Uma Gruta que virou Caverna

Nos últimos meses, minha caixa postal recebeu milhares de E-mails contendo a mesma pergunta, de uma forma ou outra: Por que a Gruta virou Caverna? Como muitos sabem, a Gruta passou por uma crise que me levou a fechá-la. Havia um bom acervo de três anos e meio, com textos quase diários e isso não era pouco. Mas, em pouco tempo e alguns acontecimentos, avaliei a possibilidade de continuar e me ocorreu mudar, do visual ao título. Por outro lado, seria presumível imaginar que os leitores gostariam de ver o essencial preservado. Evidentemente, grutas e cavernas são a mesma coisa, especialmente na língua portuguesa onde são palavras sinônimas. Em alguns lugares, há o entendimento de que gruta seja a versão pequena, como os lugares onde Jesus teria nascido em Belém e depois enterrado em Jerusalém, enquanto a caverna, o mesmo tipo de formação, mas com dimensões bem maiores, como a Caverna de Adulão, onde mais de mil pessoas estiveram abrigadas junto com Davi e que serve de modelo para este blog. Então fizemos uma troca de título capaz de não mudar quase nada, mas deixar uma porta aberta para nossas pretensões de crescimento. Crescer em termos de abrigar mais desterrados desse mundo e não tanto em audiência, ou sei lá como chamar o contingente visitador. Também vi nisso, embora em menor peso, uma possibilidade de homenagear meu amigo português, o Saramago. Coitado, lançou um livrinho meio chinfrin cujo título é A Caverna. Quem sabe assim ele consegue vender mais uns três volumes, alem dos dois comprados pelo Pavarini. Outra pergunta sempre presente nos Emails, gira em torno dos comentários. Uma senhora, por exemplo, diz: Você não fica chateado em ver blogs de cantoras evangélicas fúteis receberem 300 comentários em  posts simplórios e você receber um ou dois em posts densos, com teologia emergente de primeira, fora seu costumeiro e correto alinhamento com a boa e velha filosofia? Não, dentro dessa comparação. Chateia-me o oportunismo barato, os sangue-sugas de sempre, gente má que depois de chupar todo nosso sangue, sai por aí cuspindo no prato onde comeu e comeria muito mais se não fosse devidamente enviado (a) ao inferno para que, pelo menos, a alma fosse salva. Meu professor de Crescimento de Igreja me ensinou a identificar o perfil ideal para ser líder de uma grande igreja: Bonito, bom cantor, idade não muito aquém e muito menos além, bem casado, bem vestido, sempre cheirando bem, uma certa arrogância, pregador carismático, capacidade para pular e andar de quatro, inglês fluente, etc.  Aquela velha lista de atributos dada a Timóteo pelo apóstolo Paulo, definitivamente, ficou pelo caminho. Sendo assim, não me enquadro em nenhum dos quesitos necessários e não tenho porque me preocupar. A minha vantagem é que sou feio e estou acostumado com isso, esse pessoal ficará mais feio com o passar dos anos e terá que enfrentar uma baita crise com a chegada inevitável da feiúra, com direito a silicones, botox, enchertos enxertos de cabelo, etc. O acesso ao blog continua o mesmo (www.agrutadolou.blog.br, www.lhmbrasil.com.br/blog e www.hmello.com) . Cheguei a encomendar o domínio específico, mas a intransigência da Locaweb em cobrar o serviço antecipadamente, me fez adiar a encomenda. Em suma, c’est La meme chose. Blogs mais elaborados, cujo fim destine-se à reflexão e às mudanças complexas ficarão a cargo de poucos, na elaboração e na assistência. Perdoe-me a falta de modéstia, é que pensava no Brabo, no Assyson, Roger, Nelson , Rubinho, Volney, Adiron e esses caras cheios de conteúdo, escrita e retórica acertada. Não é nenhum clube do bolinha, como me acusou certa anciã, mas as nossas boas escritoras ainda sentem medo da exposição que o blog permite e preferem esconder-se atrás de poesias e psicologia. Tomara que demorem a perceber a força que têm. Não gosto de ler lamúrias de pastores com a barriga cheia, tão pouco. Então, prossigamos com nossa Gruta, digo Caverna, como grutenses que sempre fomos, afinal cavernosos não conseguiremos ser.