A Gruta do Lou

Se for fazer circo, faça o melhor que puder

Difícil não falar em futebol em dias de Copa do Mundo. Bem que tentei, mas não resisti. Vamos lá.

Os argentinos também sucumbiram às investidas dos ditadores do mercado que anexou seu futebol, assim como fizeram com o nosso e com o resto, onde quer que seja praticado profissionalmente. Mas estão sendo mais inteligentes do que os nossos dirigentes futebolísticos tupiniquins. Se preferir, poderíamos dizer que los hermanos armaram melhor o circo futebolístico deles. Veja bem: Colocaram o ex-jogador e ídolo maior do povo o polêmico Maradona como técnico principal de sua seleção. Claro que trataram de colocar, com ele, mais alguns técnicos (dois se não me engano) para dar-lhe suporte e evitar suas costumeiras excentricidades. Obviamente, Maradona é um quase inocente útil, pois é muito difícil que os dirigentes lhe contem a história toda. Entretanto, o povo argentino ficou enfeitiçado quando viu seu maior ídolo na farda de técnico da seleção nacional. Por seu lado, Dom Diego (como é chamado por lá) tratou de convocar os jogadores mais queridos pela nação para compor o grupo. Soma-se a isso a capacidade de encantar com muito carinho, até mesmo com muitos abraços e beijos, embora soe meio gay, mostra-se altamente eficaz e necessário e Dom Diego não economiza nessas práticas. Além disso, os jogadores dedicam-lhe o mais elevado respeito e credibilidade em termos de futebol. O resultado é um time ganhador e o povo em lua de mel com sua seleção nacional.

Do nosso lado, como sempre, nossos dirigentes futebolísticos, tanto quanto nossos políticos, insistem em contrapor-se ao povo, particularmente em agredir os meios de comunicação, em particular determinados jornalistas que, demagogicamente, tornem-se repetitivos em traduzir a vontade popular. Se mirassem o exemplo de nossos vizinhos guapos, colocariam Zico na direção de nossa seleção (Pelé nunca mostrou interesse ou a coragem necessária para tal função, embora tenha demonstrado ciúmes de Maradona, recentemente). Esses dias, vimos a comunidade japonesa agradecendo a Zico pela performance atual da seleção deles. Certamente, Zico convocaria os jogadores certos, a seleção jogaria da maneira certa, ou seja, em busca do gol e, consequentemente, das vitórias e o povo estaria por aí se locupletando em loquacidades frívolas, como carnaval, cerveja e … bem, você sabe.

Afinal, que graça há em ser capitalista neoliberal e não desfrutar do que isso possa ter de melhor? Talvez por isso, a igreja funcione nos Estados Unidos.

Nas próximas eleições (presidente, senador, governados e deputados) poderíamos escolher o próximo técnico da seleção nacional de futebol. Que tal?

Ops: Publicado originalmente no excelente blog Corinthians Yes

1 thought on “Se for fazer circo, faça o melhor que puder

  1. Lou, com sua licença, preciso fazer algumas correções importantes no seu post. Sou argentina e acabei de voltar de lá. Tem toda razão quando comenta como as ditaduras se aproveitam do futebol. Por lá a coisa não é diferente mesmo. Mas no que diz respeito ao povo argentino, o resto não é bem verdade. Não foi o povo que colocou Maradona no cargo e sim a máfia dos cartolas muito parecida à brasileira. E eles também estão por trás das torcidas organizadas que idolatram dom Diego e que embarcaram junto com ele mas foram despachados pelas autoridades sulafricanas.
    A grande maioria dos argentinos “detesta” Maradona e nem vai ficar muito triste se a seleção perder só para não dar o gostinho a essa figura repugnante.
    O povo torce sim porque na hora H não dá para deixar o patriotismo de lado por conta do que alguns safados fazem na politicagem do pais e do futebol.
    E tem mais, todos sabem como uma vitória seria um triunfo para o casal que detém o poder no pais e a maioria adoraria que eles não tivessem mais esse triunfo.
    Os argentinos não estão enfeitiçados e ele não é um inocente útil (sabe muito bem o que esta fazendo). E mais, os beijos entre homens como cumprimento, é um costume absolutamente difundido e aceito entre os argentinos, usado do dia a dia entre amigos, familiares, colegas de trabaho.
    Lamento muito que essa figura nojenta, que faz propaganda para os regimes de Castro e Chavez, tenha levado o resto do mundo (incluido vocÊ) a nos imaginar como o povo que esta descrito neste post.
    Definitivamente não é assim!

    Oi Cristina, obrigado por seu comentário. Tentarei replicar seu comentário e organizar as coisas por aqui. Mais uma vez, minhas incapacidades em escrever se evidenciam e, olhando para seu comentário, ocasionam grandes transtornos ao entendimento dos leitores como sempre.
    O melhor argumento nessa altura é: Não acredite em nada do que você leu, pois não passam de ironias e provocações. Concordo que Maradona seja tudo o que você diz e os dirigentes do futebol (os ditadores que tinha em mente) o escolheram com os piores propósitos. Tal processo não foi diferente quando escolheram Dunga por aqui, mas foram muito mais infelizes que seus patrícios, creio.
    Fique em paz e esteja certa de que nossa esperança é que Jesus e seu evangelho utópico sejam verdadeiros e por isso viveremos. Um abraço para você.

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