A Gruta do Lou

Um pai sem opções é capaz de tudo.

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John Q.” (Um ato de coragem)

Não lhe deram opções, só lhe resta uma escolha. Um pai sem opções é capaz de tudo.

John Q., um pai que se vê forçado a tomar medidas drásticas numa situação extrema.
Quando, num jogo de baseball, o seu filho desmaia, John Q. e a sua mulher são informados que o seu filho tem uma cardiopatia congênita (está com o coração dilatado) e necessita de um transplante de coração. Sem essa cirurgia, as chances de vida dele não passam de alguns meses, na melhor das hipóteses. Sem seguro de saúde e sem dinheiro suficiente para pagar a operação, que custaria a bagatela de US$ 250.000,00 (Duzentos e Cinquenta mil Dólares) este casal vê-se sem quaisquer opções para salvar a vida do filho. Descobre ainda que levar o filho para um hospital público não seria boa opção, pois lá não haveria possibilidade de ser realizado o tratamento necessário.

Lutando contra o tempo, pois o estado do menino no hospital vai se deteriorando rapidamente, esse pai aflito sai em busca de dinheiro junto à comunidade e os amigos. Consegue, em pouco tempo, juntar US$ 22.000,00 através de doações, venda de seus pertences e realização de bazares. Mas essa quantia está muito longe do necessário.

A mãe que está com o filho no hospital, liga para o pai, certa manhã, informando que o filho terá alta para ir morrer em casa, pois a conta do tratamento está alta e ultrapassando os limites permitidos de crédito. O pai procura o médico responsável e faz um último apelo por tempo para levantar o dinheiro e roga para que o tratamento não seja interrompido e que o nome de seu filho seja incluído na lista de candidatos ao transplante, o que lhe é negado.

A única escolha para este pai desesperado será fazer justiça pelas suas próprias mãos numa epopeia contra o tempo para salvar a vida do filho. Fecha a ala de emergência do hospital e faz reféns, brandindo uma arma. Exige a inclusão de seu filho na lista de transplantes como condição para soltar os reféns.

No final tudo acaba bem, o menino é incluído na lista, um coração aparece enquanto o sequestro de reféns está em andamento, à cirurgia é realizada com sucesso e o pai é julgado e condenado a pena mínima, pois torna-se um herói aos olhos de todos, da família, dos amigos e de toda a sociedade.

Na vida real, nem todas as histórias desse tipo, acabam bem. No Brasil, quem atende melhor esses casos é o serviço público, mas os hospitais construídos com dinheiro público atendem preferencialmente os pacientes mais ricos e portadores de convênios particulares. Além disso, os gastos envolvidos em toda uma situação desse tipo são proibitivos e isso, muitas vezes, acaba determinando dificuldades e agravantes para a solução dos casos.

Nossa sociedade não está preparada para ajudar pessoas envolvidas no enfrentamento de um problema desse tipo. Conseguir a participação das pessoas físicas ou jurídicas é tarefa duríssima. No caso dos problemas de cardiopatias congênitas, um mal que atinge milhares de crianças, adolescentes e jovens em nosso país e em todo o mundo, a dificuldade aumenta devido à falta de informação e propaganda.

John Quincy Archibald, o pai foi representado por Denzel Washington , sua esposa Denise foi encenada por Kimberly Elise e o filho por Daniel E. Smith. John Q. conta, ainda, com uma sólida presença de atores como Robert Duvall (Deep Impact), James Woods (Casino), Anne Heche (6 Dias e 7 Noites) e Ray Liotta.

A realização foi de Nick Cassavetes.

A TV aberta, através do SBT exibiu esse bom e oportuno filme ontem, 05/02/2008.

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OPS: O caso de meu filho foi real. Uma cardiopatia congênita, precisou fazer uma terceira cirurgia. Ela foi super dimensionada pelo cirurgião, para a qual ele não tinha chance de resistir, sem falar que o combinado era uma cirurgia bem menor e mais seguro, onde ele teria mais chances, fora a posterior negligência dos cirurgiões ao tê-lo  abandonado na UTI, quando perceberam que ele não resistiria. Ele faleceu devido a complicações pós operatórias (em 20/04/2013). Não tive a coragem de John Q, aliás nem cheguei a entender, a tempo, que meu filho estava morrendo, sem que ninguém tentasse alguma coisa para salvá-lo. Tudo isso aconteceu no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo.

Capricornio PB

3 thoughts on “Um pai sem opções é capaz de tudo.

  1. Lou, você esqueceu de citar a parte mais emocionante do filme: o pai se propõe a cometer suicídio, para que o seu coração seja aproveitado no transplante. Dramático! 22 milhões é grana heim? Aqui em terras tupiniquins a gente não chegava nesse número não… Alguma coisa de cabalístico nesse número, ou foi só coincidência mesmo?

  2. Bete

    Bem lembrado. Pais, às vezes, agem assim e que ninguém duvide. Quanto ao número, foram 22 mil dólares e de fato, não chegariamos a isso, nunca. Agora o número é cabalístico, sim, pelo menos para mim…

  3. Assisti muitas vezes o filme.É emocionante!Realmente um pai corajoso e insitente.Não é todo mundo que tem a coragem de agir assim ,não.Certa vez,tive de fazer um tremendo escândalo para que minha filha fosse atendida às pressas num pronto-socorro.É Lou,as coisas aconteceram num filme e nos States…mas Deus há de lhe dar opções,são os meus mais sinceros votos em amor e oração.

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