quando se tem pensa-se noutras coisas”.

  2. Nelson

    Minha esperança é ter deixado bem claro que o sexo é destinado à pessoa que você mais ama (dentro do casamento) e tudo isso de forma absolutamente voluntária e sem culpa. Sou fã do Woody Allen, se bem que, para ele, pecado é comprar no varejo.

  3. Não dá mesmo pra pensar em evitar o sexo na Gruta… esse escurinho todo é muito excitante.
    Quanto às tuas orientações, seriam perfeitas em um mundo perfeito, mas não é, né? Então, faltou dizer que se o cara não for seguir os conselhos do teu último parágrafo – é incrível, mas nem todo mundo vai -, o melhor é tentar manter a vida, e pagar o imposto da camisinha

  4. Rubinho
    A gente faz o papel pastoral, uma espécie de crítica aos nossos ex-colegas de seminário, dizendo o que se deve fazer ou não fazer, em um jogo do faça o que eu digo, como caberia a uma igreja fazer. Com pesar, concordo com você sobre o acréscimo ao último parágrafo.

  5. Boa! Concordo com a posição da Gruta, que estranhamente é muito parecida com um Galileu vindo de Nazaré e com um fazedor de tendas.

    Abraço Lou

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