A Gruta do Lou

Tudo conversa fiada

Sara J. Parker

Conversava com o Pr. Wagnor de Azaré, quando as tantas, ele disparou o seguinte: Estava assistindo um vídeo do Murdock e ele disse: ” As pessoas dizem que estão com problema no casamento e eu respondo: Você não tem problema no casamento. Apenas, não sabe como resolver seu problema. Ou dizem que têm problemas financeiros, igualmente respondo: vocês não sabem resover seus problemas financeiros, só isso.”

Tenho um amigo, um daqueles que nos dias de vacas gordas me chutou, mas as vacas emagreceram e eu recebi o cara com amizade sincera, já que não tenho vergonha na cara. Ele costuma enaltecer o Murdock com substantivos e adjetivos do tipo: picareta, safado, canalha, etc… Até aí, nada de mais, ele é mesmo, mas quem não é? Até eu, imagine. A principio, ouvi isso como se fosse mais uma daquelas falácias costumeiras da turma da auto-ajuda. Aliás, ontem, ouvi um CD do Augusto Cury, presente do Adalberto, e fiquei horrorizado. Não apenas com o conteudo, mas o cara consegue falar de forma muito pior do que eu. Nunca imaginei que isso fosse possível.

Em verdade, em verdade vos digo: Tenho um problema que não sei resolver. Sabe, é um daqueles que chamo: Problema mãe, ou raiz. Se você resolve um desses, resolve quase todos os outros. Gosto de pensar que tenho só dois problemas na vida. Agora a árvore de subdiretórios de cada um… Ave! Estava vendo, pela segunda vez, “Uma garota de ouro” e me chamou especial atenção uma oração do personagem de Clint Estwood antes de dormir: “Senhor preciso de sua ajuda para aquele negócio que tu já sabes. Amém”. Também não preciso mais do que um minuto para orar antes de dormir e ao acordar (por que raios oramos nessas horas?), basta orar pelos dois problemas raízes, dizendo: “O Senhor está careca de saber do que eu preciso, então o que está esperando para mandar a solução?”

Não tenho a vida toda para ficar esperando um Deus vingativo e ranzinza me ajudar. Pior é que não há outro. Ele tem o monopólio das coisas espirituais. Nessas horas, acredito na origem brasileira do velhinho.

Portanto, fico imaginando como virá a grande luz capaz de remover esses dois diretórios, digo problemas raizes. Acho que esse notebook contaminado com um horrivel Malware sem solução, do meu vizinho, está me enlouquecendo mais um pouco. O Raniel não aparece há tempos. Amigos? Andam meio escassos. Oportunidades? Geralmente, elas somem depois de certa idade, aparência, cor ou opção religiosa. Pior momento esse, quando nem conseguimos imaginar uma saída, quanto mais caminhar na direção certa.

Espero que o bom Jesus tenha a decência de chegar ou enviar alguma solução antes dos inimigos dele começarem a dança da morte. Sua dor seria maior do que a minha, como sempre e pouparia-me algumas vergonhas e perdas insuportáveis. Felizes os que ainda não chegaram nesse ponto. Espero que nunca precisem chegar onde estou para conhecer melhor o carater daquele a quem dizem adorar.

5 thoughts on “Tudo conversa fiada

  1. “…para conhecer melhor o carater daquele a quem dizem adorar”.
    Ou, conhecer melhor o próprio caráter… e se arrepiar!

    Isso, isso, isso… boa Rubinho!

  2. Grande Lou, este é o vc que a gente conhece!
    1) Problema no casamento é pleonasmo
    2) Como diria o Yancey (que se especialisou em escrever em problemas sem solução) o bar da esquina é às vezes um ambiente mais acolhedor do que as igrejas e os gabinetes pastorais.
    3) Mas imagine se você vai lá dar uma desabafada, tentar encontrar alguém pior que você e encontra um que começa a recitar a cartilha do auto ajuda… não dá.
    4) Ontem vi um filme alemão que começou assim: “dizem que crise é sinônimo de oportunidade, que dos momentos difíceis da vida vc pode aprender lições profunda… mas a verdade é: quando você está na merda, vc está na merda!” Era sobre um cara que ficou paraplégico depois de um acidente de moto. Gosto da franqueza alemã.
    Acho que a única solução, enquanto os 2 diretórios não são apagados, e o problema 4) permanece, é vim para a gruta certa, se encontrar com as pessoas certas (que no caso são as erradas). E tomar uma bebida qualquer (forte), de preferência sem muita conversa fiada. Assim elimina-se o problema 1), evita-se o 2) e o 3). Quanto a conta? Não é problema, a questão é saber como pagá-la…..

    Pessoalmente, sei lidar bem com os problemas no casamento, embora nunca os tenha tido em doses altas. Os outros probleminhas é que têm me perseguido mais. Sou péssimo em bares, geralmente, encarado como um ser de outro planeta pelos donos do pedaço, sem falar na hora de pagar a conta. Também gosto do jeito alemão de ser. Pelo jeito, o resultado deles é bem melhor, em relação ao nosso jeito lidar com as coisas, meio na base da sublimação, sempre com essa cara de “tá tudo bem”.

  3. Eu acho que a desculpa sobre a crise do casamento é geralmente para esconder outros problemas ainda maiores.
    É difícil cumprir o mandamento do Mestre onde diz:

    Devemos amar o próximo como a nós mesmo, pois na verdade somos verdadeiros monsros em nossos pensamentos. Por isso, fica difícil amar o próximo.

    Bom fim de semana

  4. Aprender a se mover em tempo de crise deveria ser a primeira coisa a se aprender na
    vida.
    Aí vem o problema, já estou vivendo alguns anos e nínguem me ensinou.
    Tem gente que tenta igual a Laura Day(Em seu livro Welcome To Your Crisis), mas no final de cada ano sempre
    descubro que poderia ter me movido melhor.

  5. Pingback: Lou Mello

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