A Gruta do Lou

Uma utopia compulsória

Utopia
Utopia

Dias atrás, realizaram uma conferência para jovens de uma dessas igrejas das elites cristãs sob o tema Utopia. Não sei se fui convidado, geralmente deleto qualquer E-mail contendo a palavra “convite” sem ler. Tenho medo de ser vírus. Faz tanto tempo que ninguém me convida para nada que desconfio logo. Além disso, lucro o benefício da dúvida, pois é a certeza que enlouquece, como ensinou o finado Nietzsche. Inclusive, seria estranho, para não dizer bizarro, eu entrar em lugar desses. Soaria como Lázaro comendo à mesa do rico, se não me engano. Mas tomei conhecimento do fato através do bom blog do sempre competente jornalista Alex Fajardo, que faz parte do grupo citado. Para você ver como não sou nada confiável.

Sabidamente sou meio lunático e tenho umas manias estranhas, confesso. Embora, dificilmente abandone a segurança proverbial de minha Gruta sagrada, costumo me exercitar para manter a forma. Nunca se sabe quando serei obrigado a me corromper aceitando participar de algo assim. Então construo mentalmente minha participação nesses programas, como se deles houvesse participado. O negócio é tão sofisticado que chego ao nível de imaginar até as piadas que teria contado, em meio à minha palestra sobre o tema principal. Por exemplo, nesse caso, pensei em interromper minha fala naquele palco construído em madeira de lei, enfrente ao púlpito de acrílico, virar para o pastor da igreja e pedir para ele mandar algum diácono verificar se ninguém estava mexendo em minha Harley, no estacionamento.

Enfim, quanto ao tema principal, a Utopia, lembrei logo do John Stott. Quando ele esteve entre nós, pela primeira vez, lá pelos idos de 1979, estive presente à série de palestras que ele fez na Faculdade Batista, onde eu estava aluno, miseravelmente. Elas duraram uma semana. De tarde ele falava sobre um tema e à noite outro, a saber, Evangelização e Pregação Expositiva. Como todo mundo sabe, ele é o homem da “Missão Cristã Hoje” e de “Between Two Words”, dois livros que não podem faltar na biblioteca de um pastor que se preze, como diria o Pastor Prof. Irland Pereira de Azevedo.

Naquela ocasião, Stott afirmou que nós, homens da igreja cristã, deveríamos parar de tentar trazer as multidões para dentro de nossas Igrejas e tratar de virar nossas cadeiras para fora, expulsando as pessoas para saírem e ganhar o mundo, onde estão aqueles que não conhecem o amor de Jesus Cristo. Encerrou, inclusive, gritando o grito em latin que todos nós deveríamos gritar, especialmente aos nossos jovens igrejeiros: ” Et missa est!”

O evangelho torna-se na grande utopia compulsória sob essa insistência insana de inverter o grande mandamento do Senhor Jesus. Ele nos enviou para ir e fazer discípulos, FORA DA IGREJA. Nunca disse para nos entrincheirarmos em nossas masmorras de concreto e crenças paralisantes, ricas ou pobres e guardar o segredo de seu amor entre nós. Essa é a grande utopia que faz de nós e de nossos jovens seres utópicos. O resto é conversa fiada para boi dormir.

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5 thoughts on “Uma utopia compulsória

  1. Pingback: Lou Mello
  2. Lou!!!
    A primeira coisa que eu vou comprar,quando ganhar na Mega Sena,vai ser uma Harley…para presenteá-lo…
    pode ficar tranquilo que o seguro total vitalício,vai junto com a máquina.
    Só precisamos decidir se o “vitalício” é para você ou para a máquina.

    Se você ganhar na Mega Sena vai gastar mais do que isso conosco, fique tranquila. 🙂

  3. Pingback: Charles Fernando
  4. Muito interessante… O seu devaneio remete-me a uma pergunta que não cala: Se Jesus, o próprio, chama-nos para fora dos templos, por que os homens que se dizem espiritualizados (intelectualizados não tenho dúvida que sejam)insistem nesse teatrinho grego, que seduz em vez de converter?
    “Deixai-os; são condutores cegos.” Seria a resposta?

  5. Lou, além de não irmos para fora da igreja, fazer discípulos, ainda criamos um dialeto “crentês” que soa alienígena, aos que não soam do meio. Coisas do tipo, “ficar na brecha”, “sonhar sonhos de Deus” (se é que é possível) e outras pérolas. Abraço.

    Fora as janelas, devem haver umas vinte mil diferentes, pela numeração. 🙂

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