A Gruta do Lou

Por que os famosos twitam?

Por que os famosos twitam?
Por que os famosos twitam?

A minha lista de “seguidos” (following) tem um monte deles, mas gente famosa mesmo, tipo Jobs, Gates, Eiki Batista, Obama, Rubem Alves, Warren, Malafaya, etc. Eles demonstram enorme interesse em twitar e essa gente não brinca com o tempo disponível. Certamente eles têm bons motivos para manter-se nessa mídia social. Nossos líderes eclesiásticos, que de bobos não tem nada, tratam de espelhar-se nessa gente, seguindo seus rastros web adentro.

Não daria para discutir todas as razões e sensibilidades em um mísero post avulso. Se não me engano, esse tema poderia ser tese de mestrado, até, para quem gosta de emoções caras e desnecessárias como esses cursos e títulos (mestrados, doutorados e afins) sem os quais podemos passar muito bem. Que o digam Jobs, Gates, Lula e Batista. Entretanto, quero me arvorar em mencionar alguns fatores, prováveis causas desse comportamento por parte de um nicho específico desses caudilhos da cruz e suas bíblias maravilhosas.

Tempos atrás, palpitei em uma polêmica que envolvia Gondim, Brabo e Ed Rene de um lado e Nicodemus e seus pupilos de outro. A turma ortodoxa do Mackenzie deitou falação à postura teísta dos irmãos pastores de igrejas ricas do Morumbi e zona oeste de S. Paulo, sob a influência do monge da Bacia das Almas. Naquela época, o embate se deu via blogs e sites mantidos pelos dois lados da contenda. O Twitter surgiu depois. Minha postura foi favorável ao livre arbítrio dos teístas em manifestar suas preferências, principalmente porque o faziam em seus próprios domínios e escritos. Sempre deixei claro que não poderia opinar sobre o mérito da questão por não dominar o conteúdo discutido. Suspeitava que os críticos ortodoxos também não tinham e não tiveram competência para aquela empreitada. Até aí, tudo bem, se tirarmos o fato de que todos estavam em busca de exposição midiática, para fins de captação de recursos posteriores, talvez eu também.

Com o advento do Twitter, alguns pastores e ou teólogos, e aí devemos acrescentar aos nomes já citados, muitos outros que não dão sossego aos seus seguidores twitters, igualmente, têm se esforçado em manter evidência nessa mídia, claro, destilando suas crenças liberais ou de outro cunho tão extremista quanto, com claro propósito de pontuar uma postura mais à esquerda ou direita, sem chegar a nada tão radical como um comunismo, capitalismo ou até socialismo, mas algo que poderíamos denominar de esquerda chic, direita populista ou ponto chic, assim a gente aproveita e come um bom sanduíche, ao menos. Essa fórmula é velha e sabidamente utilizada pelos lobos (eu de novo avacalhando com os pobres e perseguidos animais da fauna mundial), ou seja, disfarçam-se de gente boa ou ovelhas e enganam as vovozinhas desavisadas com a finalidade de jantá-las, devidamente.

Na prática, isso se dá em defesa do pão nosso de cada dia, deles óbvio. Eles sabem que precisam manter-se em evidência para preservar suas polpudas receitas, tanto o farto salário + ofertas que recebem de suas igrejas e membros, no caso dos que pastoreiam, somado à nada desprezível receita que auferem através de uma agenda anual gorda em palestras sobre tudo e sobre todos, mais a receita dos livros que as editoras dirigidas por seus súditos, digo membros de suas igrejas, em muitos casos, editam e outros penduricalhos e até bíblias especificadas, como a da mulhar, da prosperidade, da hora, etc. Claro que não estou sugerindo nenhum tipo de favorecimento, longe de mim tal calúnia. Mas, ao menos, penso esse tipo de relacionamento ou afinidade não seja ético.

Como diria um velho marketeiro amigo nosso dos tempos de botequim: “a propaganda é a alma do negócio”. Infelizmente, esses conceitos mundanos canhestros invadiram a Igreja, como preveniu David J. Hesselgrave em excelente palestra profética proferida no auditório da Faculdade Teológica Batista de S. Paulo, usando como pano de fundo a Carta de Tiago sob o tema: “O Mundo entrando na Igreja”, no início da década de oitenta, século passado.

