A Gruta do Lou

Palavras Positivas

 

Estou escrevendo em meio a todas as velhas pressões. Relacionava, momentos atrás, nossos tempos aos tempos de juventude, século passado, década de setenta. Pouco se ouvia falar em afirmação do pensamento, depressão, há poder em suas palavras, etc…Eu era uma espécie rara, nesse tempo, herdara de minha avó um exemplar (tenho até hoje) de “O poder do pensamento positivo” de Norma Vincent Peale. Quando o li a primeira vez, achei-o horrível por ser extremamente religioso. Na década de oitenta, conheci o Zenon Lotufo Jr. e ele me disse que de todos os livros motivadores, esse era o the Best. Lá fui eu de volta ao Peale. As coisas haviam mudado, eu me tornara cristão protestante e estudante de teologia. A linguagem evangélica do livro não me incomodava mais e, pela primeira vez, gostei do livro. Depois disso, a lá Zenon, indiquei-o a muitos deprimidos (agora esse estado fazia parte de meu universo). Depois vieram o Emmet Fox, Zig Ziglar, Joseph Murphy e muitos outros, até um original (13ª edição) de ‘The Secret of Victorious Living” de Harry Emerson Fosdick, um clássico. Continuei acompanhando, até onde foi possível, a enxurrada de livros, hoje conhecidos como Auto-Ajuda.

Com isso, fica clara a minha total afinidade com as coisas do pensar positivo e seus periféricos. Talvez a minha rebeldia congênita ( não sei porque adotei esse termo) tenha resolvido trabalhar contra essas idéias forasteiras que andei adquirindo nesse mundo cheio de Deus e idéias positivas. Assim posso poupar os amigos e leitores da tarefa de me convencer a pensar positivamente. Quanto mais estimulo esse comportamento mais assombrações me aparecem.

Acabei entrando em uma fase mais Nietzsche. Elegi a Igreja, os pastores e o cristianismo como meus carrascos. De matiz niilista, eles querem a minha cabeça, bem como a sua, caro leitor (a), para arrastar-nos com eles para o precipício onde pretendem enterrar-se. Hoje eu entendo quem, aqueles porcos que Jesus delicadamente condenou ao barranco, eram.

Para horror dos reformados (sic) seguirei pela mesma trilha em que seguiram Barth, Bonhoeffer, Berkouwer e por onde têm andado Rubem Alves e, mais timidamente, os mais recentes: Yancey e Brian Maclaren. E olha que não tenho a moleza que uns e outros têm. Cada livro que leio significa de dois a três quilos de carne a menos na dieta da família, como diria meu bom professor de Introdução à Filosofia o Pr. Irland Pereira de Azevedo.

Esse fim de semana precisarei me preparar para o debate que participarei em Azaré, nos primeiros dias de dezembro, a convite do meu amigo o Pr. Wagnor. Debaterei com o Cel. Pintor (reformado da Policia Militar de S. Paulo) o tema a “Inviabilidade de uma Cultura de Paz pois isso contraria os interesses do Mercado”. Solicitei a presença do Adalberto, caso o Cel. resolva me prender durante ou após o debate. Parece que todos os dezoito lugares do teatro azareense, onde o evento será realizado, foram vendidos previamente para o cambista da cidade, que por sinal, é sargento da PM local (não contem para ninguém).

5 thoughts on “Palavras Positivas

  1. Não sei exatamente o que você pensa do Peale. Meu encontro com ele, dado por via desse mesmo livro que você citou, inaugurou toda uma vida de grave preconceito contra qualquer autor ou livro que se assemelhe a auto-ajuda.
    E foi um justificado trauma. O advogado com quem fiz meu primeiro estágio, quando não tinha serviços para me passar (do tipo ir ao banco ou ligar para clientes cobrando os honorários), me fazia digitar o livro do Peale, sob pretexto de que assim memorizaria seus sábios ensinamentos.

  2. Oi, Luiz Henrique

    O Pr Wagnor Kutt pediu para avisar que o debate foi cancelado. A igreja reformada de Azaré alega que para discutir violência é preciso alguém com tarimba no assunto, não um molóide como você.

    Quanto à sua biografia, vejo que como todo mundo você oscila entre o céu e o inferno. Nietzsche e Peale, quero dizer.

  3. Anderson e Paulo

    A verdade é que, em minha biografia, existem muitos outros livros e autores, os quais, não reúno coragem para declinar. Isso sem falar em todos aqueles livros de leitura obrigatória, nos tempos do colégio. Nesse caso, o Peale poderia ser considerado como mal menor.

    Paulo,
    você, digo, o pessoal da Igreja de Azaré, está certo sobre minha incompetência para debater sobre violência, tanto é que já havia estabelecido iniciar meus argumentos com o clichê “Violência gera violência e continuar pelas bobagens ensinadas por Toreau e usados por gente fora de moda como Gandhi, Luther King, Jesus, etc, ou seja, Resistência Pacífica, dar o outra face, conquistar o inimigo pelo amor e amizade, enfim, todas essas utopias que os reformados abominam. Melhor eu continuar na minha rotinazinha de Low Profile, ou Lou Profile, como os reformadores preferem me chamar.

  4. Tem um cara que escreveu um livro muito famoso tanto que foi incluído na Bíblia, um tal de Salomão. O livro citado chama-se “Eclesiastes” Com certeza você conhece. Pois é, ele diz lá que “Há tempo para tudo…Tempo de chorar, tempo de odiar, tempo de matar…” Tempo para tudo mesmo.
    Esse negócio de depressão é doença antiga e séria (eu conheço a bandida) e “pega” principalmente quando você está vivo!
    Ora bolas…

    (desculpe o sarcasmo Lou)

    beijos e beijos !!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *