A Gruta do Lou

Transformação

“O Palhaço”  Pintura de Nivaldo Mello (meu pai) tirada do limbo 

Em minhas conversas com o Khalil, tenho extraído grandes motivos para refletir em certas posturas, no mínimo exóticas, para não dizer uma palavra mais contundente, de Jesus Galileu. Seu martírio deu-se aos trinta e três anos, para nós, uma morte precoce. Isso nos leva direto à conclusão de que ele era um jovem quando andou, por aí, cheio de idéias controversas.

Outra impressão que subjas é de ter sido o único catequizador isento de propostas, ou em outras palavras, sua proposta era para que abandonássemos todas as idéias desse mundo. Não sei se isso faz sentido. O Mestre Nazareno falava em algo a que ele denominava “O Reino de Deus”. Ao contrário do George Foreman, Ele não tinha um produto desses que surgem vez por outra com capacidades mirabolantes, um conjunto de idéias religiosas ou filosóficas contidas em um ou mais livros, nem a bíblia ele tinha à disposição. Sua oferta era de transformação pela renovação da mente, ou seja, tirar dela todo o lixo adquirido em nossos dias de andanças sobre o solo contaminado desse planeta e renová-la com as coisas que não são desse mundo.

Fico imaginando uma conversa com esse senhor jovem onde o interlocutor tentasse convencê-lo de suas próprias crenças a respeito disso ou daquilo. Acho que seria bem parecido com aquelas longas apologias em defesa de alguma asneira qualquer que meus colegas faziam ao Shedd, nas aulas de Novo Testamento, enquanto o professor apenas ouvia atento e  em silencio. No final dessas verborréias, invariavelmente, ouvia-se a pergunta: Você já pensou em escrever um livro a respeito disso?  Jesus era mais contundente e dizia ao incauto: Melhor você nascer de novo.

Perdi a conta de quantas pessoas eu já escutei,  durante horas, em toda a minha vida. As pessoas falam de tantas e diferentes porcarias que tem em suas mentes, sob as quais se movem, sentem, pensam, decidem, sofrem e até se matam.  Desisti de aconselhar há muito tempo, primeiro porque não me sinto capaz para tanto e, depois, por constatar que as pessoas não desejam ouvir nada contrário às suas tolices mentais e, muito menos, algo do tipo: você precisa limpar sua mente, completamente, para obter uma vida melhor ou a tal felicidade.

Pessoalmente estou em guerra contra meu lixo mental. Froid contribuiu com uma excelente codificação dos processos mentais. Eric Berne colocou a nossa disposição outra forma de entender nosso mundo interior e o Jampousky sentenciou: livre-se do ego. Essa é a minha luta da vida.

Jesus de Nazaré colocava as coisas de modo simples. Renovem suas mentes, coloquem nela um tesouro e depois, como homens sábios, tirem do seu tesouro as dádivas a serem distribuídas às pessoas, especialmente as queridas e a sua própria felicidade, enfim.

Não sei por que gastamos nossas vidas juntando lixo. Ruminamos acontecimentos  fortuitos a limites insuportáveis e nos flagelamos com todo tipo de idiotices e mazelas sem nexo ou importância.  Somos como gado a caminho do matadouro. Pior é que ainda pagamos por isso, a maioria das vezes.

Se mantivermos o nosso interior limpo e estivermos em contato com o Deus Criador, do nosso interior fluirão rios de águas vivas, tudo o que realmente precisamos para sorrir e fazer com que todos sorriam, à nossa volta. Pense nisso.

4 thoughts on “Transformação

  1. Muito interessante seu post. Realmente, Jesus é bem mais simples e prático do que muito teoria q a gente escuta por ai. Bjs e fique com Deus. Boa semana.

  2. Essa leveza do Galileu é coisa impressionante.

    Infelizmente a tendência têm sido obscurecê-la com aquilo que o Kierkegaard chamava de “erudição cristã”. O academicismo, tentação que não raro me atrai.

    Agradeço a lembrança. Bem ilustrada, aliás, pela belíssima pintura do senhor vosso pai.

    Abração. Uma boa semana.

  3. Pingback: Lou Mello

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