A Gruta do Lou

Space Cowboys da Gruta

Tempos atrás, mais especificamente no ano 2000, Hollywood fez e lançou um filme, aparentemente despretensioso ou apenas um produto de consumo rápido. Com Clint Weastwood (Diretor), Tommy Lee Jones, Donald Sutherland e James Garner, todos com idades acima dos sessenta anos ou mais o filme foi ambientado sobre o enredo de uma aventura espacial meio inverossímil.

Confesso ter passado direto por ele várias vezes. Atores velhos fazendo papel de mocinhos não despertam meu interesse é o preconceito. Mas todos nós conhecemos a persistente obstinação das nossas TVs pagas, quando eles cismam com um filme é de lascar. Provavelmente em um daqueles dias em que não restou nada para ver, nem uma águiazinha querendo viver como galinha ou qualquer uma aquelas pieguices de um Discovery qualquer e, apesar disso, eu estava disposto a ficar ali sentado perdendo mais um pouco de tempo do pouco que me resta. Então achei de novo, e não precisei procurar muito, o Space Cowboys. Dessa vez, sabendo não haver qualquer outra opção, resolvi aturar a coisa.

Não estou aqui para falar sobre o filme em termos críticos ou o que seja. Isso é lá com o Ricardo do Diversitá que faz isso como poucos. Mas enquanto assistia ao filme, pude perceber outro propósito embutido no filme: De repente, aqueles quatro caras ultrapassados eram úteis e só eles possuíam a competência necessária para arrumar um satélite antigo e desgovernado. Será que isso sugere alguma coisa? Você conhece algum satélite desgovernado, desses que estão por aí, bem aqui em nosso planetinha Terra?

Em caso de resposta afirmativa, já pensou rápido em alguns old cowboys capazes de endireitar a geringonça? Meu, somos todos necessários e seria muito legal se aprendêssemos a trabalhar juntos, em uma troca frenética de juventude e experiência. Grande parte das vezes, especialmente em nosso mundinho ocidental, as coisas degringolam porque as novas gerações desprezam a experiência. Também já fui jovem e fiz a mesma coisa. Se bem que ainda estou meio longe da idade dos velhinhos do filme, aí.

Estava aqui pensando, poderia montar uma equipe capaz de dar a volta ao mundo, não em oitenta dias, mas em alguns minutos, todos com o idadometro acima dos cinqüenta, mas bem cuidados, cabelos tingidos ou carecas bem lustrosas, pouca barriga e cabeças extraordinárias. Quem aqui não conhece o Rubinho, Volney, Robison Ramos e euzinho? Sei que eles preferem não serem considerados velhos e muito menos eu, mas estamos todos sentindo o gosto da exclusão. Já perceberam do que somos capazes de fazer lendo nossos blogs? Agora vou logo avisando, somos todos orgulhosos e não estamos dispostos a trabalhar em qualquer espelunca. Preferimos continuar ajudando nossas esposas, assumindo a casa, a isso. Claro que citei alguns mais próximos, mas a lista pode ser bem maior, além de outros bons velhos companheiros, poderia enumerar algumas velhas companheiras excelentes. E mais, todos comprometidos com nosso Senhor Jesus Cristo, até a raiz dos cabelos e sem chance de amancebar-se com bispos e outros que tais.

Mas nem precisaríamos muito. Se a NASA me chamar para resolver algum problema para o qual eles são totalmente incompetentes, farei exigências do tipo: quero trabalhar com a minha equipe e convidarei esses caras. Eles não são a perfeição, são todos excêntricos e cheios de manias, mas são capazes e muito divertidos. Todos com quilometragem disponível para queimar por bom tempo, ainda.

11 thoughts on “Space Cowboys da Gruta

  1. Pingback: Lou Mello
  2. Lou, agora vou fazer uma confissão. Eu me liguei a você nesses anos todos, na esperança de que se você se der bem, lembre-se de mim quando entrar no seu Reino. Tô dentro. Sempre achei que seria interessante trabalhar ao lado de gente mais velha 🙂

    Pode deixar, se acontecer, convidaremos alguns mais velhos para você trabalhar ao lado deles. 🙂

  3. Eu sempre sonhei em trabalhar na NASA…pode me incluir!!!Não vejo a hora de fazer os treinamentos
    em ambiente com gravidade zero…vam bora gente!!!

