Reflections on Independence Day


Nossos políticos situacionais atuais querem por toda lei promover nosso país do G20 para o G8. Não consigo levar esse propósito a sério e nem sei se isso seria interessante para o povo brasileiro. Sabe, gente como você e eu, carente de numerário suficiente para manter as contas básicas em dia, comer e passear em algum Shopping Center de vez em quando, com ar de quem fez compras, mas em verdade, só tomou uma casquinha do McDonald’s, estamos mais interessados em Bolsas Família, Sua Casa sua vida, Leve Leite e o que vier de graça. Antecipar a aposentadoria também seria legal… ah, quem sabe algum hospital onde não nos atendam no corredor e até haja um ou outro médico. Pode deixar o G8 pra lá.

As diferenças entre aqueles países e o nosso são estratosféricas. Em uma de minhas viagens aos EUA, tive oportunidade de visitar a Choupana onde Abrahan Lincon nasceu, no Kentucky. Por algum descuido da Biblioteca Nacional dos gringos, a Declaração de Independência deles foi parar em uma banca de tudo por US$ 4,99. Eu que não sou tolo, quando a vi, tratei de arrematá-la antes que algum outro brasileiro espertinho aparecesse e o fizesse na minha frente. Tenho-a aqui até hoje. Qualquer dia, lasco uma foto dela para você e toda a galera verem, a foto em epigrafe, certamente foi feita a partir de alguma cópia, já que a original está comigo. Ela tem duas coisas em abundância, é uma declaração de muitas palavras, que refletem a opinião do povo dos treze estados da época (hoje são 50) e termina com uma pá de assinaturas, acho que a loja maçônica local inteira assinou o documento.

Enquanto isso, a nossa só tem duas palavras (a saber: Independência ou Morte) e nenhum documento , pasmem, foram ditas ou proclamadas pelo próprio opressor, ou seja, o representante máximo de Portugal em nossas terras, naqueles dias. Inclusive, em agradecimento pelo feito,  fizeram-no logo o Primeiro Imperador do Brasil. Legal né, o cara era tão libertador que, poucos anos depois, partiu para sua verdadeira pátria, Portugal, para assumir o trono lá. Não sei se ele não entrou para o Guinness, mas deveria estar lá, como o único cara que foi rei de duas nações, em diferentes continentes.

Dizem, por aí, inclusive, que ali no Ipiranga, ao lado daquele riacho que jaz canalizado, ao ver um destacamento do exército português se aproximando, em sentido contrário e imaginando que vinham para obstar-lhe o intento de visitar sua amante, a Marquesa de Santos, D. Pedro teria gritado essas palavras, nem tanto para proclamar a independência do Brasil, mas a dele. Os ancestrais de Maluf, Lula, F. Henrique, Dilma e José Dirceu que o acompanhavam não teriam perdido tempo e desembainharam suas espadas e gritado Viva o Brasil, Viva o Brasil. Ato continuo, a imprensa divulgou aquilo como a proclamação da Independência do Brasil e assim permaneceu. Inclusive porque Portugal perdera o apetite por nossas terras (ou seriam do Eike Batista?), pois fora informado que as riquezas brasileiras em ouro e pedras preciosas já se haviam esgotado. Parece que o portador de tal mentira foi um ancestral do Sr. João Havelange. Claro que não acredito nessas histórias.

Mudando de pato a ganso, os povos primitivos não tinham médicos nem pastores (ou padres). Com o tempo, sem entender bem os astros, concluíram que o Sol e a Lua se tratavam de deuses, pois mantinham a Terra quente e iluminada. Com o passar do tempo, certamente após o pecado original, as pessoas começaram a ficar doentes. No começo, todos reivindicavam dos deuses (Sol e a Lua) a cura de seus queridos, até descobrirem que havia um cidadão lá, cujas petições eram atendidas com mais frequência, enquanto as outras, nem tanto. Então transformaram o gajo das orações respondidas em Pajé, o responsável por interceder junto aos deuses em favor dos doentes, para que fossem curados. Esse individuo sofisticou-se, pois adotou várias práticas em seu trabalho ministerial, além de falar com os deuses, como a unção dos enfermos, a administração de chás provenientes de plantas silvestres e a prescrição de receitas aos pacientes, contendo indicação do que comer ou não, alguns exercícios e coisas assim. Com o tempo, as tarefas se multiplicaram, os pajés ficaram assoberbados e os chefes resolveram dividir as tarefas em dois. Um deles ficaria com a parte da comunicação com os deuses e o outro com o atendimento aos doentes. Assim nasceram os primeiros pastores e os primeiros médicos.

Hoje, os médicos não acreditam nos pastores e vice-versa.

E o que isso tem a ver com a independência? A meu ver tudo.