A Gruta do Lou

Uma outra teologia

Domingo, Março 05, 2006


Em tempos de discussão sobre pós-modernidade, globalização, teologia liberal ou conservadora, detive-me a pensar na curva de minha própria teologia.

Estudei em escolas católicas nos primeiros anos escolares, fiz catecismo e primeira comunhão. Participei do movimento católico “De Colores”, antes de abandonar o catolicismo.

Aos 25 anos, converti-me ao protestantismo em uma Igreja Evangélica Pentecostal e não denominacional. Estudei teologia na Faculdade Teológica Batista de São Paulo e tornei-me membro de Igreja Batista.

Até ai tudo bem. Deus era bom, Pai, socorro bem presente nas horas difíceis, etc. Tinha resolvido minha vida espiritual com uma teologia triunfalista e imune a acontecimentos fortuitos.

Certo dia, essa posição mudou bruscamente. Nosso filho mais novo, o Thomas, nasceu com um grave problema cardíaco e escravizante. Então, descobri ser possuidor de um sistema de crenças equivocado. Minha eclesiologia era falsa, assim como a pneumologia, a soterologia, a antropologia, demoniologia, tudo estava furado.

Precisei reconstruir meu sistema de crenças. Uma outra teologia, onde Deus é Pai de toda a humanidade e não só dos filhos de Abraão. Uma Cristologia com um Jesus Cristo capaz de amar incondicionalmente. Uma eclesiologia com a dinâmica de dar e receber, de falar e ouvir, formada por pecadores em arrependimento. Um Espírito Santo sempre presente, mas nem sempre atuante. Livre arbítrio responsável onde minhas escolhas determinarão os acontecimentos futuros. Um Deus que ouve o tempo todo, falando sem cessar a um cristão incapaz de ouvir o tempo todo. Um convite a sofrer com Jesus, carregando a cruz com Ele, incluindo a opção de não aceitar as opções.

Descobri ainda, que todas essas mudanças tirar-me-iam da companhia dos meus antigos irmãos crentes, todos presos às suas velhas teologias pré-batismo com fogo. Não apenas isso, mas minha presença em suas Igrejas tornou-se indesejável e impossível. Acabaram os convites para pregar, palestrar, orar, etc… Passaram o giz branco em minha lapela.

Encontrei, em meu novo gueto, vários outros irmãos de nova teologia. Como eu, indecisos, inseguros, mas conscientes de suas novas cruzes. Resta-nos seguir adiante pregando nossa mensagem no deserto, preparando a vinda do Senhor. Ele vai voltar para buscar sua Igreja, não uma Igreja de pedras mortas, mas a Sua Igreja formada de Pedras Vivas.

# posted by Lou @ 1:27 PM

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6 thoughts on “Uma outra teologia

  1. Minha trajetória é semelhante à sua – não que eu sinta falta dos convites para pregar.

    Mas não posso concordar que sua nova teologia seja assim tão distinta da velha.

    Suas expectativas é que eram infundadas, não suas idéias a respeito do caráter de Deus. Ele é bom e Pai e socorro bem presente nas horas difíceis, mas não da forma como esperamos que ele seja. Deus ao que tudo indica é inacreditavelmente durão e não nos poupa de nada – nem mesmo de sofrermos até o ponto de abandonarmos uma ilusão que nos é cara e que preferíamos não abandonar.
    # posted by Paulo Brabo : 3/06/2006 11:03 AM

  2. Eu acho que me encaixo na categoria de irmãos de crenças rasas, sou de muito pouca fé e, o pior, sou desconfiada. Fui batizada na igreja católica, fiz a primeira comunhão e estudei em colégio católico também, mas lembro que não reconhecia a fé em nenhum desses colégios, nem em toda a minha tragetória. Em casa, minha irmã recorreu á uma igreja pentecostal para se batizar, acreditando que seu batismo anterior não era válido, eu acho. Os outros membros da familia permaneceram católicos e se inclinaram para as práticas dos católicos não praticantes. Aos poucos fui deixando de lado as confissões, fui percebendo que íamos cada vez menos à igreja para assistir as leituras, de repente, eu não tinha religião a não ser por tradição. Para mim, o templo de Deus é o nosso corpo, e o paraiso deve ser uma coisa inimaginável e, se não houver, vou entender, que vida já é presente grande pra gente grata.
    Lou, eu concordo com a Vilma e acho mesmo que seu novo sistema é honesto, cordial e compreensivo, não tolirá o que compreende a verdadeira liberdade, e eu era de tê-lo conhecido a mais tempo, para não repar-me assim, tão mal acostumada, pra não dizer adestrada.
    Um abraço fraterno.
    # posted by Lux Luxo : 3/06/2006 5:11 PM

  3. Oi. prazer em conhecer seu blog. Eu fui arrastado até aqui quando inadvertidamente cliquei sobre seu nome em um comentário lá na bacia das almas.
    Também sou da “outra teologia”. somos irmãos.
    Abs.
    # posted by Hernan : 3/13/2006 5:52 PM

  4. Deus não se prende a religiões ou dogmas, muito menos a teologias, sejam elas rasas ou profundas. Fico indignada quando vejo alguem se pronunciar como um “ex-católico”, como que se equiparando àqueles q se dizem ex-drogados, ex-bandidos… Na verdade, vc nao tinha fé, nao conhecia o amor do Pai, não tinha Jesus vivo em seu coração. Sou católica, faço teologia, e amo meu Deus com todas as minhas forças, tenho tanta fé quanto você e minha teologia é viva. Afinal, o mesmo Jesus q morreu no calvári por vc, tb morreu por mim e por todos aqueles que crêem.
    Que Jesus esteja em sua vida, sempre, e me perdoe por ter invadido seu espaço, apenas vim desabafar a dor de ter descoberto um “ex-católico”, q deixou a Igreja fundada por Jesus para se tornar mais um Lutero.
    Abraços

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