A Gruta do Lou

Uma grande luz

Idosos

Esta semana aconteceu a mesma coisa, a caixa postal recebeu mais um monte de convites endereçados a mim, com o mesmo teor: “venha pregar em nossa igreja”! Mas certos animais não se expõem facilmente e eu sou um deles, ainda mais depois do que andei escrevendo nos últimos dias. Pelo menos na Gruta estou em casa e posso falar mais livremente, mesmo que sejam bobagens. Domingo é dia de refletir sobre a Palavra de Deus e é isso que faremos agora. Peque sua Bíblia, tire o pó e abra em Mateus, capítulo 4: 12 – 17. Leia, se puder.

Nosso amado Khalil continua sua narrativa.

Evangelho segundo Khalil

Jesus queria continuar rumo norte, mas algumas caravanas trouxeram mas notícias de Jesrusalém sobre seu primo João, aprisionado por Herodes e nosso Mestre preferiu voltar para a Galiléia. Não sei como posso descrever meu sentimento, cada vez que voltávamos a essa região que sinto como o berço do menino Jesus. Desde Nazaré à Bethsaida o ar transpira o amor do Nazareno. Mas, depois dois dias, Ele decidiu não ficar em Nazaré, sua terra, preferiu Cafarnaum, perto do mar.

No caminho, ao passarmos por uma Sinagoga, o rabi resolveu entrar. Nós o seguimos em silêncio obsequioso. Havia ali uns poucos devotos, pois era meio de semana. Foi até o púlpito e abriu o livro sagrado. Folheou-o e leu um trecho em voz alta:

Terra de Zebulom e terra de Naftali,

Caminho do mar além do Jordão

Galiléia das Nações

O povo que vivia nas trevas

Viu uma grande luz

Sobre os que viviam na terra na sombra da morte

Raiou a luz.

Fechou o livro e me olhou profundamente. Corei. Então disse:

– Eis a sua resposta Khalil, disse brandamente. Desceu e caminhou em direção à porta.

Eu não havia perguntado nada a Ele, mas quando me disse que não ficaríamos em Nazaré, não entendi, sobretudo porque sua mãe e irmãos ficaram desolados, como das outras vezes em que anunciara sua partida. Cheguei a pensar algo como, aqui é tão bom.

Mas seu propósito era infinitamente maior que o meu e o de seus familiares: Iluminar o mar de trevas onde vivem os homens da terra. O lugar certo para isso era a Galiléia. Isaias havia profetizado isso a milhares de anos antes. O mestre, filho de Deus, Senhor dos senhores, obedeceu e seguiu sua sina, com humildade. Galiléia era um lugar como qualquer outro, mas era peculiar em uma coisa, havia sido escolhido por Deus.

Saí da sinagoga cabisbaixo e pensativo. Não por ter sido flagrado duvidando dele, mas por vergonha de nunca ter entendido a nossa missão. Sempre desejei lutar por uma igreja consciente e amorosa, onde houvesse comunhão e boa vontade. Mas estava errado e acabara de entender. Quando acertarmos a nossa missão, então o que era trevas verá a luz e diremos: Raiou a luz.

Então Jesus Galileu começou a ligar a chave:

– “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”

Quando aceitamos nossa condição de pecadores, de todo o nosso coração, fazemo-nos luz e essa grande luz será vista por todos os que estão no vale da sombra da morte e ela se tornará mais intensa, a cada nova vida que se iluminar com Ele.

Seguimos na direção do mar.

Leia mais em O Evangelho Segundo Khalil:

  • A Testemunha Trans-secular
  • O meu grande amor
  • Uma Grande Luz
  • Pescadores de Homens
  • Levou sobre si as nossas dores
  • A felicidade maltrapilha
  • Lágrimas Valorosas
  • Herdeiros Miseráveis/a>
  • Os Famintos
  • Os Misericordiosos
  • Corações Purificados
  • Os Pacificadores/a>
  • Os Perseguidos/a>
  • Os Recompensados/a>
  • לּהּמּ

    10 thoughts on “Uma grande luz

    1. Cada dia que passo por aqui algo muda..

      Que bom que vc usa seu tempo na Gruta para decorá-la…

      Afinal, ninguem quer estar numa gruta desarrumada..

      Khalil é fera, assim como vc, sou um fã dele…

      Ah! e que história é essa de que na Gruta as idéias repousam??

      hehehehheeh

      abraços Lou

      Te amo, amigo.

    2. Wander

      Tenho dito que só descansarei quando a Gruta tiver seu próprio template. Esse tem um visual agradável, mas algumas ferramentas internas insistem em não funcionar. Vamos ver. Sem dúvida, as idéias repousam aqui, pois estamos na Gruta, lugar de descanso e reflexão. As idéias não descansam na Bacia das Almas, onde elas devem pulular. 🙂

    3. Lou,

      Tão belo e expressivo este seu texto!

      … “Mas o seu propósito era… iluminar o mar de trevas onde vivem os homens na tarra…

      Quando aceitamos nossa condição de pecadores, de todo o nosso coração,fazemo-nos Luz; e essa grande Luz será vista por todos os que estão no vale da sombra da morte, e ela se tornará mais intensa, a cada nova vida que se ilumine com Ele”…

      Todo o texto me tocou, mas esta parte de uma forma especial.

      Doces lágrimas rolaram no meu rosto.

      Obrigada uma vez mais. O Lou é mesmo uma benção.

      Tenha um bom final de domingo

      Um abraço

      viviana

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