A Gruta do Lou

Quem diria?


Quem diria? 18 de outubro de 2006 e tantos anos depois, onde estamos?

Brigando as mesmas brigas da juventude. Brigamos quando jovens e depois com os jovens, pelas mesmas velhas e batidas causas. Acho que perdemos a mão em suscitar novas lutas.

Nossa alegria acaba sendo a constatação de novos integrantes no rol dos descontentes, jovens amadurecendo enquanto envelhecemos.

O que nos mantém vivos, no fim, são as nossas angústias. Não apenas isso, descubro nossos relacionamentos sustentados por elas. De repente, não é o amor o sentimento soberano, mas, nossas aflições e sofrimentos.

Um livro, Don’t Waste Your Sorrows (Paul E. Billheimer) ensina que viver é aprender o amor ágape. Olho para trás e percebo quanto estava longe dele. Ao encarar o futuro me angustio com a indagação: Será?

O mestre itinerante da Galiléia era o amor ágape encarnado. Sabia o que fazer, dizer e como agir. Nunca sei o que fazer e muito menos o que falar. Sempre metendo os pés pelas mãos, sigo de erro em erro sem nunca acertar, plenamente.

Sou o engano encarnado. Sofro sem esperança. Me angustia pensar em mudar para o melhor. Foi sempre assim. Tenho que mudar, mudar, mudar. Nunca soube para onde ou o que. Deve ser essa a razão de minha simpatia por um Cristo capaz de receber-me como sou.

Eis o dia, o resto desse ano e o resto da vida. Não tenho a menor idéia sobre o que fazer. Mas, estou cheio de medos. Então, recebo consolo e afagos. Cristo morreu por mim. Esse é dez. E continuo na mesma. Para onde ir? Sei lá.

Talvez consiga descobrir o caminho antes dele me matar. Me lembro de uma placa na Av. São João: “Ônibus no Contra-fluxo”. Todas as vezes que passávamos por ali, meu pai repetia: Sem entender o que isso quer dizer, já morreram muitos baianos aqui. (Nada contra os nascidos na Bahia, meu pai era do tempo em que todos os nordestinos em São Paulo eram baianos).

Às vezes alongo o texto para o tempo passar, assim, jogo a decisão sobre o que fazer mais para a frente. Quem sabe termino quando o dia acabar e posso me iludir pensando: amanhã resolvo tudo.

Quem diria, aquele menino inteligente e sagaz perdido em uma gruta. Também, se saio verei o que? Deus perdoando todo mundo? Tô fora.

2 thoughts on “Quem diria?

  1. Como eu poderia decepcionar-me com alguém como você, que não oferece nada e nem arroga ser qualquer coisa?
    Qualquer um que entra aqui não deve esperar receber nada de instrutivo, mas mesmo assim recebe. É lucro!
    Duro é ouvir propaganda e promessas e depois decepcionar-se.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *