A Gruta do Lou

Blog em Férias 5 – Salmo 151

 


Forrest Gump & Ten. Dan

Perdi metade de cada uma de minhas pernas na guerra. Guerra pela vida, pela missão, por empreender viagem pregando as boas novas de Cristo, inocentemente, imprudentemente, feito um tolo. Não sabia eu que o mar não estava para peixes. Fui engolido pelas baleias mais velhas, aquelas que não fazem e não deixam fazer (quando eu era menino de rua, dizíamos isso de outro jeito). Fui atirado na vala comum onde vivem milhares de outros tolos, todos idealistas e poetas sonhadores, encantados com a história da vida do Nazareno Salvador e suas conversas moles para bois dormirem.

Achei lindo o Sermão da Montanha, fui hipnotizado pelas parábolas e encantado pelos milagres. Cada gesto, olhar e movimento dele me atingiram como raios avassaladores e fui tomado por um estranho espírito incontrolável. Achei, em minha inocência, que com essa mensagem na ponta da língua não teria opositores. Ledo engano, se perseguiram, prenderam, torturaram e mataram o mestre, quanto mais não fariam a esse idiota romântico, sem eira nem beira, aqui.

Minha sina foi muito mais perversa. A mim destinaram o menosprezo, o desdém e o desprezo. Não mencionaram meu nome, não publicaram meus textos e não me convidaram para palestrar ou debater. Os seminários medíocres não se lembraram mais do professor polêmico, charmoso e caipira que tanto ibope lhes deu. Até hoje, andando de blog em blog, vejo textos replicados de gente que nunca sofreu. No começo, ainda mandaram uns dois ou três meus, mas quando perceberam minhas reais intenções, saíram todos pela tangente da indiferença.

Não acredito em uma pessoa se ela não tiver experimentado algum tipo de sofrimento na vida. Desses, poucos conhecem a dor, mas são prudentes o suficiente para não se meter em enrascadas. Mas esse tipo de gente vive me causando inveja. São eles que vencem, como se tivessem vindo ao mundo blindados, imunes aos furacões e tufões a que somos submetidos por obra do criador e seus caprichos reais.

Desgraçado pela justiça dos homens e mulheres superficiais e estereotipados subi ao mastro, como o fez o tenente Dan (Forrest Gump) e aí veio o furacão. Essa merda toda que atingiu meu filho amado, as ondas do desemprego e da penúria, contas atiradas na minha cara como ventos impiedosos sem rumo, mas com força descomunal, e uma chuva insuportável de críticas e julgamentos injustos e desconcertantes, até pelos da minha casa. Então gritei ao Deus exótico que Paulo, Pedro e Mateus criaram: Essa é a sua tempestade? Essa porcariazinha? Esse projeto de furacão? É só isso que você sabe fazer? Pode mandar tudo isso, mas minha vida você não vai afundar, como fez com tantos outros pregadores anônimos e simplórios, mas honestos, antes de mim. Não tenho medo dos seus raios, bravatas infames de sua ridícula justiça parcial. Essa vida você não afundará.

Alguém dirá ainda: Ah! Tem gente muito pior que você. Isso só aumentará a minha miséria. Até nisso eu sou apenas um coadjuvante?

Mesmo que confinado nessa Gruta ridícula que inventei, pelo exemplo de outros ridículos mais famosos que eu, como Elias, Davi e Jesus, todos igualmente abandonados e espremidos pelo poder central em suas grutas, eu não descansarei. Todos os meus textos tratarão de expor essas falácias que nos impingem tanto os da direita, quanto os da esquerda, liberais ou fundamentalistas, históricos ou pentecostais, em nome de Deus. Essa corja de sangues-sugas usurpadores das casas das viúvas, que podem ser vistos e ouvidos na TV , via YouTube ou em suas igrejas faraônicas.

Ficarei bem vivo para ver até onde você chegará com toda essa fúria ridícula contra mim, minha família e contra os outros inocentes esquecidos e humilhados grutenses e sempre em favor dos altivos e prepotentes. E nem me falem em natal, sim?

Ops: Aproveitem esses últimos textos do ano. Por ordens superiores, estaremos proibidos de revelar ou tratar nossos textos de forma pessoal, a partir de 1º de janeiro de 2008.  Essa lei já havia sido imposta, tempos atrás, mas fomos imprudentes o suficiente para supor que ela não tinha colado. Como todos sabem, o blog está em férias. Essas palavras que aí estão são o resultado da raspagem do tacho.

