A Gruta do Lou

Pastor Odorico Paraguaçú


O ser humano contemporâneo possui fortes tendências à uniformização e no afã de alcançar esse objetivo consegue, antes, tornar-se estereotipado. Espanta-me ler dezenas de Twitters sobre um mesmo tema e não encontrar nenhum capaz de olhar a coisa por outro prisma.

A impressão que se tem é que existe uma proibição secreta, com força de decreto ditatorial petista, rezando que é proibido discordar, ou pior, pensar diferente. O Steve Jobs nem seria mencionado agora se ele houvesse se pautado segundo os parâmetros ditados pelos patrulheiros da moral (ou imoral) e dos bons costumes alheios.

Diz a prudência que se você tem algo a perder falando ou escrevendo alguma coisa, precisará medir direitinho as suas palavras. Tenho enorme respeito por quem ousa discordar da maioria, mesmo quando discordo da opinião do dissidente. Como diria meu amigo Nietzsche, os lobos preferem manter todas as ovelhas juntinhas e presas no pasto, pois isso facilita enormemente a tarefa de janta-las (se ele não disse, eu o fiz agora)

Ao ser crítico em relação à igreja ou qualquer outra instituição é imperioso não fazer parte de igreja alguma, em minha opinião. Caso contrário, estaria em pecado causado pelo conflito de interesses. Não dou uma moeda de cinco centavos por um cara que vive metendo o pau na igreja A ou B sendo ele pastor, membro ou participante da Igreja C. Logica e implicitamente, ele estaria dizendo que a dele é melhor, enquanto descreve os absurdos da outra. Isso vale para todas as situações análogas. Lembro ainda Schopenhauer que via nessas atitudes uma estratégia canhestra de esconder as próprias mazelas.

Aliás, Paulo (o apóstolo) também devia pensar assim ou não teria escrito aos Romanos que o cara se condena naquilo que acusa. Estou dizendo isso porque andam dizendo por aí que quem critica os patrulheiros da moralidade evangélica (que está mais para imoralidade, posto que defende quase todas as propostas imorais, ou enfraquecedoras da moral ao invés de unir-se ao coro contrário), é babaca. Ora, quem é o babaca? Se não aquele que vive tentando encobrir seus, digamos, deslizes, evidenciando os alheios.

Posso estar enganado, mas o pior pecador não é o arrependido, mas aquele que vai à Igreja e bate no peito gritando elogios a si próprio. Meu, você toma sua cervejinha, tudo bem, eu também tomo as minhas, de vez em quando, mais ainda durante o verão, nesse calor calhorda de Sorocaba. Se ainda tivesse uma praia por aqui, ainda que fosse uma daquela do tipo Ramos. Bom, tem aquela à beira da represa de Itupararanga, mas a frequência lá é dose (e bota dose nisso). Pessoal de Ramos se sentiria londrino perto dos tipos e acontecimentos dessa praia, sem querer ofender as praias de verdade.

Não sei se é algum defeito de fábrica, mas me irrito mais vendo os caras batendo em bêbados na decida do que com os próprios bebuns. Tradução: não gosto de ler, todos os dias, alusões aos pastores larápios das igrejas neopentecostais, por parte de pastores Odoricos e seus séquitos militantes das outras igrejas, ditas politicamente corretas. Das duas uma, ou eles estão buscando notoriedade à custa dos difamados difamando-os ou buscam esconder alguns pecados ocultos. Vai saber e tenho até medo do que possa vir à tona. Certos pastores norte-americanos, desse tipo mais inquisitivo e profético, acabaram sendo revelados com pecadinhos do tipo “voyeurismo”, coisas terríveis com relação à grana, sodomia e outras coisinhas mais graves. Afinal, se isso vier a acontecer, ele sempre terá a opção de virar cantor, se tiver talento. Caso contrário, ferrou mesmo.

Entretanto, costumo transitar pelo meio protestante, se não tanto nas igrejas, certamente via web. Gosto de igrejas éticas. A igreja nasceu com essa vocação e não pode abrir mão dela, pois é um dos sustentáculos da vida em sociedade. Se um pastor não consegue entender esse principio básico, ele está na profissão ou missão errada. Eu posso ter minhas posturas liberais, pois isso afeta quase nada na minha comunidade. Mas a instituição Igreja não tem esse direito. Ela é o contrapeso necessário para manter a sociedade equilibrada. Em Sodoma, Gomorra e outras cidades por ái, todo mundo virou liberal e deu no que deu. Já bastam as outras instituições enveredadas pelo liberalismo. Ainda se fosse um liberalismo inteligente, vá lá, mas isso que querem (se tiverem a mínima consciência do que querem) nos impingir é niilismo puro. Se alguém quer ser liberal, livre-se das amarras da igreja, deixe-a e faça o que quiser com sua vida. Caso se arrependa, sempre haverá uma boa igreja ética e conservadora para você refazer seus votos.

No meu campo de visão, enxergo um monte de pastores Odoricos loucos para soltar a franga, só que querem fazer isso sem largar o osso. Meu, não dá. Se quiser dar, beber, divorciar, roubar, whatever, entregue sua carta de demissão primeiro, e vá em paz, se isso for possível.

A Igreja, seja ela calvinista, arminiana, católica, etc, não tem o direito de abrir exceção em relação a uma ética conservadora. É desmoralizante ver pastores e padres fazendo alusão ao uso de camisinhas e outros contraceptivos, ao aborto, eutanásia, pena de morte e todas essas questões de macroética. A instituição igreja não pode abrir mão das posturas contrárias a tudo isso sob o risco de acabar e, pior, dar o empurrão que falta para o fim da nossa sociedadezinha mambembe. Bom que se diga, os católicos estão ganhando nesse quesito de goleada, com exceção de certos padrecos idiotas e burros.

Pior ainda, se considerarmos o pequeno detalhe que reza: É no enfraquecimento moral que a Igreja perde mais dinheiro. Se eu fosse um pastor neopentecostal, mais pragmático do que espiritual, e desejasse aumentar a renda da minha igreja, apostaria todas as minhas fichas em tornar a minha igreja bem conservadora, ao invés desses truques ridículos com ou sem correntes, para angariar fundos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *