A Gruta do Lou

Sal insípido

Os noticiários estão repletos de informações sobre violências. Ontem, foi um dia trágico para a humanidade e o dia anterior idem. Assassinatos, destruição do planeta, invasões de países e sua autonomia, corrupção, roubalheira generalizada, mentiras, adultérios, traições, sexo ilícito ou promiscuo e vai por ai.

Pode ser impressão minha, mas tenho a sensação que as pessoas estão correndo na direção errada. Sou antiquado e ainda acredito que a igreja deveria ser o sal da terra. Em outras palavras, lutar pela preservação da humanidade. Não penso, propriamente, em termos materiais ou de moralidade, apenas. Há que haver alguma moral e não sou a pessoa indicada para determiná-la. Ainda penso que a minha liberdade termina onde começa a do próximo.

Entretanto, a igreja tomou o rumo do sal insípido. Perdeu sua melhor característica e passou a andar de mãos dadas com os predadores da Terra. Há exceções. Falo da igreja como um todo. Só há uma maneira de encontrar a paz: adotando a paz, mas a igreja não defende mais os meios pacíficos, antes adota posturas a favor da violência. Não é raro vermos cristãos defendendo a pena de morte como solução contra a violência, a homofobia, o anti-sionismo, o racismo, as armas, o aborto e outras posturas violentas.

Mas isso não é o pior, a igreja tornou-se adepta da ganância e da cobiça. Ser pobre é pecado. Deus nos colocou por cabeça e não por cauda. Sucesso financeiro nessa vida é a meta. Podemos viver em um planeta com mais de seis bilhões de ricos? Ainda que acabemos com ele, consumindo todo o petróleo, metal, água e terra disponíveis, não lograremos tal intento.

Só existe uma forma de convivência: resgatarmos a moral. Não o moralismo canhestro e tendencioso da Igreja no passado, mas a moral pregada e ensinada por Jesus Cristo. A moral do Sermão da Montanha: “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas”. Mt 7:12

Nós não precisamos ser ricos materialmente falando. Precisamos ser ricos morais. Cada um buscando a felicidade do outro. Assisto, bestificado, a insistente pregação do “faça a sua parte”. Danem-se os outros. Neemias não foi fazer a parte dele do muro. Ele foi dar o exemplo para todo o seu povo. Seu objetivo era despertar todo mundo para a necessidade de construir o muro e defender a nação contra os inimigos, mas sabia, de ante mão, que isso só seria possível se todos se unissem e trabalhassem juntos.

A contabilidade financeira é implacável. Cada centavo que ganhamos empobrece alguém, em algum lugar. Cada copo de água consumido é um copo de água a menos para a humanidade como um todo. Cada litro de gasolina consumido é algo a menos na camada de ozônio e um ponto a mais a favor do fim da possibilidade de vida nesse planeta.

Não sei quando decidiremos a favor do nós ao invés do eu. Espero que não seja tarde demais. Pode ser uma postura romântica, mas ainda nutro esperança na Igreja. Sou tolo o suficiente para crer que Deus a escolheu para desempenhar esse papel e essa missão. Agora não se trata mais de continuar com nosso proselitismozinho. Chegou a hora de salvar a humanidade. Não há tempo mais para ficar nutrindo essas bobagens neo-pentecostais ou ortodoxas. O mundo está em fase terminal enquanto esses caras posam de santinhos. Como diria Karl Barth, aquele neo-ortodoxo exótico, se continuarmos assim conheceremos o inferno logo ou o legaremos aos nossos descendentes.

A gruta não é lugar só dos inaptos para o mundo financeiro ou dos deprimidos emocionais, ela é lugar dos desesperançados com os rumos dos nossos tempos, primordialmente, hoje e sempre. De nada adiantará o sal se ele não mais salgar.

Deus tenha piedade de nós.

6 thoughts on “Sal insípido

  1. Sem dúvida…
    God bless you.
    T.
    PS: Onde estiverem 2,3 reunidos em Seu Nome, Ele promete estar no seu meio…

  2. Hoje, tem sido um esforço imenso para mim tentar voltar a pensar em uma igreja que seja sal e luz. Outrora eu já fui mais otimista, mas agora sou só desalento.

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