A Gruta do Lou

Quaresma

A LUTA ENTRE O CARNAVAL E A QUARESMA (1559) — Pieter Bruegel (1564-1638) —


 Algumas conversas com pessoal mais jovem fizeram-me pensar. Quando era jovem reclamava dos mais velhos e sua teimosia em não largar os ossos. Hoje entendo melhor as razões deles. Quando damos espaço para os jovens, uma das primeiras providências deles é defenestrar os mais velhos com a desculpa da modernização.

Não é fácil manter uma sociedade equilibrada. Na história da civilização, isso só foi possível com a colaboração de todos os agentes culturais trabalhando para o mesmo fim, entre eles, a Igreja. Há lugar para a modernização, mas para continuarmos a existir é preciso preservar valores imutáveis, sob risco de sermos tragados pela nossa tendência suicida de nos entregarmos à promiscuidade, liberalidade mórbida, egoísmo, individualismo, etc.

A Igreja sempre desempenhou papel fundamental nessa tarefa, em que pesem suas próprias contradições. Em nossos dias, não é muito fácil encontrar alguma igreja cumprindo seu dever espiritual na manutenção da luz sobre o velador. Nem as tradicionais estão voltadas para isso, mantendo-se meio perdidas em suas liturgias, sobretudo no ensino dos pressupostos cristãos.

Poucos sabem a razão de estarmos comemorando o “carnaval”, muito menos tratar-se de evento incluso na agenda cristã, como parte da Septuagésima (a criação, elevação e queda do homem), os dezessete dias que antecedem a quarta feira de cinzas. A quarta-feira abre a Quaresma, período de quarenta dias, culminando com a semana santa, quando a chamada Paixão de Cristo é lembrada em ritos próprios.

Para a pastorada um tanto incapaz na elaboração de sua agenda anual de cultos e pregações, essa é a melhor agenda para qualquer igreja comprometida com a boa ortodoxia. Mas funciona muito bem para o cristão comprometido, pois com ela poderá organizar a sua própria agenda devocional.

Após a ressurreição comemorada no Domingo de Páscoa da chamada Semana Santa, até o Domingo de Pentecostes (cinquenta dias após) estuda-se os trechos dos evangelhos pós ressurreição de Cristo, até sua Ascensão, no Pentecostes. Daí voltamos ao Antigo Testamento e reiniciamos a preparação da vinda do Messias no Natal, a partir de Gênesis.

Se fosse pastor de alguma igreja, nesta quarta-feira (de cinzas) proporia fazermos um culto especial de abertura da Quaresma, a partir de uma agenda devocional para os quarenta dias do período.

Nessa quarta-feira iniciarei à minha Quaresma quando pretendo cumprir os ritos de penitência, oração, caridade e jejum. Até minha mãe deverá receber alguma tolerância extra, o que me renderá enormes dividendos celestiais, certamente. Entre outras atividades, postarei quarenta posts sobre o tema (um em cada dia). Certamente esses rituais serão contemplados nesses escritos, alguns já postados, inclusive.

Na última semana, batizada de A Semana Final, comentarei nos posts os acontecimentos narrados pelos evangelistas em cada um dos dias correspondentes à última semana de Jesus, tomando como base o evangelho de Marcos e a ajuda do Marcus Borg e seu livro A Ultima Semana. Mas não pretendo copiar esse matéria e sim, compartilhar minhas reflexões a respeito.

Os que me conhecem há mais tempo sabem bem que não sou lá muito fiel às minhas propostas bloguísticas. Mas creio nessa.

Você é meu convidado a participar dessa experiência religiosa ao estilo Gruta, sem maiores burocracias. Se desejar declarar apoio, fique à vontade, mas não há obrigatoriedade. Contribuições? Isso é lá com Santo Antônio ou no Posto Ipiranga. Bem, o Projeto Coração Valente está à disposição (ao lado) dos mais pródigos, fique à vontade.

Deus abençoe a todos.

Beijos nas carecas e perucas.

 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Tempo da Quaresma é o período do ano litúrgico que antecede a Páscoa cristã, sendo celebrado por algumas igrejas cristãs, dentre as quais a Católica1 , a Ortodoxa2
3 , a Anglicana4 , a Luterana5 .

A expressão Quaresma é originária do latim, quadragesima dies (quadragésimo dia). O adjetivo referente a este período é dito quaresmal ou, mais raro, quadragesimal6 .

