A Gruta do Lou

Trabalho, família e a existência

Trabalho

Foto: Gustavo Lacerda

Estamos vivendo uma crise de empregos, talvez mais do que isso, uma crise de espaço para trabalhar com remuneração. Talvez seja mesmo uma crise de trabalho, família e existência. Um paradoxo do outro lado da linha é o dado nada desprezível de que nunca tanta gente trabalhou, como nos dias de hoje. Essa crise pode ter muito a ver com a nossa existência no planeta.

Característica de um mundo pós-moderno ou globalizado no último, jovens de ambos os sexos entram para o mercado de escravos trabalhadores na mais tenra idade. Do outro lado, homens e mulheres não tão velhos para trabalhar, não encontram um lugarzinho sob o sol dos senhores feitores.

Até metade do século passado, ou talvez um pouco além, mulheres não trabalhavam e jovens no mercado de trabalho eram senhores com mais de vinte e cinco anos. Eu mesmo cansei de ler a páginas de empregos dos jornais onde podia ler, na maioria dos anúncios o seguinte: idade mínima 25 anos. E isso foi na década de setenta do século passado.

Não sei ao certo se o modelo familiar é a melhor forma para o ser humano organizar-se. No máximo, me atrevo a dizer que, dentre as conhecidas, é a melhor. Faz tempo que perdi a inocência que me fazia acreditar naquela bobagem inventada por sacerdotes gays, em algum lugar no passado, de que Deus instituiu a família. Ele não seria tão perverso.

A família foi a melhor forma inventada para manter o ser humano mais ou menos imune aos prazeres da carne, capazes de levar a raça humana ao desterro total. Vejo nela algumas vantagens, apesar de tudo. Se os cônjuges e seus frutos conseguirem conviver dentro de alguma harmonia, e para isso deverão aprender a regra básica: “não tentar mudar um ao outro“, e conseguirem ser fiéis por pura consciência de dever e alguma dignidade, poderão até desfrutar de alguns momentos prazerosos.

A esposa que troca a tarefa de gerente do lar e educadora dos filhos por qualquer posto no mercado de trabalho, desagregará a família. Os filhos que saem antes da hora em busca de emprego e da consequente escravização, estarão se aliando ao inimigo contra seus pais, que perderão a vez muito antes do tempo. O marido traído pela mulher e pelos filhos que troca o lar pelo bar, não ajudará em nada, tão pouco, exceto aos empresários do álcool.

Melhor será à mulher que se sente vocacionada para qualquer profissão que nunca se case e, muito menos tenha filhos. Mas cabe lembrar que se essa for a escolha da maioria das mulheres, tal decisão implicará no comprometimento da espécie.

Há muitos anos atrás, nosso professor defendia uma tese interessante. Segundo ele, a espécie humana esteve ameaçada muitas vezes e duas delas estão descritas na Bíblia, o que explicaria o caráter meio machista da palavra de nosso Deus, assexuado.

Nos tempos de Abrãao, com a matança dos primogênitos por motivos religiosos, as mulheres teriam organizado um terrível movimento de não gerar mais filhos, até que isso fosse mudado. Enquanto isso, os homens cheios de testosterona não perdiam tempo satisfazendo-se entre eles mesmos. O movimento não deu resultado porque os maridos tomavam as mulheres à força, as estupravam e geravam os filhos que depois esquartejariam em algum ritual religioso macabro.

Isso só teria acabado quando Deus fez aquela brincadeirinha com Abraão de não lhe dar filho de sua mulher titular Sara por quase cem anos. Daí concedeu e eles tiveram Isaque. Naquela altura nenhum dos dois jamais pensaria em sacrificar o filho de tantas lutas.

Mas para surpresa deles, Deus mandou Abraão sacrificá-lo e, na última hora, enviou o anjo para brecar a mão do ancião que estava pronto para deitar-lhe o cutelo no crânio. Ainda bem que o anjo escolhido não foi o Raniel. A esta altura não teria havido nem Isaque e muito menos a raça humana existiria mais. Não é por acaso que a Igreja Romana não se cansa de canonizar mulheres. Afinal, com seus sacerdotes são gays, em sua imensa maioria, seu maior prazer está no sexo pedófilo.

