A Gruta do Lou

Tributo aos Pentecostais

No longínquo 1976, logo após o carnaval, época em que eu havia me esfalfado de tanto pular, dançar e namorar, fui convidado por um amigo, em uma segunda-feira à noite, para conhecer o Alex Dias Ribeiro, e esse cara sabia o quanto eu gostava de Fórmula Um, e como um convite desses poderia ser irresistível para mim. No caminho ele tratou de preparar o terreno e revelou que nesse lugar realizava-se uma reunião de jovens com testemunhos e estudos bíblicos, denominado Cristo Salva. Lembrei que esta inscrição aparecia no carro do Alex em inglês (Jesus Save) e fiquei tranquilo. Na verdade, sempre fora um cristão que não tinha onde repousar a cabeça. Estudei o primário em escolas católicas, frequentei a missa na Igreja do Frei Rosário, aos domingos, lá no Jardim Prudência e participei do De Colores, um movimento prosélito católico. Uma vez fomos a uma reunião de jovens, em casa de família na Rua Itacira, bairro de Indianópolis, dirigida por um senhor de barriga proeminente, chamado Cássio que deixou bem claro sua condição de empresário, mas não finquei estacas ou formei raízes em nenhum desses lugares. Descobri, então, que a tal reunião era dirigida pelo mesmo Cássio da barriga que conhecera anteriormente, mas agora estavam em uma outra casa, bem maior e muito mais cheia de jovens, preponderantemente e o homem agora era o Tio Cássio, um pastor.

Passei muitos anos ali, onde casei e apresentei minha filha a Deus. Dali, me transferi para a Igreja Batista do Morumbi e depois para a Batista do Sumarezinho. Anos mais tarde, voltei lá durante os tempos em que eles se uniram ao famoso Apóstolo Jorge Tadeu e fiquei até que aquela parceria se encerrou, embora minha participação tenha sido  mais profissional, nesse tempo. Com isso, acabei sendo instruído no modo de ser pentecostal, não o mais autêntico, que podia ser encontrado nas Assembleias de Deus e nas Igrejas do Evangelho Quadrangular, particularmente. Entretanto, posso declarar ter tido um contato bastante intenso, que me colocou dentro do modo de ser Pentecostal, com a importância do Pentecostes, do batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais.

Havia uma alegria e algo que inundava o espírito das pessoas, naquele lugar. Não era obra de mãos humanas e, como diria um de nossos companheiros naquela jornada, parecia haver algo de divino ali. Foi bom enquanto durou. As igrejas pentecostais foram muito prejudicadas pela doutrina da prosperidade de pelo chamado neo-pentecostalismo que inclui a prosperidade e coisas da pseudo-psicologia ensinada pelos livros de Auto-Ajuda. Posso esclarecer aqui, que não sou radicalmente contra nenhuma dessas manifestações. Elas têm seu valor, mas fora de contexto, suas crenças e dogmas podem fazer grandes estragos, como fizeram, de fato. Eles teriam a companhia das outras formas de crer cristãs, a meu ver e para dizer o mínimo, essas nos legaram nada menos que o capitalismo e depois o neoliberalismo, conforme nos alertou Max Weber e nada poderia ser classificado mais demoníaco. A teologia da prosperidade envenenou (como o joio) as igrejas pentecostais, enquanto o capitalismo e seu filho, o neoliberalismo, envenenou o mundo, já que fincaram bandeira até na Lua e agora estão visando o planeta Marte.

Entretanto, uma igreja pentecostal, ou melhor, o modo de ser pentecostal, é muito mais atrativo e prazeroso do que o modo de ser ortodoxo. Os pentecostais são gente muito mais interessante e, me desculpem os batistas, presbiterianos e metodistas amigos e leitores, parecem ser muito mais crentes do que todos os outros. Não sou pentecostal e não ousaria me declarar assim, seria um pecado. Mas se há um jeito de ser cristão que invejo, sem dúvida seria o pentecostal. Eles acreditam que Deus fala com eles, vêm anjos, recebem e dão mensagens proféticas, falam aquelas línguas estapafúrdias sem saber o que estão falando, mas convencidos que estão sendo edificados enquanto o fazem, seus jovens e velhos sonham e recebem visões. Quando alguém experimenta essas coisas não pode mais desejar ser de outra forma. Claro, muitos passaram por lá sem receber o batismo com o Espírito Santo e saíram sem entender nada. Esse não foi o meu caso. Acho que saí junto com o Espírito, sem querer ser mais espiritual, afinal, em algum tempo, também perdi o Espírito Santo de vista em uma esquina qualquer e, com ele, se foram meus dons espirituais, sonhos, visões e profecias.

Sem falar na liberalidade deles, em momentos como o que estou atravessando agora, com mais uma época de exames e sei lá o que mais reservam para o Thomas, eles sempre foram de uma solidariedade impar, chegando a praticar ações de bondade conosco capazes de envergonhar até os discípulos mais chegados do Mestre. Sou devedor até dos Hernandes, por exemplo, do Tio Cássio, então, não tenho palavras capazes de fazer-lhe justiça, apesar dele ter sido apenas um ser humano, com virtudes e falhas. Um dos meus melhores ajudadores, atualmente, é o Pr. Mário Pacheco Neto, um dos discípulos do Tio e do modo de ser pentecostal. Nessas horas, sinto saudades de tê-los a meu lado.

OPS: Na próxima sexta-feria, o Thomas passará por uma consulta com a Dra. Angélica Binotto., no INCOR e poderá ser o início de nova temporada de exames, etc.  Contamos com as orações de todos. Mais informações aqui.

1 thought on “Tributo aos Pentecostais

  1. Bem, Emoção x Razão, ta ai..
    Acho arriscado o pentecostalismo, lembrando que você não precisa sentir que Deus te ama para Ele poder te amar. Não serei falso em dizer que nunca me senti atraido a falar em linguas ou ver coisas “sobrenaturais”, mas no entanto, creio que muitas pessoas se frustam a não conseguir tais feitos.
    Não quero fugir do teu tema, então vou ser curto. Fico feliz de você ter vivido uma experiencia proxima com Deus, mas não esqueça que Ele ainda te tem por perto, mesmo você as vezes não sentindo.

    Ah, e obrigado pela parte “Os pentecostais são gente muito mais interessante e, me desculpem os batistas, presbiterianos e metodistas amigos e leitores, parecem ser muito mais crentes do que todos os outros.”. Eu entendi o que você quis dizer, e querendo ou não, tenho de concordar.
    Grande abraço

    Mas que seria bom sentir Deus por perto, seria. Faz tempo que estou nessa do: sei que ele está por perto, mas não consigo vê-lo. Enquanto isso, morro de inveja desses caras que não se cansam de tanto vê-lo. Uma migalhazinha de vem em quando, não seria nada mal.

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