De outro lado, talvez eles estejam agindo assim simplesmente por desconhecer outra maneira de fazer e/ou garantirem-se. Nesse afã de açambarcar o máximo de possibilidades e temas teológicos com a finalidade de deter o monopólio da palavra, cuja consequência imediata é a conta bancária sempre cheia, eles acabam perdendo conhecimentos importantes por não terem a oportunidade de serem apresentados a eles. Geralmente, os discípulos os impedem de verem e atender as criancinhas e é preciso muita dignidade para colocar os puxa-sacos de lado e abraçar um dos pequeninos. Mas como ensinou o mestre, “Dos tais é o reino dos Céus” e, na maioria das vezes, o que eles precisavam aprender está em poder desses crapulinhas, gente como você e eu, até. É o caso do conhecimento relacionado à propaganda e marketing no âmbito eclesiástico.

Meu mentor em termos de marketing e comunicações, como já disse várias vezes aqui, o querido Dr. Dale Kietzman conduziu-me pelo aprendizado da Propaganda na Casa de Deus e Missões sob rigor ortodoxo financeiro eclesiástico estrito. Desde a primeira lição, ele me ensinou que para fazer marketing na Igreja só havia uma possibilidade, mantê-lo dentro dos limites éticos e bíblicos. Pode até parecer ou soar estranho, mas na Bíblia, há excelente material capaz de balizar as ações necessárias a nos levar a alcançar tal intento. Claro que não é possível expor esse conteúdo aqui, pelo menos não em poucos posts. Na verdade, seria o caso de escrever um livro, que ocuparia centenas de páginas, possivelmente, além de ministrar curso em nível de pós graduação, com esse fim.

Mas quero chamar atenção de todos para o fato que esse conhecimento existe e há, ainda, algumas pessoas que o detém. Esse é um dos espaços que esses senhores cujas orelhas têm andado longas e peludas, precisam abrir, ou deixar para quem sabe. Não adiantam aquelas brincadeiras produzidas no Mackenzie, com a participação dos profissionais seculares das áreas citadas, sem nenhuma perspectiva do que significa propaganda, marketing e finanças éticas e bíblicas. Esse tipo de iniciativa só demonstra o fato de que as raposas estão cuidando dos galinheiros. Nós precisamos de especialistas em marketing, propaganda e finanças eclesiásticas e as igrejas e escolas preparatórias precisam dar atenção especial a isso, com urgência.

Depois disso, desde que nossos amigos epigrafados tenham a humildade de saírem na frente, buscando aprender algo que lhes é imprescindível e não fazem a menor idéia do que seja, eles não precisarão mais fazer esse papel ridículo de ficar marcando presença nas mídias sociais com citações dos livros que estão lendo ou com produções em vídeo 100% amadoras, iguais as minhas. Poderão continuar participando, afinal, hoje em dia, até o Dalai Lama faz seus comerciais nessas mídias, e somos obrigados a entender isso como parte da espiritualidade desses gigantes espirituais, mas sem que isso tenha qualquer segunda intenção financeira. Isso é evidente para qualquer mente melhor treinada, principalmente daqueles que não conhecem o evangelho.

Trocando em miúdos, daí a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus, Propaganda, marketing e finanças eclesiásticas têm seus próprios princípios e se for feito segundo princípios seculares redundará é mercantilização nos moldes puramente materialistas e mundanos. E, por favor, parem de adular esses caras, pois não há forma pior de ajuda e amizade do que essa. Ajudem-nos mostrando o quão ridículos eles se tornam ao se exporem dessa forma vulgar que estamos presenciando, sobretudo no Twitter.

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6 thoughts on “Por que os famosos twitam?

  1. Estamos todos sendo tentados com as mesmas tentações de Cristo pelo deserto, com a diferença de sempre cairmos. Cegos guiam cegos, tudo igual debaixo do sol!

    1. Graça
      Sem dúvida. Por isso ele nos ensinou a olhar para ele, sem desviar o olhar. Quem quer liderar precisa, ainda mais, agarrar-se a esse ensinamento do Mestre, se não me engano.

  2. Propaganda, via de regra, é uma atividade criminosa. E eu pratico esse crime profissionalmente há 20 anos. Sou praticamente um gangster.

    1. Tuco
      Tempos atrás, assisti a uma aula do Alex Periscinoto, antigo publicitário paulista. Ele mencionou um pouco da história da propaganda formal e lembrou que ela começava com os sinos das igrejas tocando para chamar os fiéis ao culto. Sem dúvida, as forças do mal adoram a propaganda e a fazem sem escrúpulos. Basta citar o Goebels (Chefe da Propaganda de Hitler). Infelizmente, esse tipo de propaganda invadiu a igreja e a cabeça de nossos líderes, pelo menos na minha ótica. Esse é o ponto e pretendo gritar, ainda que seja no deserto, para fazermos propaganda ética e bíblica, sempre e principalmente quando o assunto for Igreja e Missões. Você, também, tem a opção de fazer propaganda ética em seu trabalho e bíblica quando envolver os negócios eclesiásticos. Isso não será trabalho de um gangster, acredito.

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