A Gruta do Lou

Quando o carnaval passar

Carnaval
Carnaval

Suponho que a maioria das pessoas, pelo menos no Brasil que conta, aproveita esses dias carnavalescos para fazer coisas especiais como dançar, pular, descansar, nadar, bronzear, se sacanear em algum retiro evangélico e tal. Não é o meu caso, pois não vejo a hora disso tudo acabar. Não me enquadro em nenhuma dessas opções, por razões alheias à minha vontade e, para completar, a vida me impõe uma agenda pouco convencional. C’ est La vie.

Do alto de minha cama estou vendo a quarta-feira de cinzas chegando e já estou esfregando as mãos, louco para tudo isso acabar e voltarmos nossa atenção para as revoltas nos países do Oriente Médio patrocinadas pelos reis do petróleo, as benesses de nossa presidenta aos bem aventurados do Bolsa Família e os nossos campeonatos de futebol de cartas marcadas.

Pelo andar da carruagem, após o carnaval, a Igreja continuará se desmantelando em sua missão integral rumo a desintegração total. Sabe, a história nunca perdoou os povos que ousaram desafiar a moral, a ética e sobretudo, a bíblia. Apesar de nossas queridas revoluções, a francesa, Secessão, industrial e constitucionalista, e todas as grandes inovações tecnológicas que elas nos trouxeram, as marcas comuns às sociedades decadentes continuaram sendo as mesmas, ou seja, a troca de uma retidão moral pela imoralidade, da cultura ética pela mais completa prática da corrupção em todos os níveis, causado pelo enfraquecimento da fé do povo através do afrouxamento do clero, consequentemente da Igreja, da família e dos governantes, somadas à promiscuidade irrestrita .

Foi assim com Sodoma e Gomorra, sendo seguidas por todas as sociedades que se desintegraram após elas, da Mesopotâmia à União Soviética, passando pelos impérios egípcio, persa, grego, romano, otomano, germânico, britânico e chegando agora ao moderno império capitalista norte americano, sem esquecer dos Maias, Incas e uma série de culturas menores. Curiosamente, as culturas sob influência budista, indiana e taoista conseguiram manter-se em pé, enquanto o culto ao imperador, ao socialismo e ao dinheiro, todos com seus vieses sexuais ou homossexuais só serviram para levar os povos para o brejo.

Lembro sempre dos apreciadores das tempestades, dos tufões, da queda malandra dos Word Trades Centers e, ultimamente, dos tsunamis originados por experiências atômicas da decadence, nada mais trágico do que alguém achar beleza nessas tragédias. No entanto, parece que nossos colegas sacerdotais com seus pares governamentais, seus povos omissos, obnóxios e ignóbeis estão todos nos camarins e arquibancadas dos sambódromos apreciando a demolição de nossas sociedades ocidentais, das nossas cabrochas cada vez mais nuas, dos nossos passistas sempre mais favoráveis ao sexo indefinido, embora ninguém chore enquanto as tábuas da moral e da ética caem, levando a todos nós precipício abaixo.

Meu, não tenha dúvidas, sem Igreja, sem fé e sem a família, não haverá uma sociedade, posto que ela não pode existir onde não houver retidão. Essas instituições eram as colunas que nos mantinham retos. A grande verdade é que o inimigo aplicou o mesmo velho golpe de sempre, aquele que deu certo com Eva e seu maridão frouxo Adão, mas não surtiu efeito com Jesus de Nazaré, convencendo o povo que comer da árvore da ciência do bem e do mal não seria tão grave assim. Então tomem, comam do fruto proibido e vejam como é gostoso.

Aí, para piorar e colocar mais sal na ferida, as antas que assumiram as lideranças, na condição de comissão de frente ou a ala dos compositores, sabe-se lá por que, resolvem reescrever tudo, o samba enredo, as leis, as filosofias e as teologias, claro, para legitimar a devassidão. Importa cuidar do social e não da sociedade, urbanizar as favelas e dar sopa em copos feitos de fundo de garrafas plásticas, descartáveis

carnaval 2
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mas não degradáveis, aos moradores de rua nas noites de inverno e muita camisinha para o pessoal trepar a vontade fora do casamento, ao invés de salvar essas vidas de suas misérias.

Nada que contribua para integrar e dignificar é a regra. Sem falar nos inomináveis pangarés que, em contrapartida não menos destrutiva, se isolam nas trincheiras de uma ortodoxia mórbida, que morreu a milênios e só esqueceram de enterrá-la, mantendo essa porcaria igualmente inútil.

Tudo isso junto não poderia estar contido em outra cesta que não fosse essa, o carnaval e nós, brasileiros com nosso samba no pé, nosso talento na percussão e ritmo insuperável, somos os mais capazes propagadores desse vendaval destruidor, com nossos macabros sambas enredos e chorando o fim da festa que nos levará para a morte e morte eterna.