Em diversas denominações cristãs, o Ciclo Pascal compreende três tempos: preparação, celebração e prolongamento. A Quaresma insere-se no período de preparação.

Os serviços religiosos desse tempo intentam a preparação da comunidade de fiéis para a celebração da festa pascal, que comemora a ressurreição e a vitória de Cristo depois dos seus sofrimentos e morte, conforme narrados nos Evangelhos.

Esta preparação é feita através de jejum, abstinência de carne, mortificações, caridade e orações.

A separação do Carnaval e o período da Quaresma inspira um vasto grupo de tradições folclóricas, algumas oriundas de ritos anteriores ao Cristianismo referentes ao pouso do inverno e do posterior renascimento primaveril da terra, no hemisfério norte

Tempo da Septuagésima

Ver artigo principal: Tempo da Septuagésima

Em alguns ritos e denominações cristãs, o período de preparação para a Páscoa inicia 17 dias antes da Quarta-feira de Cinzas, chamado Tempo da Septuagésima. Neste tempo de preparação remota, a liturgia apresenta a criação, elevação e queda do homem7
8 . Este tempo inicia com o Domingo da Septuagésima, abrange os domingos da Sexagésima e Quinquagésima, até a Quarta-feira de Cinzas, início da Quaresma.

Quarenta dias



TENTAÇÃO DE CRISTO (1663) — Philips Augustijn Immenraet (16271679) — Museu João Paulo II, Varsóvia.

Quadragesima, expressão latina típica na liturgia, denomina o período de quarenta dias de preparação para a Páscoa e que alude ao simbolismo do número quarenta com que o Antigo e o Novo Testamento representam os momentos salientes da experiência da da comunidade judaica e cristã.

Em seu simbolismo, este número não significa um tempo cronológico exato, ritmado pela sequência de dias; mas uma representação sociocultural de um período de duração significativa para uma comunidade de crentes.

Na Bíblia, o número quarenta aparece em diversos momentos significativos, a saber:

Antigo Testamento

Na história de Noé ( Gn 7, 4.12; 8, 6), durante o dilúvio, é o tempo transcorrido na arca, junto com a sua família e com os animais. Após o dilúvio, passarão mais quarenta dias antes de tocar a terra firme.

Na narrativa referente a Moisés, é o tempo de sua permanência no monte Sinai – quarenta dias e quarenta noites – para receber a Lei ( Ex 24, 18). Quarenta anos dura a viagem do povo judeu do Egito para a Terra prometida (Dt 8, 2.4).

No Livro dos Juízes, refere-se a quarenta anos de paz de que Israel goza sob os Juízes ( Jz 3, 11.30).

O profeta Elias leva quarenta dias para chegar ao monte Horeb, onde se encontra com Deus ( 1 Rs 19, 8). Os cidadãos de Nínive fazem penitência durante quarenta dias para obter o perdão de Deus ( Gn 3, 4).

Quarenta anos duraram os reinados de Saul ( At 13, 21), de Davi ( 2 Sm 5, 4-5) e de Salomão ( 1 Rs 11, 41), os três primeiros reis de Israel.

No livro dos Salmos o simbolismo do número quarenta está presente no Salmo 95, no trecho em que se recita “Durante quarenta anos essa geração desgostou-me”.

Novo Testamento

Jesus foi levado por Maria e José ao Templo, quarenta dias após o seu nascimento, para ser apresentado ao Senhor ( Lc 2, 22).

Jesus, antes de iniciar a sua vida pública, retira-se no deserto por quarenta dias e quarenta noites, sem comer nem beber ( Mt 4, 2; Mc 1, 13; Lc 4, 1-2).

Durante quarenta dias Jesus ressuscitado instrui os seus discípulos, antes de subir ao Céu e enviar o Espírito Santo ( At 1, 3).

Igreja Católica

Na Igreja Católica, o Tempo da Quaresma decorre desde a Quarta-feira de Cinzas até a missa vespertina da Quinta-Feira Santa inclusive, com que se inaugura o Tríduo Pascal. A semana que precede a Páscoa é chamada pela tradição de Semana Santa9
10 .

Antes da reforma litúrgica pós-conciliar, havia ainda os períodos denominados quinquagésima, sexagésima e septuagésima8 .

Tempo de penitência, oração e conversão

O Papa Bento XVI, na Audiência Geral de Catequese, no dia 22 de Fevereiro de 2012, sobre o significado litúrgico dos “quarenta dias da Quaresma“, assim definiu:

“Trata-se de um número que exprime o tempo da expectativa, da purificação, do regresso ao Senhor e da consciência de que Deus é fiel às suas promessas.” 11

No que se refere aos dias e tempos de penitência, o Código de Direito Canônico da Igreja Católica prescreve todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma (Cân. 1250) 12 .