11 thoughts on “Blog em Férias 5 – Salmo 151

  1. Estive lendo seus blogs. Permita-me expor minha crença sobre aquilo que me fez refletir. Eu me surpreendi com o caráter mundano de seus escritos. É de admirar que alguém que se diz cristão tenha tanto apego ao luxo, a preguiça, a conceitos anticristãos, e tanta arrogância. Sim, pois o mais grave é que você brinca com a ingenuidade da fé dessas pessoas em proveito próprio, e parece gostar disso.
    Lendo seus escritos, lembrei dos verdadeiros cristãos que conheci em minha vida (me refiro a freqüentadores de igrejas), que eram contra ao comércio da fé. Aconselho-o a reler a passagem em que Jesus censura todos os “pregadores” que recebem dinheiro, pois o EVANGELHO JAMAIS DEVERIA SER PROFISSÃO ou fonte de renda. Jesus disse “DE GRAÇA RECEBESTES, DE GRAÇA DAÍ”, NÃO POSSUAS NEM OURO NEM PRATA, NEM COBRE, NEM ALFORGE, NEM DUAS TÚNICAS… ETC… O obreiro digno do seu salário é quem trabalha, quem tem uma profissão e não vive do evangelho. Caso queira contestar esta verdade que Jesus ensinou lembre-se que você não devia distorcer a Bíblia em proveito próprio. Acredito que você deveria se arrepender e arranjar um trabalho que não tivesse nada a ver com o Evangelho que não deve ser comercializado. (Lembro-lhe que todos os apóstolos trabalhavam, Paulo fazia tendas, Pedro era pescador, Mateus cobrador de impostos, Lucas médico, etc. e Jesus humilde carpinteiro). A desculpa de que certas pessoas precisam estar a disposição da igreja não cola mais. (Algumas instituições que funcionam muito bem por sinal provam que isso é falso, por exemplo, a Congregação Cristã não tem clero remunerado, os Mórmons também, os centros Espíritas e outras instituições em que a caridade prevalece). Quero dizer que não pertenço a nenhuma dessas instituições,nem quero te ofender, ou “fazer bonito” mas sou cristão no dever de te alertar a respeito do que acredito e oro para que Deus faça você e as pessoas que lêem suas excentricidades enxergar o caminho errado pelo qual você está indo.

  2. Emerson (se esse for seu nome, mesmo)

    Havia feito um outro comentário ao seu e resolvi modificá-lo.
    Pelo seu comentário, nota-se que você deve fazer parte daquela porção de brasileiros que tem grande dificuldade em compreender um texto lido. Sendo assim, imagino que isso se aplica a todo tipo de texto que você tente ler, inclusive e sobretudo os textos bíblicos, cuja compreensão é ainda mais complexa, com tantas parábolas, enigmas e charadas metafísicas.
    Em seu comentário você faz algumas insinuações sem nexo e não consegue concatenar suas idéias, se é que chega a ter alguma. Sua acusação de exploração da fé ingênua dos meus leitores é abominável. Você deveria conhecê-los antes desse atrevimento descabido. Pela sua seleção de seitas aceitáveis devido a não remuneração de seus pastores ou líderes, você excluiu os batistas, os presbiterianos, os assembleianos, os metodistas e tantos outros. Devo informá-lo que esses são, precisamente, a maioria dos meus amigos pastores. Nenhum deles deixa de ser remunerado por suas igrejas e, pelo que sei, são todos considerados absolutamente probos. Nada tenho a me opor a isso. Mas você precisa saber que não sou um pastor, no momento, e não estou disponível para tal empreitada. Sou um consultor para ONGs, religiosas ou não, se bem que, ultimamente, tenho atuado mais como um técnico em informática. Mas é uma profissão muito digna e me orgulho dela.
    Finalmente, há uma grande diferença entre nós, até o momento: você não passa de um anônimo que não diz de onde vem e nem para onde vai, não sei sua idade, sua experiência, seu meio de vida, se já sofreu nessa vida, se é casado, se tem filhos, casa própria, carro ou vive da Bolsa Família de sua esposa, sei lá. Enquanto isso, as informações a meu respeito estão escancaradas, não só no Blog, mas no Orkut, no meu site (que é público) com fotos, amigos, leitores e meus defeitos declarados de próprio punho. De fato, eu não sou um cristão frequentador de igrejas, pelo menos, não agora. Preferi me distanciar dos “cristãos” frequentadores de igrejas e adotar uma postura mais transparente, coisa que não era permitido fazer nos tempos de igreja. Se ser cristão for a mesma coisa que um frequentador de igreja, como você supõe em seu comentário, então eu não devo ser contado como tal. Faz tempo que abandonei essa tola ilusão. Por outro lado, nada tenho a me opor à freqüência de uma boa igreja, onde se pratique o verdadeiro evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
    Leia meus textos (e não blogs) mais algumas vezes (talvez umas mil) e quem sabe você não descobrirá, com surpresa, outros propósitos, talvez bem mais nobres, do que os que você conseguiu extrair nessa sua primeira leitura.

  3. Oposições, bah!!!

    Ainda esta manhã refletia, maior é o que está em nós. – Oh, Senhor e eles ainda não sabem o que fazem.
    Dias desses li o texto de Ex.23: 20 ao 33 e ali me deparei com Deus dizendo que não eliminaria os inimigos de bate-pronto, mas seria devagar. E o mais interessante que acaba refletindo um cuidado. (Paradoxal!?) Não, por causa das feras do campo não se multiplicarem contra nós.
    Pois então que as feras venham até eles e assim ganhamos tempo para vivermosem paz com que merece a nossa atenção.
    Este é o Deus que eu conheço!!! Hehehehehehe …o problema é que Ele confunde as pessoas, que andam de ponta cabeça por aí.
    Feliz Natal…rs…e não fique de ponta cabeça…deixe para os leitores do bloguim.

