A Gruta do Lou

Três Semanas de Coração Valente, um balanço

Pés inchados, cianose intensificada e algo mais nos levaram a buscar novas formas de tratamento para o Thomas. Não houve um momento, nos últimos onze anos, em que meu pensamento não se ocupasse com a necessidade de formar uma base capaz de sustentar um momento como esse. Acho que isso mostra a falácia dos movimentos a favor do “Atraio tudo que quero (ou penso) para mim”. Não havia nada que eu desejasse mais e não consegui fazer ou atrair para mim. A não ser que possamos considerar, de forma bem enviesada, o blog ou a blogosfera, como uma medida efetiva. Afinal, foi por aqui que obtivemos apoio na hora em que precisamos.

Não foram muitos os que se envolveram. Mas o envolvimento foi de grande qualidade. De certa forma, Deus falou através dessas pessoas autenticamente cristãs: “Sim eu existo e ando mais perto de você, do que podes ver ou sentir.” Para mim, foi uma experiência inesperada e surpreendente. Sinto um misto de gratidão e amor por todos que se envolveram, de uma forma ou outra. Mas meu ego nunca apanhou tanto. Desde o começo da Gruta, tenho feito grande esforço para escrever sobre minhas falhas. Sou orgulhoso demais, quase incorrigível.

Filhos são assim. Eles mexem conosco e o velhinho de barbas brancas lasca a mão em nós através deles. São ingratos, mal criados (também com o pai que têm), filhos de um burro, como diria o meu pai, mas gostamos deles à própria morte. Imaginem que eles nem são meus fãs no Orkut (a Carolina é). Entretanto sou capaz de morrer por eles. Acho que todos vocês sabem do que estou falando. Sou um bom pai, no sentido gostar de, mas tenho falhado na provisão, sempre inconstante e aquém. Nunca consegui dar nem uma BMW a eles, tive que tirá-los da escola particular depois de mantê-los lá por anos, também, com aquele escroque do Nemésio na direção do Colégio Batista, nem os filhos dos pastores batistas sobraram. Agora irão transformar o colégio em um condomínio de luxo. Que saudades do Professor Wangles! Nem um notebook eu consegui dar a eles, imaginem, só esses trambolhos de mesa que eu mesmo monto, igual ao meu nariz.

Ando pensando em abrir um negócio próprio. Não tenho a menor idéia onde conseguirei capital para tanto, mas já tive três empresas do mesmo jeito. Esses dias peguei uma revista Pequenas Empresas Grandes Negócios na ante sala do dentista (O Rubinho pensa que isso só acontece com ele) e um cara dizia que estava no quarto negócio, depois de ter falido os três anteriores e se dando muito bem. Então, pensei, por que não? Nessa altura, está claro que não arrumarei nada nas áreas em que gostaria de trabalhar e dar alguma contribuição. Negócio é cuidar do próprio umbigo. Sou obrigado a admitir que Paulo (o apóstolo) estava certo nesse caso.

Bom, se Deus foi mesmo o autor e maestro dessa enrascada em que me meti agora, ele não vai parar por aqui, se minha teologia não estiver equivocada de novo. A semana vai começar e não faço a menor idéia como conseguirei cumprir as etapas agendadas para a continuidade do tratamento do Thomas. Só consegui perceber que dá para baratear bem com o plano de saúde. Por que não fiz antes? Não sei se você aguentaria ouvir a resposta. Houve um antes de mim que disse: Tenho muito mais a revelar-lhes, mas temo que vocês não possam suportá-lo. Certamente Ele proverá. Certo?

Antes de sair, peço que mantenham suas orações pelo Felipe, um cardiopata congênito com a mesma idade do Thomas, que está internado no INCOR, neste momento e não esqueçam dos pais dele, as segundas vítimas, além do Thomas, claro.

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10 thoughts on “Três Semanas de Coração Valente, um balanço

  1. Lou:
    Depois de ler estas tuas palavras, apenas digo isto:
    É muito fácil para quem por aqui passa (como é o meu caso) e ler tudo aquilo que estás a passar e a viver e dizer-te palavras de conforto. Alguns de nós, vão um pouco mais além, e têm ajudado em oração e em recursos. Glória a Deus por isso!
    No entanto, o passo de fé foi teu Lou!
    No meio de tudo isso, tu avançaste pela fé!
    E o justo viverá pela sua própria fé!
    E é dessa fé que Deus se agrada e honra.
    Muitos de nós não teriam a tua ousadia e coragem e fé.
    Deus de modo algum te abandonou ou vai abandonar.
    Ele vai honrar a tua fé Lou.
    Estamos em oração!
    Que a paz de Deus que excede todo o entendimento humano e limitado, preencha os vossos corações.
    Em Cristo!
    AMEM.

  2. Vilma

    Obrigado por tuas palavras. Como sempre você consegue perceber o que é mais importante e isso é raro. Ficaremos firmes na fé.

  3. Oi Lou…. sabe, qdo leio vc me sinto tão impotente, tão incompetente…Deus sabe como eu queria ser rica agora, hoje, nesse segundo, e poder te dar tudo o que vc precisa pra ajudar seu filho e sua família… se tudo isso fosse há 20 anos, se há 20 anos eu fosse cristã, se há 20 anos eu não tivesse quebrado, falido, perdido tudo (td mesmo)…tudo podia ser diferente, mas minha incompetência tb mudou meu destino.
    Cara, Deus tem colocado um carinho tão grande em meu coração por vc , por sua esposa e pelo Thomas que às vezes tenho vontade de ir até aí levar um presente, um abraço, e se pudesse um milhão de dólares.
    Vc pra mim tem sido esteio, palavra de fé, exemplo, motivação para que eu não jogue tudo o que vivi em Cristo pela janela. Sua fé, sua postura diante dos fatos, seu carinho com a gente que é tão estranha de vc me constrangem o coração.
    Vc representa muito para todos (tenho certeza disso) nessa blogosfera maluca, representa um pouco mais de Jesus conosco. Alguma coisa boa vai acontecer com vcs, sei disso, pq Deus é bom, e ELE foi muito bom em me permitir conhecer vcs.
    Obrigada por tudo .
    Beijos no seu coração valente, na sua esposa de coração valente e no valente coração de Thomas.

  4. Ando meio desligado,
    mas atento ao teu sofrer.

    Penso num jeito de ajudar,
    qualquer hora te digo
    algo salutar…

    Ainda não é agora,
    mas não desista,
    nunca…

  5. As minhas palavras não são abraços, e isso é terrível.

    Se fossem, eu me contentaria só de escrever aqui.

    Por ora eu não me contento.

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