A Gruta do Lou

Quase Natal

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Detesto o clima de “quase natal”. As pessoas ficam dizendo: “Ah! Mas já é quase natal”. Pior é o que vem depois, ou seja, “vamos deixar para resolver isso depois das festas”. No Brasil, como você e eu sabemos, “depois das festas” não é após a comemoração da chegada do ano novo, cantando “Adeus ano velho”, mas significa depois do Carnaval ou, para os mais católicos, logo após a Quaresma.

Tudo bem, se isso não tivesse nada a ver com decisões sobre trabalho, enfermidades e essas bobagens. Meu plano, agenda, seja lá o nome que você costuma dar, para este ano (2009), era mudar para São Paulo e começar de novo. Virou moda dizer que devemos começar de novo, sempre que necessário. Re-inventar a vida, o casamento, a carreira, etc.

Há anos, estou decidido a começar de novo, igualmente posso afirmar: decidi começar de novo, mas não consegui até agora. Incrível como nada contribui para o bem dos que amam a Deus. Embora seja bom deixar uma ressalva: a menos que o Magnânimo esteja falando como as mulheres, complicadamente para descomplicar no final, se você for suficientemente competente para captar a mensagem principal em meio a um turbilhão de frases, palavras e atitudes lunáticas e desconexas. Entendeu?

Sem dúvida, as mulheres tem uma cota diária para falar, infinitamente maior do que a dos homens. O pior, que não é só isso que temos em menor quantidade do que elas. Calma aí, não é o que você pensou, mas a nossa cota de ouvir, também é muito pequena, enquanto a delas é mínima ou nem existe. Exceção feita à falecida D. Martha Therezinha Godinho, que tinha enorme preguiça de falar, como do resto, e só ficava ouvindo. Deus devia estar com alguma mulher por perto quando criou a mulher.

Sempre que falo mal das mulheres, com o secreto desejo de atraí-las, afinal detesto ajuntamento onde não haja equilíbrio entre presenças femininas e masculinas, uns e outros (as) acham que estou falando da minha esposa. Mas ela é minha hors concours, em outras palavras, o que disse acima não vale para ela. Hoje em dia, nos falamos muito… pelo Orkut, Facebook, MSN, Skype, telefone, celular e até pessoalmente, se bem que, essa alternativa seja rara. Brincadeira. Ela fala muito comigo o dia todo, enquanto a escuto “atentamente”. Mas acho que ela discordará dessa última parte. Por alguma razão que desconheço, sempre dou a impressão de estar meio desligado, enquanto as pessoas falam comigo. Deve ser meu estrabismo.

Sendo assim, a aproximação do natal e suas festas companheiras é motivo de tortura para mim. Só me resta agendar a mudança para São Paulo a se cumprir no ano que vem, pois ninguém acredita que isso aconteça mais, neste ano, que se encerrará breve, logo após o natal. Mas o pior nem é isso, mas a desconfiança de todos sobre minha competência ou falta dela em cumprir minha própria agenda. Eles têm anos de exemplo para esfregar na minha cara.

Bom, “se não há remédio, remediado está”, diria o senhor Nivaldo. Sairei procurando uma árvore parecida com aquelas em que os norte americanos encostam centenas de presentes, na época do natal, depois de previamente decoradas com um monte de objetos sem nexo, para tentar surpreender meu filhinho que já tem idade de produzir-me netos, mas está com algum reflexo da primeira infância. Mas prometi a mim mesmo dar-lhe o que desejasse sem questionar, crendo ser essa a vontade divina. Felizmente ele é um rapaz sensato e honesto.

Afinal, é quase natal.

lousign

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