A Gruta do Lou

Um dia a ser esquecido

Khalil_Dhaini

Khalil

Não é dia para grandes textos. Os ressentimentos, as desditas, os dissabores, as falácias, as traições, injustas acusações (me acusaram de intelectualismo, coisa que não me proponho e não sou, mas admiro), dores atrozes, incertezas, ausências, demências, maldades, insensibilidades, todos unidos contra um insignificante grutense teimoso e cheio de ilusões sobre si, sobre Deus, seu Filho proscrito e vituperado, a fé e o amor.

Clamo por todos os crentes abandonados à própria sorte. Não sei onde Deus está. Mas repare em minha sinceridade ao declarar essa verdade. Não sei onde Deus está. Não me interessa onde você pensa ser o lugar do divino. Já me deram milhares de endereços do Criador, ao longo dessa vida dura e estranha, inclusive os que você acredita serem os verdadeiros. Sinto muito, mas estive em cada um deles e Ele não estava lá. Meus companheiros não sabem, igualmente, onde Deus refugiou-se. Deve ter fugido envergonhado com o ser pérfido que criou (falo por mim).

Entretanto, convém re-inteirar que formamos o exército dos perdidamente apaixonados pelo Deus de nossos sonhos. Ninguém quereria mais do que nós receber um afago dele, um olhar ou, até mesmo, uma repreensão. Não buscamos bens materiais, mas não suportamos essa cíclica síndrome de Jó, em nossas vidas, nos tirando tudo, de nossos bens a nossos filhos, sem falar na nossa honra.

Arrebenta-me o irmão que me chama de sem esperança. Meu, nós seriamos, verdadeiramente, capazes de dar tudo que temos se encontrássemos a perola de grande valor. Caminharíamos, não uma, mas milhares de milhas ao lado dele e ficaríamos nus para cobrir-lhe com todas as nossas roupas, sem falar na própria vida que não hesitaríamos em trocar pelo direito de estar ao seu lado para sempre.

Talvez não seja muito gentil, de minha parte, mas meu tempo, além da Gruta, precisa ser gasto em descobrir como ajudar meus filhos, sustentar minha casa e sobreviver a esses tempos de loucuras com nossa terra, nossa água, nossa liberdade e nosso Deus. Não dá para ficar lendo sobre as definições sensatas ou insensatas desse ou daquele palavrão. Tão pouco me interessa o que escrevem ou pensam os retrógrados reacionários de um evangelho que cheira mal, o cheiro dos mortos.

Adoro sabê-lo aqui. Queria poder abraçar fortemente cada um, todos, comentando ou não. Sofro saber de sua passagem anônima. Seria tão bom conhecer-te, ver-te e tocar-te. Mas Gruta é isso, vem quem quer e passa como quer.

7 thoughts on “Um dia a ser esquecido

  1. Lou, eu venho porque gosto, porque quero. A Gruta fala exatamente daquelas coisas que muitos nao têm coragem de afirmar.
    Quanto ao seu comentario do post passado, te entendo e muito, ter vivido um passado que vc viveu vendo Deus responder a oracoes nos próximos minutos e agora tudo o que oramos leva tempo para ser respondido ou achamos que nem respondidos somos. É mesmo dificil de entender. Também já tive meu passado de glória e tem um cheio e um sabor tao bom. Cheguei um dia para o Pai, nao me pergunte onde é a sua casa pois, Ele muda de endereco. Vai de coracao a coracao e no momento eu nao sei em qual coracao Ele está fazendo morada. Depois de uma oracao de 15 anos pelo Daniel, percebi que aquele foi o meu tempo de trabalho “ativo” e que Deus estava me chamando para o mais árduo campo missionário: A minha família.
    Foi difícil entender que todas as outras atividades pararam e que eu vim para esta terra fria demais da conta e que eu como toda boa carioca amo o sol. Me pergunto que castigo foi esse? Mas qdo vejo meu Brasil do jeito que está…agradeco pelo frio…

    Boa quarta-feira

    Abracos

  2. Caro professor, saudações.
    Hj., passei por aqui não pra conversar, mas pra ouvir (entenda-se ler).
    Falamos depois… um cheiro.

  3. Rapaz, eu queria te abraçar tb. Aliás, tb queria falar com vc no skype, além de algumas bobagens, sobre a claudicante ong que estou prestes a abandonar – ou não (como diria Caetano). Mas não encontro vc lá. Coisa de louco! Mandei buscar por cada um dos seus nomes e emails que conheço, e nada! E agora meu computador em casa entrou em óbito 🙁
    Devo levar mais de três dias para ressucitá-lo, não por falta de fé, mas de recursos.

    Bom. Fica esse abraço gelado e irreal à distância.
    []

  4. Lou, não vejo em ti alguém sem esperança ou perdido.
    Quando leio as tuas entrelinhas, leio um coração sincero, que clama por Deus, que O ama apaixonadamente, que é carente dele.
    Alguém que grita por Deus, tal como lemos tantas vezes nos Salmos.
    Alguém que não esconde a sua dor, mas que confia em Deus em toda e qualquer circunstância.
    Que não usa de clichês e máscaras.
    Basta ler as entrelinhas.
    :))

  5. Olá Lou:
    Hoje é contigo que tenho que falar.Porque te achei na minha lista de fav/,pq estou a viver em sorocaba véia,pq venho do velório dum miúdo de 21 anos,assassinado aqui,pq fiz as mesmas perguntas que tu-HOJE.
    Outro dia quem sabe venho cheia de flores e de sorrisos.Hoje estou descalça,com medo e sem as tais definições.Hoje é dia para mudar de nick…vitória…que vitória?!Sempre?Nunca!!
    quem tecla não chora???Kkkk…só choro…esse é o busílis…onde está a verdadeira ,a íntegra?Só é verdade que teclo para parar de chorar.Se há uma partícula de Deus em mim eu quero que se manifeste.Estou a tentar ao entrar aqui.Deus te apareça e te console.A todos nós.

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