A Gruta do Lou

Um jumentinho cubano


  1. E, logo que se aproximaram de Jerusalém, de Betfagé e de Betánia, junto do Monte das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos,
    2  E disse-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali entrardes, encontrareis preso um jumentinho, sobre o qual ainda näo montou homem algum; soltai-o, e trazei-mo.
    3  E, se alguém vos disser: Por que fazeis isso? dizei-lhe que o Senhor precisa dele, e logo o deixará trazer para aqui.
    4  E foram, e encontraram o jumentinho preso fora da porta, entre dois caminhos, e o soltaram.
    5  E alguns dos que ali estavam lhes disseram: Que fazeis, soltando o jumentinho?
    6  Eles, porém, disseram-lhes como Jesus lhes tinha mandado; e deixaram-nos ir.
    7  E levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele as suas vestes, e assentou-se sobre ele.
    8  E muitos estendiam as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho.
    9  E aqueles que iam adiante, e os que seguiam, clamavam, dizendo: Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor;
    10  Bendito o reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas.

Marcos 11: 1 a 10

O apóstolo Jorge Tadeus gostava (talvez ainda goste) de comparar esse jumentinho a um Cadilac (ou limousine) dos nossos dias para contrapor a ideia católica de pobreza ou simplicidade miserável aplicada ao Mestre Nazareno. Do meu ponto de vista, pergunto-me: por que raios Jesus teria se dado a esse momento piegas entre ele e o jumentinho?

Seguiu Jesus pateticamente montado no tal jumentinho, sobre capas e túnicas de seus discípulos obnóxios, pela sua Via Ápia toda pavimentada com ramos de árvores e roupas dos seus seguidores ou das pessoas presentes por onde passava, as mesmas que clamavam dizendo “Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor”, até chegar ao Templo de Jerusalém. Não é lindo? Melhor não deixar o Nelson Bomilcar ler isso e logo sair fazendo uma daquelas músicas dele, que cola nas nossas orelhas e não há quem tire. Se é que já não fez.

Alguns chamam a essa chegada de “Entrada Triunfal”. Se não me engano, a ideia que se tem desse momento bizarro é da chegada do grande rei dos párias à capital da terra santa, um antítipo dos reis da época, ou dos poderosos dos nossos dias. Em minha opinião, essas interpretações fazem parte de uma insistente mania de alguns em transformar Jesus Cristo em uma espécie de líder comunista, ou como quer o Tadeus, em um magnata da nossa era industrial. Nada contra o comunismo, ou os senhores do capital, claro. Lembra um pouco Fidel e o coitado do Che, devidamente barbudos, entrando em Havana naquele Jeep Willys 1951, norte americano, um jumento na ótica castrista.

Sempre que alguém faz uma “entrada triunfal” não consigo evitar de pensar em ditadores, caudilhos e essa gente cheia de más intenções. Mas e aí, já chegou a alguma conclusão sobre Jesus e essa passagem exótica dele em cima do inocente jumentinho, recebendo toda aquela manifestação nada digna do rei da doçura e da humildade?

Pois é, se posso inferir alguma tentativa de entendimento nesse caso, começaria dizendo (ou escrevendo) que essa “entrada triunfal” me parece mais uma grande ironia do mestre judeu apóstata. Enquanto gritavam “Hosanas e bendito o que vem em nome do Senhor”, lá por dentro ele devia estar pensando algo do tipo: Esperem e verão como será a minha “Saída Triunfal”, em breve. Do mesmo jeito que ele conseguia antever um jumentinho na entrada da aldeia, ele também podia se ver sob aquela cruz, que homem algum jamais montou, todo ensanguentado das feridas abertas pelas chibatas com chumbinho, com uma coroa de espinhos enterrada nos miolos e todo mundo gritando “Barrabás”, para ele. E tudo isso em favor de todos os seus detratores, os daqueles dias e os dos nossos dias.

Diante desse quadro é que me prostro, morto de vergonha e arrependimento, por mim e por todos esses jumentos que vivem por aí comparando-se ao Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, seja em Cuba, Brasil ou no fim do mundo. Igualar o Cristo a um comunista tapado ou a um capitalista nojento, é de uma maldade atroz. De mais a mais, ninguém poderá ser quem ele é, com ou sem barba na cara.

Então vá e faça o que tens que fazer.

3 thoughts on “Um jumentinho cubano

  1. Achar que o jumentinho seja o equivalente a uma limousine!!!! Haja!!!
    Pelo contrário, o que lhe deu o poder para descer o pau nos camelôs não foi a “entrada triunfal”, mas a futura “saída triunfal” que se construía no dia-a-dia do Mestre. Não era o seu passado que o credenciava… era seu futuro.
    Vejo que meu passado tb não me credencia nem a comentarista de blogue, mas atrevo-me a fazer algumas balbuciantes afirmações com base na esperança do futuro.
    Salvo engano.

  2. Rubinho
    É, tem isso também, Ele nos ensinava mais essa, tirando alguns “us” e “ns” faltantes, comidos pela rapidez do digitador. Também, se ele já resolveu nossas pendências passadas, negócio é mesmo contemplar o futuro, salvo engando, claro.

  3. Eu me lembro, sobre jumentos da Bíblia, dum juiz de Israel sem muita importância chamado Jair, que tinha um jumento e uma cidade para cada um de seus 30 filhos.
    Teve também um Saul pré-rei a buscar os jumentos perdidos de seu pai, e uma Abigail carregando jumentos de iguarias para ir se encontrar e acalmar um Davi fulo da vida e pronto pra passar o fio da espada em toda a galera de Nabal.
    Sei lá, jumentos devem ter algum significado pro povo israelita. Que concerteza deve trascender o da limousine e o do jipe, salvo engano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *