A Gruta do Lou

Tempo demais

Essa é uma manhã como outra qualquer. Não recebi nenhum telefonema, nem mesmo de cobradores. Os E-mails eram todos banais. Pouco tempo atrás, me inscrevi nos sites de dois portugueses que cultivam performances no Google com fins de mercado e, desde então, eles inundam minha caixa postal diariamente com seus produtos. Por enquanto estou guardando tudo, mas temo que seja o rito da morte, guardar e logo em seguida deletar.

Antes de descer, realizei mais uma daquelas viagens ao passado, ocasião em que refaço meu caminho e, utilizando a experiência atual, reparo meus enganos e desenganos. Ainda não cheguei no ponto em que a pessoa é capaz de narrar sua história revista e corrigida.

Desnecessário salientar meu desejo, oposto à minha realidade atual, de estar em outro lugar, pleno em realizações intelectuais, espirituais e rentáveis. Esse sonho recorrente inclui uma morada e alguns apetrechos deste século, ainda indisponíveis por aqui. Onde raios haverá uma organização carente de minhas competências? Se possível, com a disposição de remunerá-las, também.

Jesus passou só quarenta dias no deserto e não pode entender meu dilema. Talvez Paulo pudesse, ele passou treze anos desertificado e deve ter sido o personagem bíblico que mais se aproximou da minha desertificação, embora eu tenha superado todos eles. Até para secar deveria haver limites e Deus não poderia ultrapassá-los. Sinto-me como o salmista gritando: “Senhor, não te alongues de mim!” Acho que já chega, pode trazer o papel que eu assino o que o Senhor quiser. Desde que me abra a porta, em seguida.

6 thoughts on “Tempo demais

  1. Às vezes, lembrou o Rubens, não há porta a ser aberta; outras vezes a porta é estreita como fundo de agulha; há vezes também em que o desejo dELE para nós é o deserto, lá como disse para o tal de Elias.
    Descobre para nós, Lou, qual dessas opções ELE tem pros grutenses, porque também estou à porta. E bato. Amplexo.
    P.S. Esse comentário vai virar post. Lá pras plagas dos desassossegos.

  2. Lou, do lado de quem lê isso, foge-se de compadecer tentando compreender. Problemas insolúveis não são problemas, são condições. Mas para aqueles que se pode solucionar, um amigo pergunta se pode fazer algo de imediato. Se não, pergunta se pode ficar aqui nesse banquinho de lado, esperando a sua angústia aliviar um pouco.

    Olha, o eu que você lê é um personagem criado pelo eu que escreve. Essa é a minha licença poética para ficção, poesia, prosa, etc. Claro que baseio meu personagem em minhas experiências. Ele é um profeta e como tal é profético, acusa, consola, faz previsões e, sobretudo, sofre as dores do povo e dessa forma sente um pouquinho do que Deus está sentindo enquanto seu povo sofre. Agora, essa coisa de fazer algo é um exercício espiritual, ou seja, se o Pai Celeste lhe dá uma missão só cabe executar. Quando alguém bondoso demais me pergunta se quero uma ajuda, indico o Projeto Coração Valente que atualmente cuida do Thomas, que por acaso é meu filho. Como você sabe, sou incopetente o suficiente para não conseguir arcar com os custos do tratamento dele. Alguns grutenses indiciplinados e benígmos ao extremo me enviam doações, as quais aceito agradecido, tentando esconder meu orgulho. Obrigado por perguntar.

  3. Há tanto tempo todas as portas estão fechadas, todos os relógios parados…é como estar num labirinto, andando e voltando, sem sair do lugar. É tempo demais,mesmo.

    É, essas falhas acontecem devido a mais completa falta de organização no céu. Mas quando o Warren chegar lá tudo vai mudar. Certamente ele implantará “um céu com propósitos” para tanto.

  4. A lição mais dura é esperar, esperar com paciência no Senhor! E não perder a fé nEle…

    Neste meio tempo, é tentar ver o que dá para mudar, em nós e através de nós…

    Não é fácil!!!

    abçs

    Sem dúvida, não é fácil. Obrigado.

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