    É, talvez aconteça de sermos convocados para alguma tarefa onde a gravidade seja altíssima, como consertar a igreja em nossa pátria, embora eu acredite nisso tanto quanto creio em políticos.

  4. Reconheço: estou velho. Pronto!
    Reconheço também: sou incompetente. Viu?
    Reconheço mais: a equipe do Lou é dez!
    Bete, vc não vai trabalhar “com gente mais velha”. Tá se achando mocinha, é?
    Raquel, não é gravidade zero. Os problemas é que são de muita gravidade!!!
    No mais, vamo qui vamo!

    Eu sei do potencial dessa turma, aliás, não será fácil aparecer outra geração igual. Entretanto, acho que falhamos em algum ponto. Se eu ganhar na loteria, farei um encontro em alguma cidadezinha do litoral para refletirmos um pouco sobre isso. Quem sabe o Manning topa participar, ele adora esse tipo de evento.

  5. O problema de alguns não se sentirem excluídos o tempo, que é paciente, eventualmente resolve. A exclusão não é preconceituosa e acaba acolhendo a todos sem distinção.

    Nosso mundo de obsolescência programada tem deixado o processo ainda mais eficaz. Na primeira década do século XX os galãs do cinema tinham invariavelmente mais de 45 anos; hoje em dia quem tem precisamente mais de 25 anos é tio.

    Com menos tempo para esperar a obsolescência, ficamos mais tempo a disposição para salvar um satélite e cuidar da casa.

    A obsolescência é uma senhora obstinada e impiedosa.

  6. A estimativa de vida aumentou,isso é fato.

    As pessoas no passado com quarenta anos eram consideradas velhas.Hoje,quem tem quarentinha,tá moço que só,tenho visto isso,principalmente nos “grandes centros”.

    Li outro dia uma reportagem dizendo que os
    cinquentões,que nessa altura da vida estão aposentados,começam a se lançar em trabalhos diversos,como abrir seus próprios negócios,passear,viajar,praticar muito esporte,etc…enfim,sair de casa, e ter uma vida saudável,mas ainda estão dentro das excessões.

    Existem muitas pessoas aposentadas,da classe baixa,com
    seus sessenta anos,sendo obrigados a fazer serviços extras para ajudar no orçamento doméstico.

    A terceira idade é chamada de “a melhor idade”!!???

    Em grandes empresas os executivos que são disputados a dedo, são pessoas com mais de cinquenta anos,até sessentões,por causa da larga experiência que têm.Esses,por hora,também são excessões exceções.

    O mercado de trabalho em geral,ainda prioriza os mais jovens.

    Segundo alguns pesquisadores,a tendência é uma mudança geral em um médio espaço de tempo…

    Tomara que isso aconteça em um tempo ainda menor,quando os Space Cowboys da Gruta,ainda estiverem
    a todo vapor!!!rssss

    Também acompanho essas notícias com atenção e me parecem fruto de propaganda destinada a jogar a sujeira sob o tapete. O que se vê por aí, é algo relacionado ao que o Brabo está dizendo, ou seja, cada vez mais, diminui a média de idade dos “aproveitáveis” no mercado de trabalho.

  7. A imprensa trabalha a favor dos grandes!O mercado de trabalho ainda prioriza os mais jovens,sim,e “diminui a média dos aproveitáveis”.
    Cresce cada vez mais o número de pessoas aposentadas-da classe baixa-com seus sessenta anos ou mais,obrigados a se sujeitar a sub empregos a fim de
    ajudar no orçamento doméstico.O número de pessoas nessa situação aumenta,uma vez que a estimativa de vida aumentou…
    A terceira idade não tem mais o direito ao descanso merecido.
    Os grutenses e outros,em aperto,endividados estressados,acabam também ficando de fora,dificultando as coisas…
    O pessoal das exceções,geralmente faz parte das classes média e média alta,se é que isso ainda existe,
    mas nós estamos fora dessa.

    1. Djalmir

      Então, bem provável que nossa nave espacial desgovernada responda pelo nome de Igreja, ou melhor ainda, a grande missão. Você e eu sabemos qual é o conserto dela e aquele dia chegará. Sem dúvida.

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