A Gruta do Lou

Quanto tempo nos resta?


“Reconheçam o que têm diante dos olhos e o que é oculto lhes será revelado”.

Jesus no Evangelho apócrifo de Tomé

 

Tenho repetido muito, ultimamente, que preciso cuidar bem do meu tempo, falo do tempo que me resta.

Quando era bem jovem, a sensação de vida infinita era muito grande e, com isso, desperdiçava meu tempo, grandemente. Nos dias atuais, meu sentimento em relação a isso mudou para a pergunta: De quanto tempo disponho, realmente?

Tudo bem, ninguém sabe a hora em que partirá dessa para sabe-se lá qual, nem mesmo os grandes monges que lograram perder o medo da morte. Entretanto, creio ser possível fazer estimativa mais realista do tempo que me resta.

Viver como se tivesse séculos a frente, ainda, me parece coisa de lunáticos que pisam nas nuvens e não conseguem cair na real, principalmente os que chegaram à minha idade atual. Seja por qual fração escolhida, das metades ou dos terços, já entrei na última delas com grande chance de estar no meu último quarto, também, a não ser que tenha sido vítima daquele vírus que contaminou o Niemayer.

Nos últimos dias, talvez influenciado pela onde do “Ano Novo”, tenho martelado minha moringa pra caramba a respeito de tudo que ando fazendo e a pergunta impertinente é: Será que ainda tenho tempo para isso? Em relação a cada uma de minhas atividades presentes.

De repente, admito que a maioria dos projetos, se não todos, em que estou metido, não estão andando. Sendo assim, tudo isso pode estar desviando meu olhar do que pode estar diante dos meus olhos e precisa ser reconhecido. Se essa idéia estiver correta, a cada dia que passa, fico com menos tempo de descortinar o que ainda pode estar oculto.

Algum outro sábio antes de mim já disse que saber a hora de parar é uma grande virtude. Cara, estou com uma vontade enorme de carimbar “stop” em um monte de processos ou em todos.

O Projeto Coração Valente, por exemplo, tudo bem que tem a ver com meu filho, é bonito, simpático e etc., mas não decola. Se eu te contar quanto recebi de apoio no ano passado, com site, apelos, E-mails e tudo mais, você suspeitará de minha verdade. Sabe o fome zero, tá por aí. Não que grana seja o mais importante, mas é um parâmetro importante. Será que ainda disponho de tempo para isso? Quanto? E para que?

O Cleaner (direcionado ao problema das dependências químicas) não seria outra malhação em ferro frio?

E essa minha mania de dar consultorias para ONGs, captação de recursos, etc.? Meu, faz tempo que esse negócio não engrena, nem no tranco. Trabalhar em uma empresa de Marketing o ano passado, que arrecada milhares de reais sem qualquer causa real, metendo a maior parte do dinheiro arrecadado no bolso e repassando migalhas para projetos reais, de procedência discutível, me frustrou de forma irreversível. O diabo só premia os seus, ou algo assim, suponho.

Sem dúvida, meu tempo para essas “tentativas” deve estar próximo do fim, se é que já não acabou.

Não acredito na existência de qualquer pessoa imprescindível. Todo mundo é substituível e você ficará surpreso com a rapidez e eficácia dessa possibilidade, quando isso lhe acontecer. Então, se eu ou você deixarmos de fazer o que estamos tentando fazer ou fazendo, não fará falta alguma. Se for algo relevante, rapidinho, aparecerá outro para fazer e melhor.

Na real, acho que só me resta tempo para, de uma vez por todas, ver o que tem estado diante dos meus olhos sempre e deixar que o que está oculto seja, definitivamente, revelado.



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