A Gruta do Lou

Um aniversariante infeliz

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Dar parabéns a São Paulo não é bem o caso. Quem os merece seriam os paulistanos, se não me engano.

Sou paulistano, nascido na Liberdade, literalmente. Talvez por isso, também, seja assim, um tanto folgado. Meus pais, embora paulistas de São José dos Campos, sentiram-se paulistanos desde sempre.

Estranhei, em todas as vezes, os eleitores de São Paulo entregarem o gerenciamento de sua cidade a não cidadãos paulistanos. Pior é fazê-lo quando o postulante é um declarado adepto de políticas e/ou filosofias estranhas. A pior, a meu ver, é essa bobagem de combater a pobreza através da manutenção da própria. Tolo e inocente, sempre acreditei que a pobreza deveria ser debelada, vencida e enterrada. Custou para eu entender que há muitos interessados em fazer a manutenção da miséria para proveito deles mesmos.

Com a última explosão do mercado imobiliário na cidade, cuja consequência foi uma desenfreada construção de aranhas-seus por todos os lados, aumentando o número de unidades disponíveis à venda aos milhares, a pior consequência social foi aquela de sempre, um descontrolado fluxo de migrantes para cá, motivados pelas inacabáveis vagas de emprego na construção civil. Um desastre, para todo mundo. Chamaram a isso “oferta de emprego”, mas foi simplesmente a velha prática de descobrir um santo para cobrir o outro. Os migrantes são considerados mão de obra barata, apenas. Ao deixarem suas cidades, eles deixam uma lacuna insubstituível, pois ninguém migrará para lá a fim de fazer as tarefas necessárias em suas cidades. Pior, eles acreditam melhorar de vida por terem luz, água encanada, TV plasma, celular, boné e mochila. Chamam-nos agora “Classe Média”, enquanto nós viramos as elites.

De fato mesmo, eles continuam pobres, agora pobres e enganados mais uma vez. Ao longo da história, bilhões, talvez trilhões de dólares foram transferidos para as regiões central, nordeste e norte (de onde costuma vir a maioria dos migrantes), mas por alguma razão impensável, esse dinheiro nunca chegou ao bolso do povo pobre, a grande maioria das populações desses lugares. Talvez os velhos coronéis do sertão possam explicar esse fenômeno.

Os paulistanos são as maiores vítimas da lei que permite a transferência do domicílio eleitoral. Isso poderia até ser entendido como estelionato eleitoral, a meu ver.

Os políticos incentivam de muitas formas a migração de olho no voto dessa população pobre. Isso revela algo ainda mais perverso, a possibilidade deles desejarem, secretamente, nunca acabar com esse público e suas misérias, pois são a garantia de sua perpetuação nos cargos do governo paulistano.

Uma vez lá, dizem estarem trabalhando pelos trabalhadores (na verdade os pobres) mantendo-os exatamente onde estão, dando-lhes apenas esses cacarecos de pouca utilidade em troca, a velha estratégia de civilização dos povos indígenas. Lembram-se dos espelhos, pentes e facas?

Se tudo estiver funcionando direitinho, ou seja, as urnas estiverem mesmo computando os votos corretamente, a conclusão óbvia é, hoje existem mais eleitores não paulistanos na cidade aniversariante de São Paulo.

Não defendo a segregação. Todo brasileiro pode e deve usufruir do direito de ir e vir sempre. Defendo apenas a manutenção do registro eleitoral na cidade de nascimento, independente do domicilio do eleitor. Esteja onde estiver, ele deve votar participando da eleição em sua cidade natal.

Gostaria ainda de sugerir insistentemente que os beneficiários de benesses sociais, em particular do “Bolsa Família” tenham seus direitos eleitorais suspensos enquanto estiverem recebendo tais proventos.

Acrescento ainda, acredito na distribuição de renda, mas não com essa miséria repassada por essa Bolsa, por exemplo. No mínimo deveríamos imitar o Kwait, onde as famílias estão recebendo Cinco mil dólares por mês proveniente da venda do petróleo, enquanto aqui, o resultado do Pré-Sal (ainda em fase de pré-extração) foi dividido entre os políticos, para destinarem às suas cidades. Acredita? Para os manos eleitores do prefeito, alguns magros mangos.

