A Gruta do Lou

Velhinhos, debates e alienações


Bom, eu tentei.

Intuindo que às segundas-feiras a busca pela leitura de blobagens costuma ser fraca, venho acalentando secretamente a decisão de ceder espaço aqui a textos de outros escritores, tanto faz se forem amadores ou profissionais. Mas hoje não fui feliz e, embora tenha zapeado por aí, não encontrei nada que fizesse jus ao espaço sacrossanto da Gruta.

Evidentemente, ao procurar textos você acaba deparando com frases de algum teor exótico, na pior das hipóteses, como essa do Luiz Felipe Pondé publicada pelo Pavablog: “A melhor forma de manter a dignidade na era do Facebook (se você não resistir a ter um) é não contar para ninguém que você tem um Facebook. Quase tudo é bobagem nas redes sociais porque o ser humano é banal e vive uma vida quase sempre monótona e previsível.”

Honestamente, bem que eu gostaria de ser independente o suficiente para não ter um perfil no Facebook ou em qualquer outra rede social, se bem que a Escola de Redes e a Rede Global de Cidades Inovadoras são opções interessantíssimas. Não é o caso. Não fossem essas opções de divulgação da minha marca pessoal, já estaria completamente esquecido. Uma frase dos tempos do curso primário que ficou registrada em minha memória de forma indelével (seja lá o que isso signifique) foi aquela sobre Cristovão Colombo: “Morreu pobre e esquecido”. Se fosse hoje, com as redes sociais, ele nunca teria recebido esse epitáfio. Provavelmente estaria sendo convidado ou cogitado para participar do evento debate na Igreja Betesda com o Ruben Alves e os Ricardões (Na Betesda, 9 de fevereiro, 20 hs.) Imagino que ele aconteça em 2012, mas isso não foi informado, ainda.

Já imaginou um debate assim? Não fosse lá, poderia ser em alguma clínica geriátrica. Como sou velhinho, também, estou cogitando comparecer, disfarçado é claro. Fui aconselhado a me candidatar ao cargo de Papai Noel nesse natal, parece que estão pagando uma boa grana nos Shoppings para tanto. Embora fora de moda, ainda sou obrigado a forrar o estômago diariamente e, pasmem, satisfazer as insignificantes necessidades de minha família, incluindo cuidar de meu filho cardiopata congênito. Mas quem liga para mim? Então será só manter a fantasia, até lá. Duro será vencer a concorrência dos outros papais noeis, todos de olhos azuis, barba longa e branquinha, fora a pança enorme. Certamente, ninguém reparará num velhinho vestido assim, com tantos velhinhos mais evidentes presentes, nesse debate.

Certamente os temas do debate serão pertinentes aos participantes e à plateia deles. Coisas super ultrapassadas e esquecidas como a inoperante e desnecessária Teologia da Libertação, Fred Astaire & Ginger Rogers e O Vento Levou. Talvez um deles cite algo relacionado a outras velharias como a saudosa Intentona Comunista, os neo comunas como se eles não fossem corruptos e cheios de mensalões ou alguma lista dos livros evangélicos mais lidos há trinta anos. Se o Colombo participasse, provavelmente insistiria no tema Missões Internacionais, focando nas riquezas além Índias, em todos os sentidos, e a possibilidade de realizar o primeiro culto religioso em algum continente perdido. Enfim, uma chatice só. Mas para nós, que já dobramos o Cabo da Boa Esperança, essas coisas fazem todo o sentido. É a velha Teologia do Fogão.

E para concluir só falta aconselhar quem não for ao debate a ficar em casa twittando ou escrevendo mesmices e clichês no Facebook, embora isso seja desnecessário, pois é isso mesmo que os menores de idade farão. Exceto os que preferem coisas mais ousadas e densas, como uma boa balada ou mesmo fumar crack na Cracolândia, sempre uma opção bizarra.


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