Na disciplina católica, todos os fiéis, cada qual a seu modo, têm obrigação de fazer penitência. Prescreve-se, neste contexto disciplinar, que nos dias de penitência os fiéis de modo especial se dediquem à oração, exercitem obras de piedade e de caridade, se abneguem a si mesmos, cumprindo mais fielmente as próprias obrigações e sobretudo observando o jejum e a abstinência, segundo as normas do Direito Canônico (Cân. 1249)12 .

Os fiéis são exortados a guardarem a abstinência de carne ou de outro alimento segundo as determinações da conferência episcopal, todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades. Os fiéis devem seguir o preceito da abstinência e do jejum na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo (Cân. 1251)12 .

A obrigação do cumprimento da lei da abstinência recai sobre os maiores de treze anos. Estão sujeitos à lei do jejum todos os maiores de idade até terem começado os sessenta anos. A norma canônica insiste que todas as pessoas, mesmo as dispensadas da lei da abstinência e do jejum, sejam formadas no sentido genuíno da penitência (Cân. 1252)12 .

Após a reforma conciliar a adaptação das práticas de penitência nos diversos lugares do mundo, ficou sob a responsabilidade das conferências episcopais. Estas “podem determinar mais pormenorizadamente a observância do jejum e da abstinência, e bem assim substituir outras formas de penitência, sobretudo obras de caridade e exercícios de piedade, no todo ou em parte, pela abstinência ou jejum” (Cân. 1253)12
13
14 .

Liturgia quaresmal

Quarta-feira de Cinzas

A liturgia da Quarta-feira de Cinzas (Feria quarta cinerum, em latim) abre o tempo da Quaresma, não se dizem o Glória, nem o Creio, na missa
9 . O nome vem das cinzas que nesse dia são bentas e impostas na cabeça dos fiéis, como símbolo da vida efêmera e passageira e convite à penitência15 .

O rito da bênção das cinzas realiza-se na quarta-feira que precede o primeiro domingo da Quaresma, antes da missa principal, para logo em seguida, e durante todo o dia, ser imposta aos fiéis que o pedirem. A cinza é proveniente dos ramos bentos da do Domingo de Ramos do ano anterior. A imposição se faz no alto da cabeça, em forma de cruz acompanhada de uma das seguintes das admoestações:

Convertei-vos e crede no Evangelho! ( Mc 1, 5)

Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar! (Gn 3, 19)

Não é necessário que o rito da bênção e imposição das cinzas seja unido à missa; pode ser celebrado sem missa.


Domingos e solenidades

A Tempo da Quaresma tem seis domingos, que são chamados de I, II, III, IV, V e Domingo de Ramos da Paixão (VI). Esses domingos têm sempre precedência, mesmo sobre as festas do Senhor e sobre qualquer solenidade9 .

As solenidades de São José (19 de março) e da Anunciação do Senhor (25 de março), assim como outras possíveis solenidades dos calendários particulares, são antecipadas para o sábado ou são adiadas para a segunda-feira, caso coincidam com esses domingos9 .

Nos domingos da Quaresma não se canta ou recita o hino do Glória, nem se canta ou recita o Aleluia; faz-se, porém, sempre se faz a profissão de fé9 .

O quarto domingo da Quaresma é denominado Domingo Laetare, assim chamado pela primeira palavra do introito em latim: Laetare Jerusalem (Alegra-te, Jerusalém!). Os paramentos da missa e do ofício solene podem ser rosáceos15 .

O sexto domingo da Quaresma é denominado Domingo de Ramos (Dominica palmarum, em latim), domingo que precede a festa da Páscoa, assim chamado porque antes da missa principal se realiza a bênção dos ramos, seguida de procissão15 .


Cores litúrgicas

A cor litúrgica do Tempo da Quaresma é o roxo; para o 4º domingo, chamado domingo da alegria, é permitido o uso da cor rosa. No Domingo de Ramos, a cor das vestes litúrgicas do celebrante é a vermelha (IGMR, n. 346)9
16 .

 

Tempo da Quaresma

Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.

Jejum

O jejum é um período em que pessoas fazem restrições alimentares como penitência por seus pecados e/ou em favor de causas justas, pessoais ou comunitárias.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *