A Gruta do Lou

Razão e sensibilidade no chão são deveres do cristão.

No post anterior há uma citação de Stanley Jones sobre a passagem de Pedro e João, ocasião em que, ao invés de darem uma esmola a um deficiente, resolveram curá-lo, mencionando o fato de não terem dinheiro.

O homem estava solicitando contribuições, provavelmente, por não imaginar que pudesse haver qualquer chance de ver seu quadro físico modificado. Imagino que não deveria ser fácil trabalhar como as outras pessoas, em seu estado, considerando que a maior parte dedicava-se ao cultivo ou à criação de animais. Se fosse hoje em dia, especialmente aqui no Brasil, ele não precisaria ser curado por causa disso, uma vez que dispomos, em lei, a obrigatoriedade das empresas empregarem uma porcentagem de deficientes e, certamente, todas a cumprem, rigorosamente. Dizem que há uma sobra considerável de vagas para essas pessoas no mercado de trabalho brasileiro. Se ainda houver pedintes deficientes pelas ruas, será um paradoxo, apenas.

Mas desejo mencionar outros aspectos da questão. Pedro e João fizeram aquilo com uma segurança ímpar. Uma vez, em uma reunião de oração, estava presente um senhor que havia perdido os movimentos das pernas, e sei lá o que mais. As pernas era certo, já que ele vestia um daqueles aparelhos ortopédicos horrorosos e andava apoiado em muletas. Aquela situação me incomodou muito, particularmente, porque eu era o principal líder da reunião e considerado possuidor de dons e talentos incomuns. Decidi e fui em direção ao homem, ordenando que levantasse. Não era tarefa fácil para ele, mas obedeceu e teve ajuda de outros irmãos. Cheguei a ouvir um certo zum-zum-zum dos presentes, mas estava resoluto. Impus minhas mãos nele e mandei brasa. Claro que omiti a parte do “não tenho prata nem ouro”, diferentemente de Pedro e João não tenho ascendência judaica e sou um tremendo mão aberta. A lista de doações que realizei nessa vida é infinita e vai de moeda a automóvel, fui logo para o “você está curado em nome de Jesus“. Como sempre, virei e saí de perto do cara. Eu o encontrei muitas vezes depois. Cheguei inclusive a fazer negócios com ele, mas ele nunca me pareceu acreditar que havia sido curado, pois continuava com o aparelho e andando com as muletas. Sujeito incrédulo aquele.

Acho que no caso citado na Bíblia valeu muito a fé da vítima. Não fosse isso, ele nunca teria sido curado e, ainda por cima, teria ficado sem nenhuma contribuição daqueles dois mãos de vaca.

Agora, considerando o que disse o doidivanas do Stanley, quando não tenho dinheiro para dar a um pedinte e sou incapaz de fazer milagres, o que devo fazer? Para dizer a verdade, prefiro que essas pessoas inoportunas não me abordem. Acho horrível dar uma desculpa esfarrapada a eles. Sim, porque ando tão duro que se der uma moeda a quem me pede estarei prejudicando alguém lá em casa, sem falar nas organizações não governamentais que contam com nossas contribuições e não aceitam que sejam dadas aos mendigos. Além disso, se eu fosse como Jesus de Nazaré, deveria dar às pessoas aquilo que elas realmente precisam e não o que pedem irresponsavelmente.

Enfim, essa é mais uma passagem bíblica capaz de me deixar estático e, absolutamente, impotente. Não sei se vou, se fico ou o que. Se ficar o bicho me comerá e se correr o bicho me pegará. Estou frito. Espero, todos os dias, que os incrédulos nunca mais se aproximem para fazer seus pedidos imprudentes. Acho que não terei coragem, de novo, para curar um deficiente, mesmo que seja só uma unhazinha encravada e moedas…

4 thoughts on “Razão e sensibilidade no chão são deveres do cristão.

  1. oi Lou
    este texto também me impacta… inclusive, duvido que não impacte a quem o leia com verdadeira atenção.
    a firmeza dos apóstolos me entusiasma, bem como a fé do homem.
    temos tanto a aprender…
    beijos,
    alê

  2. Oi Lou !! adorei sua visita !!… e vou te contar uma coisa…essa passagem sempre me deixa instigada, ela é pequenina , mas mudou a vida e as condições de vida de um homem…creio que a cura foi o mero detalhe para que Deus fizesse isso. Comigo tb aconteceu assim, me converti diante de um milagre inquestionável que foi a ressussitação (literalmente) do meu filho a 12 anos atrás…ele tinha caído do mezzanino de minha casa em Itamambuca(Ubatuba) de uma altura de mais de 4 mestros e de cabeça pra ajudar, tinha então 2 anos de idade e era bem miudinho, sofreu uma fratura de 22cm em seu crânio e um coágulo quase do mesmo tamanho, entrou em coma, e eu levei 5 horas para conseguir resgatá-lo para SP , eu estava em SP e ele com minha sogra aqui, todos eram convertidos, mesmo a alemã aqui , nunca acreditei no que eu não podia tocar, então Deus me permitiu toca a morte e a vida….meu filho recebeu o óbito as 16 horas e o avião chegou para resgatálo as 17horas e ele chegou no Eistein as 18horas…. saiu de Ubatuba em óbito com mais de uma hora e durante o voo, do nada (??) e diante de minha cunhada e do paramédico, ele começou a me chamar – Quelo minha mãe !!…chegou vivo e falando… não precisou de realizar nenhuma cirurgia, o coágulo se transformou na única hemorragia que o cerebro humano absorve, ficou em observação por 5 dias na UTI do Eistein por que os médicos não conseguiam acreditar, nunca teve uma dor de cabeça ou sequer vomitou um dia e quando saiu do quarto a primeira coisa que aconteceu foi ele cair e bater a cabeça….ou seja: Deus cura e faz milagres….e olha, ninguem impos as mãos sobre ele, ou gritou ao seu ouvido, apenas meu marido ligava para todos os amigos e irmãos e os convocava a orar e interceder ( fiquei sabendo depois que até igrejas em Portugal oravam por ele)… Deus ouve nossas orações.
    Mas creio, que o maior milagre foi mesmo minha impossivel conversão e salvação.
    de verdade Deus me disse: LEVANTA E ANDA!!!
    beijos pra vc

  3. Lou!!!! Eu já disse que te amo mano???
    Só você prá me fazer rir cara…
    Obrigada pela visita viu?
    Obrigada pelo “Yes” que me remeteu aos 20 anos…
    Lí o comente da Alice..rapaz!!!! É vero!!! Eu esatava quase na cena, foi demais. Aquí em Ubatuba, como lá no tempo de Pedro e João acontecem “coisas” inacreditáveis …
    bjk
    🙂

  4. Lou

    Existem dois motivos para sobrarem vagas para pessoas com deficiência :

    A primeira é bem Stanleyniana : a vida toda preferiram dar esmolas ao invés de preparar essas pessoas para a vida.

    A outra é o golpe das empresas que exigem 2o grau completo das pessoas com deficiência (como se todos os seus demais funcionários o tivessem…ah menos de 30% da população brasileira tem 2o grau)

    Quanto ao cumprimento…hahahaha….estás brincando. Essa semana mesmo a Volkswagen (sim, não estamos falando de empresinhas) tomou uma multa de 1,5 milhão por descumprimento da lei.

    Vá em frente. Continue não dando esmolas. As pessoas (todas) precisam é de educação para a autonomia.

    Para quem não conhece sugiro a leitura de “Nós não queremos migalhas”

    http://www.adiron.com.br/mznews/data/migalhas.pdf

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