De volta a São Paulo, uma cidade com coração e vocação para sustentar uma nação, com o devido respeito aos outros estados e povos brasileiros, além de receber a todos de braços bem abertos, chegou a hora dos paulistanos recuperarem o controle da cidade e impor o nosso jeito de acabar com a pobreza.Transferir a pobreza de outros estados para cá não ajudará em nada, acho.

Nós nunca abandonaremos nossos irmãos brasileiros, estejam onde estiverem. Mas não podemos concordar em transformá-los em massa de manobras espúrias, como os políticos vem fazendo há tanto tempo e agora, mais do que nunca.

Lou Mello para prefeito! .. oooooo meu!, para com isso. Tá louco. Brincadeira tem hora. Depois a gente põe um cara desses na rua e ele sai dizendo que somos das elites e num sei que tem mais. Entretanto, dando asas a um sonho desse tipo em forma de sugestões, e creia, nunca será mais do que isso, meu projeto para a cidade de São Paulo seria uma desconstrução, encerrando todas as obras em andamento, e creio que não seria necessário mais do que um ano para tanto, implodindo todos os prédios vazios e sem chances e proibindo novas construções, seja lá o que for, durante o mandato, ao menos. Limpar, arrumar, reformar, ok.

Nossas ruas, alamedas e avenidas estão péssimas, no mínimo necessitam tratamento urgente sob o risco de voltarmos a ser São Paulo, terra do buraco. Educação, saúde e transporte são obviedades importantíssimas de qualquer governo, mas é preciso ter um plano.

Para educação, implantar sistema vocacional (devidamente atualizado, mas não deformado) em todas as escolas públicas do município, pois trata-se do único ensino público de qualidade disponível por aqui. As universidades são de competência do Estado, infelizmente.

Para a saúde, desburocratização e atendimento imediato puro e simples. Carreira médica à base de meritocracia e muito sanitarismo, limpeza, destino do lixo, etc. Sobretudo, administrar a saúde de forma competente a fim de que não aconteça falta de material básico, tanto quanto o necessário para enfrentamento de todas as ocorrências médicas da população. Redimensionar a rede, sem construir, pois há muitos prédios prontos que podem ser adaptados para serviço de saúde. 

Temos vários rios para despoluir, sobretudo o Tiete, que depois de despoluído poderá servir como mais uma opção ao transporte, não só dentro do município como para deslocamentos intermunicipais. Sem falar que poderá ser importante meio de onde poderá ser captada água para a cidade.

Qualquer prefeito verdadeiro que andasse por essas premissas poderia fazer muito para aumentar a segurança dos cidadãos paulistanos. Basta querer, desejar e amar a cidade, sobretudo sua população. Logicamente temos muitas outras prioridades em várias áreas, com transportes, serviço social, iluminação, turismo, etc.

Assim caminharia a humanidade na cidade de São Paulo se ela fosse administrada com espírito voltado para ela, seu povo, sua história. Tudo isso e muito mais viria antes de ciclovias e espaços para lazer, em uma escala correta de relevância, mas sem desvalorizar a necessidade de descanso e lazer, bem como pedalar, que não chega a ser uma necessidade, e muitas vezes, um grande risco à saúde de quem não está em condições ideais para essa pratica.

Fato é, São Paulo hoje é uma cidade infeliz. Paulistanos choram o que estão fazendo com sua cidade sem sua permissão. Pior, estamos segregados em nossa própria terra. Nós sim estamos perdendo nossas liberdades de ir e vir a passos largos, ou até poderíamos dizer, a furtos, assaltos, funks e rolezinhos largos. Tudo abençoado por deus, não o criador do céu e da terra, mais o criador do Bolsa Família e outros projetos eleitoreiros.

Ave São Paulo!

Ops: Qualquer candidato a prefeito de São Paulo nas próximas eleições para a prefeito de São Paulo, ou até outras cidades, poderá usar essas ideias sem qualquer custo. Seria bem vindo se eu fosse comunicado a respeito. Por nada não, ao menos para satisfazer meu ego, no mínimo. Muito obrigado.

lousign

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