A Gruta do Lou

Protocolos do Fim

Estima-se que se a população de 6 bilhões de habitantes dobrar, nesse século, oitenta por cento dela não sobreviveria, lá pelos idos de 2080. Para muitos, já será difícil sobreviver em 2040. A revista Veja, desta semana, trás, em suas páginas amarelas, entrevista com o cientista James Lovelock com considerações sobre as consequências do aquecimento. Quem tiver acesso ao UOL poderá ler aqui.

Parece líquido e certo esse processo. Então, meu pastor interno começou a criar caso. A pergunta básica diz respeito à teologia cristã para tempos de diminuição da espécie e mudanças drásticas no nosso modo de vida.
Depois do ser humano, o primeiro ser a perder a capacidade de viver é o automóvel. A ele seguirão todos os seres dependentes de combustível.
Talvez, dê para arriscar um palpite sobre o tipo de ser humano que viverá naqueles dias. Vai andar a pé, alimentar-se do que conseguir criar ou cultivar, vestir-se do que puder fazer para si mesmo. Não haverá trabalho formal, dinheiro, bancos, enfim, qualquer coisa dependente de linha de produção a base de combustível. O bem de consumo mais provável será o peixe. Nesse caso, haverá mais mar e rios e menos áreas com terras habitáveis.

Nesse contexto, ideologias cristãs modernas estão com os dias contados. Prosperidade, Igreja em células, mega-igrejas e neo pentecostais figuram nesse grupo. Crenças mais sectárias e ultrapassadas como calvinismo e arminismo não terão como sustentar-se. Provavelmente dirão que Jesus passou e arrebatou a Igreja e quem ficou danou-se.

Será que o Senhor não tem nada a dizer sobre o risco em que a humanidade anda se metendo ou já está metida. Não deveria a nossa ideologia teológica voltar-se, sob os auspícios divinos, para uma preparação adequada a esses dias.

Urge diminuir a população, acabar com toda a exploração dos elementos transformáveis em combustíveis, com todo o uso de combustível e isso inclui a indústria. O sistema financeiro mundial, baseado em trabalho, consumo e dinheiro, está em ampla decadência. Milhares, em todo o mundo, já estão vivendo graças a uma distribuição informal de renda, acontecendo no nível de familiares e amigos próximos. Ninguém conhece esses números, pois, essa é uma realidade onde não há muitos interessados. Mas, ela se transforma geometricamente e em grande velocidade.

Capítulos bíblicos escatológicos preditos por Jesus (Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21) contém avisos do tipo: ai das que estiverem grávidas ou amamentando naqueles dias; ore para que a fuga não se de no inverno; não desçam do telhado; deixem a judéia e fujam para os montes. O que é isso? Que significam essas advertências. Chegou a hora de entendê-las e preparar-se para elas.

Sobre o que os pregadores deviam estar falando nas igrejas? Chegou a hora de estabelecermos os protocolos do fim. Seremos convocados para a leitura do testamento e a nossa herança é trágica. Quais sermões seriam próprios aos nossos tempos? O que precisa ser anunciado às nossas congregações? A terra está com os dias contados. A maldade crescerá e os religiosos serão discriminados quando começarem a apontar os maus.

Qual a cor que pretendemos dar ao evangelho daqui para frente? Quem está disposto ou preparado para seguir a Jesus Cristo, nos dias que virão? Quem os está preparando?

Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão.

4 thoughts on “Protocolos do Fim

  1. Estive pensando em algo parecido semana passada. Quão cretinas são nossas prioridades quando comparadas à atrocidade monumental que estamos fazendo com o planeta. Seremos julgados em breve com a mesma inclemência e a mesma justiça com que condenamos hoje os nazistas e a Inquisição. Temos nas mãos o sangue do futuro.

    Deus nos perdoe.

  2. Mas, estamos enganando bem. Poucos percebem a nossa hipocrisia materialista. Vamos louvar!

  3. Pingback: Lou Mello

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