A Gruta do Lou

Um Deus reduzido

Um livrinho antigo e fácil de ler é “Seu Deus é Pequeno Demais” (mais uma propaganda grátis para a Editora Mundo Cristão) de J. B. Phillips. Detesto nomes de autores abreviados. Já vou avisando, quando publicarem meu livro, o meu pseudônimo deverá aparecer inteiro, Lou Mello, se possível, maior que o título, pois sou o protagonista. Hoje eu acordei eufórico.

Deus não é a nossa consciência ou se preferirem a Análise Transacional, o nosso Pai Crítico Positivo. Muito menos, Ele é o nosso ego. Nada poderia ser mais equivocado. Deus é incomensuravelmente e completamente diferente de tudo que possamos imaginar ou conceber. Estamos, há séculos, descrevendo os atributos divinos, sem arranhar, sequer, algo mais consistente sobre o Criador.

Legal é que Ele, em sua sapiência celestial, deixou-nos um monte de pistas espalhadas por esse mundo afora sobre sua real identidade. Teve, ainda, o cuidado de levar em conta a nossa diminuta (em relação a Ele) capacidade de assimilação. Por alguma razão, no estado em que nos encontramos, uma simples olhada em sua figura poderia nos aniquilar. Moisés que o diga.

Num mundo em que tudo se reduz, vejam o caso dos computadores, não poderiam deixar de reduzir a Deus, igualmente. Ele foi reduzido pelos seguidores de Calvino, pelos adeptos de Armínio, pela teologia em geral, pela filosofia e recentemente pelos adeptos da Teologia dos Propósitos.

No livrinho citado, lá pelas tantas (Pág 97) o autor sai com essa afirmação estranha, sob o título Qual é o propósito da vida?:  “Ele (Cristo) disse que existiam realmente dois princípios básicos de vida dos quais deveriam depender toda a verdadeira moralidade e sabedoria. O primeiro, é de que o homem precisa amar a Deus com o todo de sua personalidade, e o segundo, é de que ele deve amar o seu semelhante da mesma forma que ele ama a si mesmo. Cristo, disse que um homem só estaria em harmonia com o Propósito de Vida que transcende o tempo, quando esses dois princípios estivessem sendo obedecidos.”

Louco, não é mesmo? Estou me referindo ao autor. Esse cara não deve ter lido nada sobre uma vida com propósitos.

Sabe, não sou tão tolo quanto pareço. Você poderia me dizer que uma coisa não exclui a outra e salvar a pele do Rick e do Ed. Eu concordo com isso, especialmente em salvar o bom nome dos meus colegas citados. O problema é que esse Deus Gigante a quem me refiro, teve o cuidado de não nos dar tanto tempo a fim de conseguirmos lograr êxito em tantas áreas.

Demora muito até conseguirmos nos livrar de nosso egoísmo e começarmos a ver os nossos semelhantes e aí vem a parte mais difícil, ver a Deus. Se ver o Divino é uma tarefa grega, imagine amá-lo? Para chegar lá teremos que perder nossos complexos, autoestima e autoimagem negativos e começar a amar a nós mesmos.

Daí vem a parte da amar os outros como a nós mesmos. Não seria tão difícil se pudéssemos pular a parte de aceitar os outros como eles são. Essa é uma missão para lá de indigesta. Entre os outros, tem gente de cor diferente da nossa, uma cambada de mal educados, farrapos, doentes, endividados, gays, pobres, gente que não acredita na reforma, ou os que acreditam, calvinistas, bêbados, venezuelanos, petistas, malufistas, neopentecostais, batistas e vai por aí, uma lista verdadeiramente longa. Só então, chegaríamos a amar a Deus e começar a enxergá-lo .

Mas, não há tempo para tanto. Muito menos para incluir os propósitos indicados por nossos irmãos. Parece que a receita é a inversão de tudo isso. Alguém tinha que repetir a pergunta de Nicodemos. Nossa vida, então, se resume a isso, se muito: aprender a amar a nós mesmos, ao próximo e, por fim a Deus. Hummm!

Agora chegamos no ponto que queríamos chegar. Ver o Pai Celestial em uma dimensão mais apropriada a Ele. Vemos um Deus reduzido porque queremos vê-lo com os olhos de cidadãos de meia tigela. Resistimos em tirar a trave (cisco, pedaço de pau) que obstruí a nossa visão, a falta de amor por nós mesmos e pelos outros. Tudo que vemos é o que não gostaríamos de ser. Amor aceita, compreende, se solidariza, cria cumplicidade e tal. Vocês não têm ideia como reclamam comigo por eu me aceitar como um ser imperfeito.

Pode ficar tranquilo. O Deus que você pensa que vê e acredita está muito longe do verdadeiro. Talvez Ele seja mesmo bondoso, isso não sei. Olhando para mim, para o Rio de Janeiro e para os iraquianos não dá para afirmar semelhante bobagem. Afinal, embora eu já me aceite como um pária, estou longe de me amar. Ainda tem muita coisa que gostaria de mudar em mim. Depois teria que mudar um monte de gente. Temo que não haja tempo para tudo isso. Quem sabe a fórmula de Jesus seja a correta: Nascer de novo!

Capricornio PB

9 thoughts on “Um Deus reduzido

  1. Nosssssaa! Pura inspiração pelo ES!!
    Eu voltei aqui para comentar sobre o piano e o abacate que eu não tinha conseguido comentar ontem… mas depois de ter lido esse seu texto! Meu domingo está mais que glorificado!
    Perai que vou te dar um presentinho…
    Pronto! Anote esse link e veja esse vídeo!
    http://www.youtube.com/watch?v=bE2RXTBV8lM
    Blesssssssssss

  2. Wander
    Tu é mestre em Israel, e não compreendes estas coisas?
    Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto, contudo não aceitais o nosso testemunho . Se tratando de coisas terrenas não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais?
    Respondeu Jesus quando Nicodemus lhe fez essa pergunta.
    Pessoalmente acho que o evangelho de João foi construído por mãos sacerdotais e essa história de Nicodemus era uma clara alusão a batismo nas águas e vida na Igreja.

  3. Não seria tão difícil se pudéssemos pular a parte de aceitar os outros como eles são… principalmente quando é difícil aceitarmos quem somos. Estou longe de conhecer a Deus.

    Parabéns pela trilha.

  4. “qualquer alusão a forma de Deus, até minha compreensão, oxalá meus caros, tá bom demais. Mesmo sabendo que é muito além. O que compreendi pela Sua revelação é suficiente. Caso contrario, obviamente deixa de ser Deus.”
    desculpe empurrar a porta e entrar de sopetão…não me olhem de soslaio. Aqui na Gruta estou quase me sentindo em casa, alias, acabei de chegar de fininho… sou deveras um maltrapilho…

  5. Amar o próximo consigo mesmo, a mim comigo mesmo e a Deus com… com… como alguém que não é daqui.

    Tô quase chegando lá! Acho.

    Para…béns.

  6. Imagine só. Em muitas ocasiões o de fora é melhor. O outro esposo, esposa, cidade, estado e até país (do estrangeiro é melhor).
    Já pensou se conseguissemos canalizar o amor para Deus desta forma? De maneira que Deus fosse melhor. Sempre o melhor…

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