A Gruta do Lou

Reflexões sobre a nossa generosidade

Dentre as minhas reflexões sobre a nossa generosidade, penso que fala-se muito em evolução das espécies e isso torna-se interessante quando vemos, nas mídias sociais, os cães e os gatos, gatos e aves, leões e cães, etc., comungando a mais ampla generosidade entre eles, enquanto nós, da espécie humana caminhamos para a mais completa falta de entendimento mútuo. Talvez, nunca tenhamos sido tão violentos, tão insensatos, tão preconceituosos, tão intolerantes e vai por aí, quanto temos sido em nossos dias.

Tudo que posso dizer é que estou me sentindo despedaçado, sem esperança e a única possibilidade que me mantém vivo é que Deus e o filho dele sejam mesmo uma realidade. Claro que minha família é a minha âncora humana principal, mas refiro-me ao todo que inclui todas as dimensões, a espiritual inclusa, obviamente.

Nos últimos dias, o menino sírio Aylan perdeu sua vida, junto com a maior parte de sua família, para entrar na história como símbolo da mais completa intolerância entre os seres humanos, desde que Deus moldou o primeiro de nós com barro e água. Se não me engano, estamos caminhando a passos largos para a completa e definitiva extinção de nós mesmos.

Diga-se de passagem, o Estado Islâmico persegue os cristãos, primariamente, argumentando que o cristianismo é a religião dos Estados Unidos e seus aliados, sem levar em conta que o cristianismo também teve sua origem no oriente médio, aliás, bem antes de Maomé existir. Os norte americanos só se apropriaram como tantas outras coisinhas.  Talvez devamos contra argumentar que o cristianismo é muito mais uma religião médio oriental do que o Islã, devido ao fato de ser mais velha. A Missão Portas Abertas (Open Doors Mission) arrecada milhões aqui e mundo afora para combater a falta de liberdade religiosa no Oriente Médio, mas parece que seu trabalho tem sido inócuo. Foi-se o tempo que aquilo era uma missão cristã, agora parece mais uma loja de quinquilharias religiosas, em minha opinião.

Para todos os lados que olharmos não veremos mais nenhuma referência em generosidade e humildade dentre os nossos, pois até o Dalai Lama amancebou-se e recebeu o Prêmio Nobel da Paz, deixando as promessas celestiais para lá. Mandela e Martin Luther King também receberam a grana, a medalha e o diploma Nobel, o inventor da dinamite. Jean Paul Sartre foi um dos que recusou o prêmio por razões individualistas. Os regimes socialistas da União Soviética (comunismo) e da Alemanha (nazismo) proibiram ganhadores oriundos de receber seus prêmios por razões políticas.

Billy Graham (autor do livro Anjos) costumava contar a história de um indivíduo tido como o cara mais humilde da paróquia. Tanto que resolveram lhe dar uma medalha por sua ilibada humildade. No dia da entrega, a mesma pessoa que entregou a medalha ao rei da humildade a tomou em ato contínuo, declarando que ele acabara de perder o posto ao receber o prêmio. Sem dúvida, faltou-lhe humildade.

Com a facilidade das comunicações globalizadas, a disseminação das maiores mentiras da história universal ganhou proporção astronômica. Outro dia um casal bem jovem conversava ao meu lado em uma loja dos correios e pude ouvi-los enumerando as suas preocupações um para o outro, tais como: Aquecimento global, buraco negro, fim da água e muitas das mais portentosas mentiras criadas até hoje, que como diz o nosso maior filosofo, de tanto repetirem viraram verdades.

Para mim, nisso tudo, o mais paradoxal é alguém acreditar que a água vai acabar, pois não há meio dela sair do planeta água, como bem nomeou outro de meus colegas do Vocacional, embora ele nem saiba de minha existência, acho. Tenho mesmo esse defeito de não esquecer de todas as pessoas que passaram por minha vida, só de algumas.

A água é um dos elementos mais desafiadores desse planeta Terra. Está aqui desde os tempos de Noé e ainda estará aqui junto com todas as gerações vindouras, enquanto elas houverem e também quando não houver nenhum de nós mais sobre a terra. No máximo, ela varia entre os estados líquido, gasoso e sólido, para nos manter vivos. Fora a reserva mantida com sal nos mares, para não estragar. Claro, se ficarmos sem gravidade algum dia desses, talvez fiquemos mesmo sem água, mas qual dos perdidos no espaço precisará de água nesse caso?

Mas a ameaça não vem de Deus e seus superpoderes e sim dos capitalistas selvagens que resolveram engarrafar toda a água existente e nos obrigar a comprá-la compulsoriamente se desejarmos continuar vivos. Uma baita sacanagem nada generosa. Adoro quando o médico me diz que preciso tomar mais água. Tenho vontade de trucida-lo.

O fato é que a generosidade caiu de moda e está em desuso, com raríssimas exceções. Desde a rua em que moramos até o Mar Mediterrâneo, passando pela maioria dos continentes o que se vê é assassinato, roubos, mentiras, cobiças e vai por aí. Tanto as minhas mais de trinta bíblias (inclusive algumas católicas) quanto ao Alcorão condenam essas práticas e as têm como pecados dignos de condenarem seus praticantes ao fogo do inferno (quem lê entenda).

Enfim, há dois mil anos atrás, como diria nosso mestre Raul Seixas, Jesus já havia perdido a esperança na resignação do ser humano e resolveu resolver ele mesmo o problema, morrendo por todos, como se fosse o cordeiro sem mácula. Para mim, ele era, posto que nunca cometera esses pecados. Quisera eu poder dizer que nunca pequei, muito ao contrário, mas tento seguir com certa generosidade pelos dias que me restam.

Gostaria muito que o pessoal lá do Lar Cristão que está cuidando de minha mãe parassem de me ameaçar com a devolução da velhinha por causa de ninharias e começassem a praticar mais generosidade com esses dois idosos, ela e eu. Bolas.

Capricornio PB

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *