Renascer, Obama e o arrependimento.

Obama e Warren

 

Sei que o evento mais importante, hoje, é a inauguração do governo Obama, cercado de tanta gente boa, sem pecados, o tipo de gente capaz de apedrejar a mulher adúltera sem remorsos. Falei um pouco do desabamento da Igreja Renascer. De fato ela ruiu por inteiro. Acho que o pessoal do céu nem contou nada para o chefão deles, para não azedar o humor de Jeová.

Mas não estou com muito apetite para ficar nesse lugar comum, como se a Gruta fosse um desses blogs veiculadores dos estereótipos da hora. Não estou dizendo que somos melhores ou piores, apenas essa não é nossa praia. O papo aqui gira mais em torno das tragédias mais crônicas, não de umas cento e poucas pessoas sob escombros, mas de milhares de seres esquecidos pelo universo sob as colunas desabadas pelas atrocidades cometidas por um bando de loucos ateus ou não.

Faz tempo que espero um novo governo capaz de dizer no discurso da cerimônia de posse algo como: nosso ministério mais importante é o da justiça e não o da economia. Mas morrerei sem ouvir tal disparate, creio. Alguém capaz de cancelar todo tipo de lista de nomes incluídos por não fazerem aquilo que se esperava deles ou colocar os juízes no banco dos réus, só um pouquinho. Um cabra arretado com coragem de decretar o fim dos processos de despejo e dos vistos de entrada.

Um negro capaz de liquidar com a AIDs da África enquanto deixa os bancos e seus banqueiros praticar o auto salvamento, esse sim seria um negro de alma negra. Me amarro mais no nazareno, hoje. Todo mundo estava preocupado em se livrar do domínio romano e ele queria arrependimento das vítimas. Que tolice. Fosse eu, liderava uma revolta inesquecível, bem terrorista, com flexas flechas e lanças caseiras sendo atiradas naqueles  italianos de Roma vestidos com saias curtas e ridículas, de dia e de noite.

Mas já sei o que vai rolar por aí. Todo mundo ligado na posse do Obama, os evangélicos loucos para ver o Rick com aquela cara de vencedor insuportável enquanto a esperança do pobre, do mendigo, do endividado e do estressado continuará além de tudo que se pode sonhar, para nunca chegar.