A Gruta do Lou

Pense, pense que sai.


 

Vamos pensar, sei que não é fácil, mas tente. Pense, pense que sai. Jesus queria libertar todas as pessoas, do passado, presente e futuro, certo? Conseguiu?

Então vamos avançar um pouco. Afinal, do que ele queria libertar? Será que as pessoas estavam escravizadas, prisioneira ou algo assim? Uma topeira aqui já gritou: Do pecado!

Tá certo. Às vezes alguém acerta. Mas isso é uma meia verdade, né não? Pense, pense que sai.

Era só do pecado que o Mestre de Nazaré queria libertar a humanidade? Ou tem mais? Silêncio total. Ninguém arrisca novo palpite.

Ok, vou revelar o segredo: Ele queria libertar todos os seres humanos do pecado e da culpa, talvez a culpa fosse a razão ainda mais importante, pois o pecado é pontual e a culpa não, ela é linear. Dizem por aí, que se não existisse a culpa, não haveria os psicólogos, pois ela seria a razão única da existência da psicologia. Qualquer reclamação, dirija-se a gente como Kierkgaard, Hegel e Nietzsche, por exemplo. Uma amiga minha, psicóloga da gema, costuma dizer que, ao acordar, grita bem alto: Graças a Deus pela existência da culpa, e ela se diz atéia.

Sei que não é fácil acreditar, mas Jesus foi suficientemente tolo em imaginar que pagando sozinho, a conta pelo pecado da humanidade, ele eliminaria a culpa, também, talvez seu alvo maior. Mas ele não contava com nossa astucia. Tudo bem, se Ele quis pagar a conta do pecado, problema dele. Agora a culpa, não. Pera lá! Ela é nossa e ninguém tasca.

Olha, se a humanidade, os cristãos com ou sem igreja, muçulmanos, judeus, etc., querem carregar suas culpas para o caixão e para a vida após a morte, seja lá o que isso signifique, pouco se me dá. To me lixando para eles. Minha pergunta seguinte, e sem querer forçar muito sua cabecinha oca, é: Então, se Jesus nos libertou do pecado e da culpa, nós estaríamos perdoados e livres, completamente livres. Certo?

E aí, qual foi a resposta que seu ego lhe permitiu ouvir? Posso apostar que, em 100 % dos casos dos que conseguirem abstrair a esse ponto, a resposta será: Não. Um longo e lindo N Ã O.

E por quê? Porque a gente não se sente livre, porra! Mesmo quando tudo parece bem, de repente, bate uma angústia, sei lá de onde e dá um desespero. E se tudo isso for papo furado, lorota boa, invenção dos sacerdotes picaretas para arrancar grana da malta otária e inocente? E se Jesus não quitou nada?

Bom, para isso, só teria uma única esperança e ela se esvai a cada dia, para meu desespero: a Igreja.

Sim ela mesmo, essa que não me vê como membro há tantos anos, que vivo criticando, enxovalhando, batendo na careca de pastores hipócritas e/ou burgueses metidos a revolucionários de última hora, tentando lançar-se a mártires no apagar de suas luzes, que nunca foram muito claras.

Creio que a Igreja deveria proclamar alucinadamente o evangelho de Jesus Cristo, anunciando a coisa mais básica desde que aquele homem tosco e inigualável pisou esse planeta, ou seja: Arrependei-vos (mudem vossas mentes) para remissão (perdão, esquecimento) de vossos pecados. Então virá o Reino de Deus, onde não haverá pecado e muito menos culpa.

Qualquer um, psicólogos, políticos, pastores de meia tigela, blogueiros idealistas, professores, sexólogos, etc., podem tratar o pecador como bem entenderem, fazendo a manutenção de seus pecados, afinal não poderão fazer nada para aliviá-los, mesmo. Mas a Igreja não, ela precisa lutar desesperadamente pelo livramento de pecadores, pela libertação da humanidade do pecado e da culpa, pois essa foi a missão que nos foi dada pelo Filho do Homem.

Igreja desse tipo não implica em instituição, uma manobra diabólica para desviar os verdadeiros discípulos de sua Grande Missão, mas pode ser, se houver consciência e compromisso de todos, a começar do negão lá no púlpito. O mundo de hoje é formado por conglomerados institucionais e a igreja é um deles. Precisa posicionar-se com sabedoria, grandeza e altivez, sem perder o contato com seu criador, todo amoroso.

Só é preciso não esquecer que a Igreja, que somos nós, não perdoa. Anuncia, convence, mas não tem poder e muito menos autoridade para tanto. Outro detalhe, pecado, é pecado. Não há pecado mais e nem menos. Pecado é tudo que nos impede de estar com Deus, em plena comunhão e isso é, ou deve ser, de foro intimo. Creio. Podemos até pregar algum tipo de heresia que ensine: bem Jesus já pagou todos os nossos pecados e boa. Vamos à farra! Esses se esquecem da culpa, essa nós não sabemos como eliminar, nem a pseudociência que arroga esse poder, ou muito menos.

Então é isso, espero não ter explodido nenhuma mente por aí, se bem que, muitos devem ter ficado na primeira frase, quando convidei o leitor a pensar.

2 thoughts on “Pense, pense que sai.

  1. Só vim comentar porque ando me sentindo culpado por não comentar há vários dias…
    Tem um cara que falou que não sentia culpa nenhuma. Aí, quando falei que todo mundo sentia alguma, ele disse: “Pô, agora me sinto culpado por não sentir culpa!”

    1. Tá vendo como isso é uma praga?
      Mesmo sem comentar há vários dias, ainda lidera o ranking dos comentarias e, por cima, sente culpa. Precisávamos mais uns duzentos como você. Graças a Deus por existir a culpa. 🙂

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