Depois veio Moisés com aquela lei que é um libelo ao machismo, para acabar com o culto a deusas femininas que impedia as mulheres de conceberem e punha em risco a raça, enquanto os homens demonstravam mais prazer no sexo entre eles mesmos, novamente.

Nos tempos de Paulo a coisa recrudesceu e começaram a endeusar as mulheres novamente. Foi preciso esse apóstolo machista para acabar com a graça das senhoras. Nessa altura os homens estavam de novo mais encantados com o prazer das relações homossexuais do que os heterossexuais.

Em verdade, o ser humano tem sérias tendências, desde o seu aparecimento, para essas coisinhas perversas. As mulheres fogem da maternidade e do sexo com homens, os homens fogem das redeas femininas e do sexo com as mulheres e isso existe e cresce novamente em nossos gloriosos dias.

Talvez fosse conveniente trazer de volta o modelo da família poligâmica dos tempos de Abraão. É algo a se pensar, tudo isso tem prós e contras. Do jeito que está, não pode ficar e tem muita gente completamente envolvida com as tendências desagregadoras e comprometedoras de nossa espécie.

O mercado de trabalho que privilegia a mulher e os jovens, geralmente mais desvalorizados que os barbudos arrimos de família, virou o melhor pretexto para a desagregação familiar. Como não podia ser diferente, essa instituição está ameaçadíssima, novamente. Mais uma vez, os relacionamentos gays estão em alta.

Agora há um outro agravante, a violência causada pelo abandono dos filhos das trabalhadoras nas mãos dos educadores profissionais públicos ou privados, está muito além da capacidade humana de controle.

A única saída conhecida é resgatar a pregação do evangelho machista do apóstolo Paulo e trazer a mulher para dentro de casa, com a função de gerenciar o lar, parir os filhos e educá-los ela própria, enquanto seu marido trata de gerar o sustento da casa e seus ocupantes. Os filhos deverão permanecer bonzinhos, estudando e só pensar em sair para iniciar-se na escravidão trabalhista, após os 25 anos.

Sem as mulheres casadas e os jovens menores de 25 anos, o mercado de trabalha se abriria como nunca, se valorizaria e perderia muito de seu caráter escravagista e a mais valia retroagiria bons dígitos. Com isso, gente como eu voltaria a ter valor e não seria nada mal sentir algum respeito, novamente.

Claro que pode-se pensar em outra forma de organizar as coisas, mas é preciso ter em mente a existência do ser humano. Claro que podemos optar, conscientemente, pelo fim da raça, a bem desse mundo, especialmente do equilíbrio ecológico, que não existirá no mesmo planeta em que o ser humano estiver. Só não dá para andar desordenadamente e/ou promiscuamente. 

Capricornio PB

9 thoughts on “Trabalho, família e a existência

  1. Roger

    Você, melhor que ninguém, sabe do que estou falando e poderia contribuir muito mais, tenho a certeza disso. Certo?

  2. Ai! Lou!

    Acho bem que se prepare porque, como se diz aqui em Portugal, “vão-lhe cair todas as mulheres em cima”!

    Quem é que conseguirá mandar as mulheres para casa, depois delas saborearem tão alegremente a independência, quer pessoal quer económica!?

    Eu comprendo o seu ponto de vista.

    Tambem acho que a sociedade está mal estruturada.
    Praticamente em poucos anos as mulheres sairam todas para o mercado de trabalho.
    Penso que a sua permanência em casa , junto da família, seria muito benéfica e salutar. Mas, estando a vida com está, o pessoal, pelo menos por aqui, habituou-se a certo nível de vida, que só o salário do marido (quando ele tem trabalho, ou pode trabalhar) não chegaria para fazer face ás despesas.
    Se os homens ganhassem o dobro do que ganham!?

    Eu trabalho desde pequenina, primeiro ajudando os pais no amanho das terras e cuidando dos animais, depois aí por volta dia dez anos, comecei a trabalhar para fora. e a partir daí, estive empregada até há 5 anos atrás, quando me aposentei por incapacidade, pois sofro de uma doença reumática grave.

