A Gruta do Lou

Por que não mudei o mundo

 

 

Nesta semana, o mundo perdeu um de seus melhores habitantes, o inigualável Steve Jobs.

Vi, assisti e ouvi muitas homenagens e citações sobre ele, pois elas apareceram aos montes por aí, desde o dia 06, quando a bateria do Steve pifou de vez. Imagino a expectativa dos grutenses por alguma menção, ao menos, sobre fato tão importante, afinal ele foi destaque por aqui, várias vezes. Se não me engano, entre os milhares de mensagens em minha Caixa Postal, havia um monte a respeito disso.

Claro que quando falamos de Steve Jobs, as primeiras imagens que nos sobem à cabeça são os Itrecos que ele inventou. Tudo bem, também os aprecio, desde o primeiro personal computer que encostei os famosos dedinhos de minhas mãos, seguramente o velho e famoso Apple, onde controlávamos os envios e recebimentos da Aerodoc do Brasil, nossa empresa de Courier. Bons tempos. Entretanto, para mim, essas parafernálias digitais não chegam a fazer minha cabeça, totalmente. Duas coisas me impressionaram muito mais contundentemente nesse cara: Sua Filosofia de Vida e Suas apresentações.

Para adeptos inveterados da Autoajuda, como eu, Steve Jobs é e sempre será um ícone. Você pode até vir com aquela conversa fiada afirmando que Steve nunca desejou acrescentar nada à Autoajuda, mas a vida dele e suas realizações estarão clamando contra você, até o final dos tempos.

Ele era um homem de princípios claros e os expressava constantemente: Começa com a frase que ele mais apreciava declamar: ““Você quer passar o resto da vida vendendo água com açúcar ou quer ter uma chance de mudar o mundo”? Outra a destacar, na verdade uma citação: “Respondendo à pergunta de um repórter, Ford disse que não acreditava em pesquisas e se tivesse encomendado uma sobre a preferência de seus clientes, eles teriam respondido: um cavalo rápido”. “Para uma coisa tão complicada, é realmente difícil conceber produtos com base em estudos do tipo ‘focus groups’. Muitas vezes, as pessoas não sabem o que querem até que mostremos a elas.E outra: “Ir para a cama sabendo que fizemos algo incrível é o que importa”. “É mais divertido ser um pirata do que ingressar na marinha”. “Eu trocaria toda a minha tecnologia por uma tarde com Sócrates”. “Acho que alguém assiste à TV para desligar seu cérebro. E trabalha no computador quando quer ligá-lo.“Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar nas grandes escolhas da vida” As notícias sobre a minha morte são muito exageradas.”

Preciso lembrar e dizê-lo com veemência que Steve Jobs não foi construído por nenhuma escola ou universidade. Gente repleta de mestrados e doutorados não era capaz de desatar suas sandálias, quando o assunto era engenharia da computação, softwares ou vendas.

Tenho estudado o livro do Carmine Galo sobre as apresentações de Jobs. Tornou-se lendária sua capacidade de convencer qualquer um sobre qualquer coisa. Mas creio ser importante ressaltar que ele deu ao mundo as mais importantes invenções dos últimos dois mil anos. Com isso, estou querendo dizer que ele não era um vendedor de ilusões, possuía substância.

A questão é: Quem entendeu melhor a essência da vida, ou a missão dada por Deus a cada um de nós?

Enche-me de raiva e inveja, sentimentos abomináveis, perceber que o pensamento de fazer alguma coisa capaz de mudar o mundo entrou na mente dele quando ele tinha tempo suficiente para fazê-lo. Só fui ler e ouvir isso há pouco tempo atrás, depois de ver uma matéria a respeito dele na excelente revista ALFA.

Depois de ter lido essa declaração comecei a pensar o que ainda daria tempo de mudar nesse mundo e, depois de muita filtragem, cheguei a conclusão que ainda poderia mudar a minha casa. Mas, recentemente,  concluí que só conseguirei mudar a minha vida, digo, o resto de minha vida e pouca gente, além de mim mesmo, ganhará alguma coisa com isso.

Isso me leva de volta aos meios pelos quais a cultura e o conhecimento são transmitidos às novas gerações (família, escola, meios de comunicação, igreja e governo). O que estão ensinando às nossas crianças? Sabe,, suspeito que não querem ensinar ninguém a pensar e muito menos criar ou ser livre. Parafraseando o próprio Jobs, eles querem alistar todo mundo na marinha e impedir que apareçam outros “piratas” como ele.

Não mudei o mundo porque ninguém jamais me disse que poderia fazê-lo, como Jobs fez. Engraçado é se dar conta que nem consegui controlar a minha vida, tampouco. As coisas sempre saíram do meu controle, foram acontecendo enquanto eu estava fazendo sei lá o que., talvez vendo meu Corinthians na TV. Acho que nunca ousei imaginar algo novo. Como meu pai, só fiz copiar a obra dos outros e, quando deixar esse mundo, não deixarei nada que tenha a minha maçã comida impressa.


2 thoughts on “Por que não mudei o mundo

  1. “Mudar o mundo”… Será este o único alvo adequado para uma pessoa? Lembre-se que somos 7 bi… Já imaginou todos mudando o mundo?!?! Será este o melhor alvo para alguém? E o que significa “mudar o mundo”? E mudar o quê???? Pra quê????
    Realmente, se eu tiver as respostas acima, o “Como?” será moleza…
    Salvo engano.
    Ah… eu ia comentar algo sobre o Jobs… mas esqueci!!!

  2. Rubinho
    É mais ou menos por aí. Todos temos o potencial divino de mudar o mundo, acho. Mas a história mostra como poucos o utilizaram. Pior, alguns ao contrário dos pacificadores, como Gandhi, Martin Luther King, Mandela, Madre Tereza, etc., ou os músicos Beethoven, Mozart, Bach, etc. os cientistas Einstein, Fleming, Newton, etc., inventores, além de Jobs, Edson, Marconi, Ford, Santos Dumont, enfim, a lista é enorme, talvez até Jesus Cristo faça parte dela, usaram suas capacidades para mudar o mundo para algo muito pior. Mesmo com todos esses, o mundo está muito longe de entusiasmar. Seria legal se mais alguns despontassem, certo? Para mim é tarde e sou cético demais para crer nisso. Na verdade, gente como Jobs apenas nasce virada para o lado certo e são como alquimistas, transformando tudo que tocam em ouro, em minha opinião. Gente como eu faz exatamente o contrário e, pior, arrasta um monte de gente para o abismo. Ave Jobs!

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