Variações entre liberalidade e moralidade
Desmond Tutu

 

O atual Papa ainda não acertou a mão, digo, o seu novo personagem, no caso, de Papa Francisco. Em minha modesta opinião, está humano demais. Papas, não podem ser humanos, embora sejam. Precisam achar um meio termo entre o ser humano e Deus. Papas ficam no meio, nem são nem deixam de ser. Pegou?

Ainda bem que a Igreja Católica também está perdidinha na pós modernidade. Esse negócio de aprovar casamento gay, aborto e eutanásia não dará certo e o próximo Papa precisará convocar outro concílio para cancelar tudo isso e voltar à velha preferência moral católica, que sempre deu certo. Se não estava bom com isso, sem ficará muito pior. O povo precisa de uma igreja cheia de moral e dogmas, afinal isso é a cara da igreja. Não existe algo como uma igreja sem moral e/ou liberal.

Calma não se assuste. Também tomo meu vinhozinho na calada da noite. Mas se fosse Papa isso não seria possível, mais. Papas não são humanos, lembra? Deixaram de ser quando permitiram que lhes colocassem aquela coisa exótica em suas cabeças. Embora não sejam deuses, tampouco.

Mas não quero ficar aqui dando dicas à concorrência.

Tudo isso serve aos pastores papais, evidentemente. Pastor liberal é igual a cheque sem fundo, não vale nada. A moralidade é a marca registrada do pastor crível. Isso não significa que ele não lute pelos direitos humanos na velha tática ensinada por Jesus da não violência e resistência pacífica aos poderes dominantes. Fazem tudo isso sem tirar o colarinho clerical. Né Desmod Tutu?

Francisco, o santo, só foi menor do que o próprio Cristo. O cara deu a vida pelos maltrapilhos, de todas as categorias e qualidades, sem perder sua compostura moral. Santa Clara que o diga. Alguém duvidaria de Francisco, o santo? Já pensou se ele fizesse casamentos gays, liberasse o aborto e a eutanásia? Nem a desculpa da modernidade o salvaria, se não me engano. Casamentos, na verdade, não precisam de cerimonias religiosas. Se fizer questão, mesmo, bastará entrar em qualquer cartório e registrar um contrato onde você se comprometa a dar o que você tem para o outro e vice versa. Né não? Então para que criar caso? A Igreja não pode liberar esses procedimentos porque há orientações expressas nos textos sagrados quanto a esses temas.

Alguém por aí vendeu a tese de que modernidade seria igual à liberalidade. Há milhares de anos atrás, nos tempos de Abraão, o patriarca judaico, houve liberalidade geral nas paróquias de Sodoma e Gomorra. Você sabe no que deu isso? Então procure saber. Isso nunca deu e nunca dará certo.

Por que não deixar as igrejas, católicas, evangélicas, luteranas, batistas, calvinistas, arministas, etc., serem elas mesmas, com sua moralidade, ambiguidades, mas sérias. Onde as pessoas possam ir quando nada mais der certo. Pelo menos poderão interagir e sentirem-se valorizados. Um amigo diria que é o lugar onde até os negros podem chamar os brancos de irmãos. Só esqueceu de pensar que também é o lugar onde até os brancos serão obrigados a receber os negros como irmãos. Até os gays serão bem recebidos lá, só não poderão celebrar seus casamentos e serão orientados que sexo entre pessoas do mesmo gênero não pode, é pecado.

Quanto ao amor de Deus, nada mudou, quem quiser vive-lo bastará seguir a senda de Jesus o Galileu, ou seja, cruz, morte e Deus do outro lado, com ou sem ressurreição, onde não há liberais, morais ou ortodoxos.