    Quando casei já trabalhava como enfermeira. Tive os 4 filhos sempre a trabalhar. Já “casei três”, e o mais novo que vive conosco tem 26 anos e não pensa casar tão cedo.

    Mas, no meu caso, creio que os resultados da minha ausência de casa, não me parece que tenha tido um resultado assim muito negativo! Só se teve eeu não dou por isso.

    Agora um aparte, Lou: Eu tive mesmo que sair para o mundo do trabalho, pois para criar 4 filhos… só com o salário “baixinho” de Pastor… não ia dar não.

    um abraço
    viviana

  3. Viviana

    Quando comecei a ler seu comentário pensei: xiiii! Ela vai me esfolar. Mas não. Suas palavras estão absolutamente na mesma direção das minhas. A diferença está no contexto. Mas elas têm todos os componentes de uma vida escravizada pelo modelo capitalista. Sem dúvida é uma grande benção que seus filhos não tenham se perdido. Outros fatores seriam necessários para isso e você e seu marido os evitaram, talvez pelo seu cristianismo. Seu marido teria dobrado o salário, se as mulheres e os jovens deixassem o mercado de trabalho aberto aos arrimos das famílias. Não desejo as mulheres escravizadas em casa. Quero-as livres para viver livremente, serem mães por opção e felizes educadoras deles. Tenho certeza que lhes sobraria tempo e oportunidade para expressarem sua inteligência e competência, desde que conseguissem manter os filhos como prioridade absoluta.
    Mais uma vez agradeço seu comentário, sempre cuidadoso e pertinente.

  4. Onde é que eu assino? Trabalho desde os l5 anos, a princípio para me sustentar, porque meu pai era um omisso. Mais tarde para sustentar meus pais, que não souberam garantir sua velhice, e também para sustentar meu filho, que é filho de outro omisso. Ainda faltam anos para eu me aposentar, e estou exausta. Com a capacidade administrativa que tenho, teria sido uma excelente dona de casa, se tivesse tido oportunidade para tal. Não vi meu filho crescer, ele não pôde continuar os estudos, com 20 anos já é uma estressada mão de obra escrava, minha saúde está seriamente comprometida por conta de tudo isso, não vejo onde a suposta liberação da mulher me ajudou.

  5. Bete

    O mesmo sistema que não lhe deu a oportunidade necessária, agora não dispõe de qualquer solução para você. Você nunca foi liberada, como todas as mulheres e homens escravizados pelo mercado. A religião, o governo, a mídia e a escola estão unidos em nos fazer ovelhas a caminho do matadouro. Não sei se há alguma escapatória, se houver acho que não ainda não foi revelada. Tudo que sei é essa utopía cristã. Se fizéssemos o que ensina Jesus de fato, por exemplo, talvez desse certo. Mas cadê a coragem? ou a fé para isso.

  6. Tenho impressão, (divagações filosóficas) que quase tudo gira em torno da economia. Não ficaria surpreso se moldassem “as teologias” para esse fim. Numa geração “fast food” o pragmatismo é a mola mestra do capitalismo selvagem, os indivíduos são impulsionados (pela mídia) e obrigados a viverem dentro da e conforme as regras hegemônica na sociedade, inclusive , para capitalizar seus anseios, “procuram” igrejas que faça merecer o esforço. (todos correm em busca do segredo do sucesso) Uma mera reprodução ou imitação dos valores vigentes. alguem já disse que cada sociedade possui a educação que merece. Por enquanto é o que penso.

  7. Francisco

    Sei que o tema é velho, surrado e politicamente incorreto, mas escrevi às mulheres, em princípio, as maiores vítimas dessa roda viva causada pelo capitalismo selvagem e ruminada pela igreja, inclusive, como você disse.

  8. ‘Não é por acaso que a Igreja Romana não se cansa de canonizar mulheres. Afinal, seus sacerdotes são gays, em sua imensa maioria, e seu maior prazer está no sexo pedófilo.”

    É só não deixar os religiosos ligarem-se aos meios de comunicação e à indústria do entretenimento. Segundo o papa.

    Sim…Tomas!

    Abraço

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