  4. Lou

    O que é duro é esse povo que tem preguiça de ler e, pelo título ou por apenas um texto já saem julgando. Aliás como muitos hermeneutas de um versículo.

    O Wayne Dyer já costumava dizer que “Quando você julga os outros, você não os define, você define a si mesmo.”

    Oposição não é ruim, nos faz refletir. Já a ignorância não tem jeito.

  5. Oi Lou,

    Outro dia ouvi um diálogo de um irmão que procurava consolar uma senhora vítima de uma doença terrível citando a vida de Jó, ele recebeu a seguinte resposta na lata: “É mas Jó não teve um membro amputado”.
    A Bíblia nos mostra experiências admiráveis de gente que viveu seus conflitos interiores e sobreviveram. Mas, nós não somos iguais a eles, não fazemos parte de estatísticas, nossos sofrimentos são nossos e de mais ninguém.É óbvio que a existência de Asafes, Tomés, Elias, Jós são um alento para nossa vida debaixo do sol, pois como nós, estavam sujeitos aos maiores atos de heroísmo e também das mais infames bravatas. Mas conhecer seus fracassos não nos basta, é necessário conhecer os nossos.
    Lou, os amigos de Jó estão aí mesmo, não sabem, não percebem, não sentem, julgam, idealizam, condenam e por aí a fora.. Mas o melhor dessa história e que a gente ainda vai orar por esses caras.
    Infelizmente o evangeliquês não conjuga os verbos duvidar, temer, fracassar, deprimir-se, etc. Os Tomés sequer podem se expressar, o domínio é dos Pedros, precipitados, bonachões, voluntariosos. Depois dão o maior trabalho quando ouvem o galo cantar e não sabem aonde.. É preciso correr atrás deles e com paciência recuperá-los.
    Jesus sabe o que é sofrer, na cruz Ele disse: Deus meu, Deus meu porque me desamparaste. Ou será que era retórica?
    Ele entende quando a gente grita: “Onde está ó Deus?”
    Mesmo quando a gente fica que nem o bêbado da música:

    “Um velho ateu
    Um bêbado cantor, poeta,
    Na madrugada cantava essa canção, seresta
    Seu fosse Deus,
    A vida bem que melhorava,
    Se eu fosse Deus,
    Daria aos que não têm nada”

    Jesus disse para os seus, “vocês também querem ir embora”.
    Pedro, e não Tomé, disse: “para onde nós vamos…” com “enorme” convicção, os outros nem se arriscaram.

    Somos de Deus e Ele nos permite gritar, reclamar, existir e ser.

    E vamu simbora, por que ainda tem 2008.

    Um abração pra você e pro seu filho e um Feliz Natal …ops.

  6. Fábio, Maurício

    De fato, a gente ainda vai ter que orar por esses caras. Bem no espírito da Gruta. Confesso que sou um admirador prostrado de Jesus, também por esse detalhe. Perdoá-los, abraçá-los e recebê-los depois deles nos crucificarem, não sem antes praticar toda aquelas torturazinhas básicas, é demais. Só Ele mesmo…

  7. Oi Lou !! ….. nem esquenta com “essas coisas” que aparecem nos Blogs só pra matar , roubar e destruir….eles já estão vencidos em Nome de Jesus !! hehehheheeeeee… êta lele !!
    Vc é demaissss !!! e os melhores textos que já li, os li aqui !!
    bjussssss

  8. Lou,

    Depois que o Tenente Dan tem aquela briga com Deus, na sequência, vêm os camarões – a fartura. Será que encontramos a fórmula? Adélia Prado ensina: (Emerson, tape os olhos) vou citar de memória: “já xinguei Deus de fedaputa. O pensamento vinha e eu espantava, vinha e eu espantava, até que eu criei coragem e gritei: Deus fedaputa! A raiva passou, fiquei leve, leve.” (Emerson, pode abrir os olhos…)

    Mas Adélia continua: “de onde vem essa vontade de xingar Deus senão dele mesmo?”

    E você não está nem xingando, só está se queixando…

    Mas gostei da idéia, vou me pôr a escrever salmos, se você permitir até publico aqui. Mas a gente vai ter que pedir pro Anderson dar um tempinho noutros blogues…

    Pazzzzz!!!!

  9. Bete

    Pode mandar os salmos que eu publico, se bem que já está maduro aquele seu blog, lembra?
    Deus não se abala, creio eu, pois na verdade estaremos xingando nossas falsas crenças e não a Ele, se é que Ele tem tempo para gente menos importante, como nós.

  10. Pingback: Lou Mello

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