A Gruta do Lou

PL 1XX – A lei anti durosfobia

Desde que dei início ao projeto desse blog como A Gruta, tendo como referência a Caverna de Adulão, aquela onde Davi se refugiou da perseguição que lhe impunha Saul e acabou juntando um pequeno exército de quatrocentos homens que se achavam em aperto, endividados, e amargurados de espírito.

Acho que aqueles caras não sabiam do destino bélico que os aguardava, apenas buscaram unir-se a um igual, alguém que estava em grandes dificuldades, maiores do que as deles. E, apesar da estranha lógica, Davi se fez chefe deles, ou seja, quem estava mais ferrado liderando o grupo dos ferrados. Alguém teria dito que isso jamais poderia dar certo. Algo bem parecido com o que acontece aqui na Gruta.

Com todas essas discussões e escaramuças conseqüentes da enxurrada de leis que o governo petista resolveu aprovar a toque de caixa, a fim de legitimar suas posturas ditatoriais e seu modelo político ateísta mezzo comuna, mezzo assexuado, acabei perdendo a concentração e me deixando levar para pastos distantes, onde ninguém está muito interessado nas nossas causas grutenses primárias, como os endividados, os apertados e os amargurados de espírito.

Ontem, vi uma reportagem, em um desses sofríveis jornais de nossa TV tupiniquim, que acreditamos ser a melhor do mundo, cujo teor dizia respeito à falta de entidades para cuidar de idosos, os velhos asilos.

Certamente, algum psicólogo chegou à conclusão inimaginável para a maioria dos meros mortais que chamar essas instituições de asilos era uma ofensa aos senhores e senhoras em idade terminal. Então sugeriram outros nomes mais adequados, mas era dos asilos que a reportagem falava, reivindicando algum tipo de multiplicação dessas casas. Parece que seriam mais de oitenta mil velhinhos para um universo de pouco mais de três mil asilos em funcionamento. Ah, mas eles estão velhos mesmo, quem liga?

Pior somos nós, os endividados, apertados e amargurados que não temos nenhuma. Só uma velha Gruta desbotada ou coisa assim, onde todo mundo fica olhando para as imagens de gente bem sucedida que aparecem nas paredes, reflexo das luzes que espirram de igrejas ricas do Morumbi e da Zona Oeste de S. Paulo, lideradas por pastores burgueses e suas teologias mirabolantes e meio hereges. O dia em que se lembrarem de nós, haverá festas no céu, imagino.

Mas, também, nós somos um grupo tão babaca que nem o governo petista se interessa em nos conquistar para votar neles nas próximas eleições e ajudar a perpetuá-los nos poder. Pô, a gente poderia ter algum lob no Congresso, ou coisa assim. De repente poderia surgir uma PL 1XX, com o pseudônimo, digamos, Lei Anti durosfobia que cremasse, numa só penada todos os institutos durosfóbicos como o SCPC, SERASA, Cartórios, etc., coibisse todas as formas de discriminação contra gente como a gente, dessas com as quais nos tratam diariamente há anos, nos negando o direito ao trabalho, ao crédito, principalmente daqueles cartõezinhos lindinhos Visa, Mastercard, AmericanSpress, etc., os cheques especiais polpudos, as linhas de financiamentos tanto para a pessoa física como para a jurídica.

Ninguém pensou em uma Bolsa Família do Endividado, até hoje, acredita? Isso sim é discriminação. Nós ainda não temos uma cota que nos garanta um lugar ao sol, também. Nossa PL1XX deveria obrigar todos os empregadores do País, sobretudo os que oferecem os melhores postos, a garantir uma porcentagem de vagas aos endividados, tipo, uns 50% do total e, só então, facultar o resto ao bando dos ridículos que tem o privilégio de pagar suas contas em dia.

Sabe, ninguém dentre os travestidos de humanos faz milagres. Se a pessoa não está endividada, certamente, ela teve as melhores oportunidades. Estudou em boas escolas, tinha ou tem família estável, dessas que tem pai homem e mãe mulher, onde papai era um provedor de mão sempre cheia e mamãe uma dona de casa fiel e exímia pilota de fogão e máquina de lavar; e, certamente, eram sócios dos melhores clubes em suas cidades. Enquanto nós, os endividados, fomos criados em lares confusos, onde se o pai não bebia, raramente trabalhava e a mãe vivia reclamando pelos cantos da casa ou fofocando pela vizinhança. Pior quando elas resolviam arrumar empregos que as permitia humilhar seus maridos vagais. Nossas cabeças iam pra cucuia e tratávamos de passar a maior parte do tempo fora de casa, fumando baseado.

Sabe, chegou a hora de termos nossa lei de exceção, também. Acho que ela deve deixar bem claro que a simples menção de alguma palavra ou frase durosfóbica incorreria em prisão compulsória do transgressor, por um período não inferior a dezesseis anos, em regime fechado.

Incluir um de nós em qualquer lista de devedores ou nos excluir de alguma lista de bons pagadores, além de ato durosfóbico, também deveria ser crime punível com rigor de uma boa jaula de segurança máxima. Outra coisa, as igrejas deveriam ser impedidas de levantar ofertas públicas em seus cultos, pois isso redunda em ato discriminatório contra nós, que somos obrigados a ir lá na frente e meter um envelope vazio no gazofilácio para fazer todo mundo pensar que estamos contribuindo como o resto da massa.

Outra coisa, pastores que costumam nos preterir na distribuição dos cargos na Igreja, por causa de suas patentes durosfobias, também deveriam ir para a masmorra, igualmente esses que ficam por aí dizendo que Deus nos deixou a cargo de nossa competência e caiu fora do planeta, sugerindo que o fato de sermos endividados nos torna um bando de incompetentes.

Acho que uma lei anti durosfobia será muito melhor do que se resolvermos nos transformar em um exército de Lou sair da Gruta para derrubar a rainha e empossar nosso líder no lugar. Aí o Brasil seria dos endividados, dos apertados e dos amargurados de espírito, que deixariam de sê-lo compulsoriamente, claro.

Ah, o Bolsonaro é um puta durosfóbico, segundo me informou certa deputada federal do PT.

2 thoughts on “PL 1XX – A lei anti durosfobia

  1. Luiz Henrique, sempre o idealista. É evidente que nenhum legislador seria insensato a ponto de criar uma lei que fosse beneficiar a maior parte da sociedade.

    1. Paulo
      Talvez eu seja, antes, um baciano porque aqui dentro as idéias vivem em turbilhão. Quanto a mais essa idéia insensata, ao contrário dos nossos legisladores, é o que cabe aos patetas existenciais como eu e os grutenses, membros ou honorários. Né?

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