A Gruta do Lou

Um estado de espírito

laura-linney-sliceLaura Linney

Ah! As teologias. Quanta energia gasta com elas. Já repararam como é preciso defendê-las, seja qual for a sua? Como diria minha avó: Mama mia!

Acho que concordo com o Rubem Alves, teologia boa é a da cozinha. Nela podemos descer aos andares mais íntimos e expressar nossas inconsistências e medos. Na sala de estar adotamos aparências e máscaras. Típico do pessoal de alguma opção mais radical ou fundamentalista. Gente assim não frequenta a cozinha para discutir nossas crenças em volta do fogão e tomando uma xícara quente de café ou um bom chimarrão. 

De forma cíclica, e um pouco porque os leitores se alternam, voltam a questionar  a Gruta como se ela fosse uma proposta teológica meio derrotista. O que mais me preocupa é imaginar que esse questionamento esteja camuflando um posicionamento ao lado das seitas ou crenças triunfalistas, das quais, muitos se tornaram vítimas e uma grande parte dos grutenses se origine dessas experiências irresponsáveis. 

A Gruta, muito mais que um lugar, é um estado de espírito. Sei que em Belo Horizonte há uma Igreja chamada Caverna de Adulão (que acaba de perder um de seus queridos pastores, falecido durante viagem missionária em Cuba). Tudo bem, eles foram à luta e me alegro com isso. Aqui, nosso propósito é um blog, apenas. Se Deus tem outras intenções, não sei. 

Desde o começo, decidi criar um personagem e ambientar nossas escritas em redor dele. Esse personagem baseia-se nas vivências do autor do blog, mas, como em toda obra escrita, há uma parte considerável de ficção. Minha vida é medíocre demais para empolgar quem quer que seja. Se contada com imaginação, humor e criatividade torna-se palatável. 

Acredito ter logrado bom êxito nesse intento, tanto que nosso personagem acaba sendo tomado como um ser real. Acho que essa deve ser a glória de qualquer autor. Mas não é necessário levar tudo tão a sério. Muito dessa atitude advém da sensibilidade e bondade dos leitores, também. Ainda há cristãos desse tipo por aí, por mais incrível que pareça. 

Também decidi descobrir a igreja de nossos dias e mostrá-la sob uma ótica menos condescendente, especialmente no que diz respeito às suas hipocrisias e falácias. 

Quanto à Gruta, confesso que ela tornou-se, em vários momentos,  em surpresa bem agradável para mim. Talvez eu tenha atirado no que via e acertado mais que isso. Não importa. O legal de tudo isso é ter feito novas e fantásticas amizades e contado com muito apoio e consideração de todos. Quando pensei em descontinuá-la, percebi que ela não me pertencia mais e tornei-me um humilde escravo dela, com obrigação de mantê-la alimentada e limpa. 

Assim seguiremos, a Gruta, vocês os leitores e eu até que a morte ou o fim dos tempos nos separe

Capricornio PB

6 thoughts on “Um estado de espírito

  1. Ah! É só um personagem !!! E eu sentindo tanto dó e piedade deste legítimo sofredor !!!
    Mas, tudo bem, vai. Eu também não sofro nadinha e a-do-ro a igreja evangélica. Só frequento a Gruta porque não tenho outras ocupações e me divirto com todo esse nhe-nhe-nhé!
    Abraços,
    um grutense

  2. Sim, a Gruta tem vida própria e cá estamos nela. Pena, que tenho vindo tão pouco. E eu já fiquei reprovada no meu curso teológico: por faltas.
    Ai, Jesus!!!

  3. Pô! Será que ninguém vai comentar sobre a Gruta como um estado de espírito, na verdade o tema do texto? E tem mais um detalhe, às vezes o personagem e o autor estão na mesma pindaiba, e mais, milhares de grutenses também.

  4. Se tem um lugar aonde me escondo independente domeu estado de espírito, é na Gruta. Na gruta do Lou digo eu!!Apesar de ser uma gruta o refrigerio sempre acontece, e mais fresco do que muitos paraísos que digam.

  5. Se a gruta é um estado de espírito, talvez seja temporária nossa permanencia por aqui.
    Mas se prolongar-se no tempo, já não seria um estado, mas sim algo inerente a nós, grutenses.

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