A Gruta do Lou

Quando um personagem deixa o blog e assume a vida de seu criador

Não encontro palavras para expressar meu sentimento de gratidão devido à preocupação e às manifestações carinhosas dedicadas por vocês, grutenses, a quem imaginam ser uma pessoa real. Não custa lembrar, vez ou outra, que blog também é literatura, pelo menos grandes caras da literatura já encaram esse trem assim.

Como todo escritor, o blogueiro mistura realidade e ficção às suas experiências e sapiências, em doses desiguais buscando produzir o texto. Como em tudo, não sou diferente e, em uma análise mais ou menos culta, devo ocupar lugar entre os menos criativos e capazes nesse mundo blogal. Nem perca tempo em tentar me convencer do contrário, seria o mesmo que dizer ao Quasímodo (brigado Brabo ) que ele não é tão feio assim. Fato é que o Lou que descrevo em minhas mal traçadas linhas pode até parecer comigo, mas é bem diferente de seu criador, na maioria das vezes.

Criei esse personagem narrador, meio cético, pessimista e perdedor imaginando o estado de ego predominante nos interessados em engrutar-se (esse verbo ainda não pode ser encontrado nos melhores dicionários à venda no mercado). Quando tive a brilhante idéia (clonada da bíblia) de criar A Gruta (Blog) pensei com o lado direito do cérebro e imaginei contemplar gente em sofrimento, tais como os endividados, os deprimidos, tristes e marginalizados, seja lá qual possa ser a causa desses estados.

O Luiz Henrique Mello (que não é o Lou Mello, personagem daquele, apenas), poderia ser classificado como um grutense, pois vive endividado a maior parte do tempo, sofre de depressão crônica (não aguda) segundo diagnóstico do Zenon Lotufo Jr, camufla uma tristeza existencial sob o manto de uma alegria irônica e sarcástica, mas a grande diferença entre ele e seu personagem reside em dois aspectos: LHM é mais bonito e mais charmoso do que o Lou. Aliás, já disse isso aqui, várias vezes, embora alguns leitores ou leitoras insistam em não acreditar.

O Lou me envergonha na maioria das vezes, embora acredite que Deus me fez responsável por pessoas como ele, devido à minha tendenciosa mania de tratar pessoas como ele com preconceito e desdém. Sabe, às vezes penso que ele é um vagabundo safado que não é chegado em trabalho e vive da caridade proveniente dos inocentes que ainda não foram convencidos que dar esmolas aos pobres ou à igreja é um grande pecado e uma astronômica burrice. Sem falar no hábito nada recomendável dele em meter o pau nos meus amigos Ed, Ricardo e Rick Mas sou obrigado a manter essa narrativa, pois os manda-chuvas do céu insistem nessas bobagens de criar e idealizar a maioria de seus enviados pobres e necessitados da benevolência do povo que eles mesmos devem cuidar, além de dar-lhes o direito de chamar meus amigos de raposas. . Quando algum personagem celestial vem com grana no bolso, traz consigo uma personalidade fraca e culposa que o transforma em um tolo distribuidor de milagres e sinais, por aí, quando não se entrega pacificamente para morrer em lugar do povo que o maltrata, em alguma cruz desse mundo cheio de aquecimento global.

Sendo assim, recomendo a todos muito cuidado ao relacionar-se com meu personagem. A bíblia nos aconselha a reter o que é bom e dispensar o que não tem serventia. No caso do Lou, nada tem serventia. O cara é chave de cadeia.

Não se preocupem que tão logo o pessoal do andar de cima se distraia eu acabo com ele, narrando seu epitáfio. Afinal, o mundo precisa ser livrado desses parasitas picaretas cheios de necessidades e desculpas para não enfrentá-las.

לּהּמּ

Ps: O Projeto Coração Valente é meu e não desse cara produzido pela ficção de algum maluco.

9 thoughts on “Quando um personagem deixa o blog e assume a vida de seu criador

  1. Lou,
    Acho que encontrei o Raniel. Assista um episódio de “Saving Grace” na Fox (é às terças à noite). Acho que o danado pegou um papel na TV!!!

  2. Rubens

    Assistirei. Será que repete em outro dia da semana? By the way, o Raniel, apesar do aspécto desorganizado e da vida angelical desleixada, é um anjo pra lá de descolado. 🙂

  3. Luiz Henrique, se não me engano você já postou um epitáfio na gruta, um epitáfio com erro de português, como convém a um cara do tipo do Lou.
    ass)Elízabeth

  4. Bete

    A cada ano que passa, mais trocas acontecem. Troco letras, não lembro de um monte de coisas, inclusive como se escreve certas palavras, especialmente dessas pouco usadas, como efitáfio. Mas esses fenômenos começaram muito cedo, lá nos meus dezoito anos, quando errei a casa da namorada e fui buscá-la na casa de uma ex. Nunca vi um constragimento igual, mesmo porque cheguei lá juntinho com o namorado atual da menina e toda família com vizinhos e animais de estimação resolveu constatar meu equívoco. Nessa o Lou tem pouca culpa no cartório, pois ele depende cem por cento de minha pena. 🙂

  5. a política de boa-vizinhança me dá a idéia de que na vida real devemos ser, sem medidas, pessoas belas de gestos sutis; sumamente um ‘bom caráter’. obviamente que virtualmente as coisas mudam de lado. quem irá impedir nossos dedos de expressar as entranhas de mentes taxativamente corrompidas? na litaratura o homem de revela.

    e é por isso que eu amo a escrita e a leitura: é um momento único pelo qual assumimos nossas reais tendências ativistas, ainda que quase todas elas inconcebíveis de serem expressadas por vidas orais.

    abçs

  6. Filipe

    De fato, tudo isso é delicioso. Também me amarro em dar asas aos meus dedos, mesmo quando eles tocam em uma ou outra letra inadequada. Abs.

  7. oi Lou,
    ou seria
    oi Luiz Henrique?
    hoje você acordou naqueles dias: vou me abrir e mostrar quem sou?
    🙂
    mas olha, vou defender o “Lou” personagem – ele faz sucesso, deve ser um fenômeno tipo dr. House – o mau humor que agrada!
    grande beijo,
    🙂
    (agora falando sério, estamos orando!!!)
    🙂
    alê

  8. É…
    acho que vou criar um personagem pra mim tbém…
    Daí será meu personagem a opinar(se alguém não gostar, que se dane, não fui eu)…
    E esse meu personagem poderá ser oque quiser…crítico, sarcástico,
    e por que não, ironico às vezes…
    è tão ruim ter vontade de dizer uma poucas e boas de vez em quando, de expressar-se ironicamente; e ser obrigado a se conter para não causar má impressãoe ou ser descortêz…

    “No caso do Lou, nada tem serventia. O cara é chave de cadeia.”

    Meu personagem terá grande prazer em ser amiga do Sr. Lou…

    Assim que ele(personagem)tiver sido criado, apresentarei-lho.

    Gde beijo..
    Gostei

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