Bom, aproveite o resto do carnaval e não esqueça, se for transar, não importa seu estado civil, sua idade, sexo, etc., não esqueça de usar a camisinha.

Pensar… nem pensar.

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9 thoughts on “Quando o carnaval passar

  1. GOSTEI DO ARTIGO.
    DEPOIS DE LER OLAVO DE CARVALHO E AGORA ESTE SEU ARTIGO, ACHO QUE VOU DORMIR UM POUCO, PARA NÃO TER TENDINITE NO CÉREBRO. L.E.R. DE TANTO LER. DEPOIS EU VOLTO. VOU APROVEITAR PARA PENSAR NESTA FRASE: ‘Igreja continuará se desmantelando em sua missão integral rumo a desintegração total.’ UM ABRAÇO

    1. Sérgio
      Obrigado por tudo. Também acredito no valor do descanso. Meu alerta é no sentido de priorizarmos a missão dada por Jesus de ensinar o que ele nos ensinou, ou seja,

      pregar as boas novas aos pobres, proclamar a liberdade aos presos, curar os cegos, libertar os oprimidos e proclamar o ano da Graça do Senhor (Luc. 4: 18 e 19)

      ao invés de inventarmos novas teologias segundo nossos interesses. Se fizermos o que fomos chamados a fazer aí residirá a nossa força e nada, nem o inferno, prevalecerá contra nós, salvo engano.

  2. sabe Lou, a muito pouco tempo atrás, eu aplaudiria o seu discurso. Hoje, desconfio que nem eu, nem você e nem ninguém sabe ainda como eliminar a influência do mal em nossos atos. Fomos assentados no erro. A mim parece só haver uma saída, liberarmo-nos, e aos outros, da culpa aguardando por tão grande salvação, confiando que o Cristo o fará, como prometeu!

    1. Graça,
      Não ha dúvida quanto a isso, alias, prefiro pensar que sou o mais picareta de todos. Minha bronca visa alertar sobre esses lobos em pele cordeiro, tão picaretas quanto eu, posando de santorrões, propondo novas teologias com a desculpa de que se preocupam com o social e vivem fazendo projetos vergonhosos, que fazem Jesus corar de vergonha, como as sopas das madrugadas e as miseráveis cestas básicas, que só perdem para o Bolsa Família, em canalhice social. Quem ama, está disposto a dar a própria roupa do corpo, a caminhar quantas milhas (ou quilometros) forem necessários para salvar alguém, ou dar a própria vida pela pessoa amada, seja um cônjuge, um filho, um vizinho ou um desconhecido carente, se não me engano. Quanto ao pecado, que não é a minha maior preocupação, exceto pela culpa que produz, sem dúvida, a solução é Jesus Cristo. Obrigado pelo comentário.
      Lou

  3. Acho que sempre que se generaliza corre-se o risco de se afastar ainda mais da verdade, que é o que devemos sempre estar buscando. Há padres e padres, pastores e pastores, homens e homens, mulheres e mulheres, cada um situado em pontos diferentes na escala evolutiva espiritual. Conheci um padre jovem, do qual tornei-me amiga pessoal e
    tive a oportunidade de presenciar curas físicas e espirituais, libertações de traumas etc nos grupos de oração que o mesmo conduzia. Isto aconteceu em Trancoso, sul da Bahia, por volta do ano de 1998, onde eu residia. Portanto, ao meu ver, qualquer pessoa de alma humilde que se entregue ao serviço do Altíssimo, será canal para que o Espírito Santo aja.

    1. Laura

      Grande honra sua visita e comentário, onde não há nenhuma palavra a contestar. Também conheço bons exemplos de cristãos que não se vergam e se mantêm firmes na fé e no cumprimento da missão autêntica. Quem sabe esses não formem um remanescente fiel, depositários autênticos da verdadeira espiritualidade cristã.
      Obrigado e um abraço

      Luiz Henrique

  4. Luiz, obrigada pela acolhida. abraço,
    Laura

    (PS: seu cabelo mudou um pouco de 1967 pra cá, mas os seus olhos conservam a mesma pureza.)


  5. Lou Mello:

    Sérgio,
    Não ha dúvida quanto a isso, alias, prefiro pensar que sou o mais picareta de todos. Minha bronca visa alertar sobre esses lobos em pele cordeiro, tão picaretas quanto eu……..a solução é Jesus Cristo. Obrigado pelo comentário.
    Lou

    Você não é picareta e se fosse, ao admitir, já estaria deixando de ser. Filosofando um pouco, há os rebeldes e os não rebeldes, e nestes pode ainda haver rebeldias. Da mesma forma há os religiosos e os não religiosos, mas em alguns destes pode ainda haver religiosidades, e assim por diante. Um grande abraço e Deus continue te abençoando com graça.

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