A Gruta do Lou

Apenas um personagem

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Depois de dois dias, estamos de volta, eu, o Lou e a Caverna. Parece que meu autor predileto teve algumas dificuldades com a Telefonica. Talvez seja bom, ele precisa mesmo sofrer para aprender. Cara burro, vive por aí dizendo bobagens… Deus proverá, Todas as coisas contribuem para bem dos que amam a Deus, Mire-se no Bom Samaritano, pois sim, quem acredita nisso? Sou apenas um personagem sem personalidade própria. Agora ele tem e vive se gabando, acha isso, acha aquilo e chega no fim do mês, nada. Sou o cara certo dele, uma espécie de lado positivo de um demente vivendo fora da realidade. Tenho medo dele cair na real e dar de frente com a verdade. Tenho medo dele gostar de ser eu e não voltar mais a ser ele, viver sua verdade. Mas a verdade dele é cruel, sem perspectivas, sem saída. Morro de vergonha quando sou obrigado a fazer o papel dele real, é isso mesmo, muitas vezes ele me descreve como se fosse o ele real, mas está fantasiando, igualmente. Coisa de louco né? O cara derrapa legal, pode acreditar. Agora, essa história é velha, lembra da narrativa bíblica, não era Deus se destilando em centenas de personagens, fazendo-os viver seu eu ideal, sem nunca ter vivido Ele próprio aquela histórias? Eu não gostaria de viver a vida dele e jamais faria em minhas fantasias alguém como ele. Pena que não sou capaz de fantasiar como ele. Sou apenas o personagem. Já que sou só uma criatura dele, alguém que ele pode levar para onde quiser, porque não me descreve como um cara bem sucedido, adepto da teologia de prosperidade ou um cara cheio de propósitos? Não, vivo sofrendo, para lá e para cá, um idiota capaz de crer em deus e todas aquelas incoerências bíblicas sem nunca dar certo. Como alguém pode crer em um perdedor que acaba pregado em uma cruz? Não. Se me desse o privilégio de escolher, seria um personagem vencedor, alguém capaz de construir um programa, um sistema operacional ou um tremendo site de relacionamento e com a capacidade de encher estádios para me ouvir dizer que criei a geringonça em um fim de semana, na garagem lá de casa, quando minha namorada me deu bolo ou estava de saco cheio. Outro personagem legal deve ser o de um escritor de blog desses que ganham “o melhor blog do mundo, ou pelo menos do País”. Na pior das hipóteses, poderia ser um pastor desses com agenda cheia até 2016, a cinco mil a pregada. Mas não, sou um morador de caverna e pior é ver uns gatos pingados me achando exótico, uma espécie de salvador ou uma proposta certa. Lorotas. Não passo de um babaca, menos do que um escritor insano, sou só um personagem.

3 thoughts on “Apenas um personagem

  1. Vc, pelo menos é um personagem, existe sempre a chance do Lou alterar o teu destino… eu, não! Sou eu mesmo, grutense real, com um passado irreversível e tendo que me contentar em ser quem sou…

    Era uma vez um amigo chamado Rubinho, um cara com uma carreira brilhante. Ele sempre dizia… e o mundo nunca conheceu ninguém como ele. Hoje, cada palestra dele custa cem mil dólares, devidamente doados a associações de caridade.

  2. Ah… para com essa lamentação… toda unanimidade é burra, já escreveu Nelson Rodrigues. E gosto apurado não se vende em esquinas 🙂
    Quanto ao fator “sucesso”; os padrões de Deus não são os nossos (ainda bem!).
    Amplexo.

    Já falei para ele, mas quem pode com tanta teimosia?

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