A Gruta do Lou

Pai pobre

Aos 54 anos de idade, meu pai começou a procurar emprego, e eu estava a caminho do Vietnã.

Meu pai estava na meia idade e procurava emprego. Ele passava por empregos ocupando cargos com nomes pomposos e salários baixos. Empregos nos quais ele era diretor executivo da XYZ Sevices, organização sem fins lucrativos, ou diretor gerente da ABC Services, outra organização sem fins lucrativos.

Ele era um homem alto, brilhante e dinâmico, mas não era bem-vindo no único mundo que ele conhecia, o mundo dos funcionários públicos. Ele tentou dar início a pequenos negócios, prestou consultoria por um período e, também, abriu uma franquia conhecida, mas tudo isso fracassou. À medida que ia ficando méis velho, sua energia ia diminuindo, então ele se empenhou em recomeçar, na base de sua força de vontade, menos evidente a cada nova falha. Ele era um “E” (Empregado) bem sucedido tentando sobreviver com um “A” (Autônomo), em um quadrante no qual ele não tinha treinamento ou experiência, e no qual ele não acreditava. Ele adorava o universo da educação pública, mas ele não conseguiu achar uma maneira de ser readmitido nele. O banimento por parte do governo era velado. Em alguns círculos, diziam que ele havia sido posto em uma “lista negra”.

Se não fosse pelo seguro social (tipo INSS nos EUA) e pelo Medicare (tipo SUS nos EUA), os últimos anos de vida dele teriam sido um desastre completo. Ele morreu frustrado e um tanto zangado, mas ainda assim tinha consciência limpa.

Então o que me manteve vivo nas horas mais negras? O fantasma do meu pai instruído sentado em casa esperando o telefone tocar, tentando o sucesso no mundo dos negócios, um mundo desconhecido para ele.

Roberto Kiyosaki em “Independência Financeira: o Guia do Pai Rico”

Bem que esse texto acima poderá ser escrito por um dos meus filhos. As semelhanças são grandes e as diferenças só conjunturais. Se não me conscientizar de minha real situação e tomar a única providência sensata disponível, poderei virar um desastre, cada vez mais próximo.

Sei que hoje é segunda-feira e essas sensações são típicas desse dia da semana para pessoas engrutadas como eu. Mas, temo que no meu caso seja muito mais que isso. Estou mesmo montado em grandes fantasias. Começa pelo sonho de voltar a ser o diretor de desenvolvimento de uma grande organização missionária, passa pela ilusão de poder prestar serviços de consultoria em um mercado que rejeita consultores com minha ética ultrapassada e politicamente incorreta e termina no delírio de imaginar que conseguirei algum emprego digno, a essa altura do campeonato.

A mim, só resta tentar conseguir uma aposentadoria, se não por tempo de serviço, ao menos quando completar a idade mínima requerida para tanto. De qualquer jeito, preciso iniciar essa luta agora. Embora não disponha do capital necessário para tanto, sei que preciso concentrar as forças restantes nisso. Fora esse objetivo, resta-me tentar ajudar meus filhos a encontrar um caminho nessa selva chamada mundo.

Não creio ser demais, lembrar que outra grande frustração que experimentei, ao longo de meus dias, foi a Igreja. Nem ela e nem eu chegamos a lugar algum com nossa parceria. Vamos ver se ela se dá melhor com minha ausência.

Estou retirando da Internet meu site relacionado à consultoria. Não tenho nada em mente para substituí-lo. Tentarei me manter fiel ao blog, se bem que, a cada dia que passa, sinto menos vontade de continuar, pelo menos com os temas relacionados até aqui.

4 thoughts on “Pai pobre

  1. Agora, vamos ao tema. Somos ultrapassados, supérfluos, desnecessários. Pelo menos para o mundo corporativo/produtivo. Isso tem seu lado bom: não ocupo o lugar que pode ser mais útil a um jovem em início de carreira e vida, com esposa e filhos pra cuidar. Mas não se engane: quando estou em família, ou com amigos, sou valiosíssimo e insubstituível. É o que faz valer a pena viver…

    É verdade, a nobreza de dar a vez aos jovens é peculiar e proporcional a uma geração que soube esperar a anterior desocupar as cadeiras e como. O reconhecimento de sua importância e valor por sua família é um grande privilégio e só acontece porque ela é única. Mas você fez por merecer, creio.

  2. Na minha opinião, livros de auto ajuda, guias, etc… trazem vantagens financeiras, apenas para quem teve a feliz idéia de escrevê-los. Funciona como uma chazinho caseiro, num dia frio…mas a vida real
    requer outras saídas…

    Pois é, resolvi fazer o inverso do que o autor sugere, ao invés de me tornar um livre e independente participante do quadrante dos “D” e “I”, preferi o outro, dos “E” e “A”, mais próprio a um rebelde que deseja ser reconhecido com alguém cult o suficiente para não ler esses livros mediocres. Que ninguém nos ouça, eu os leio e recomendo, em segredo, especialmente para quem está em sofrimento. Ajuda muito.

  3. Também sinto menos vontade de continuar.

    Acho que precisamos de férias, inclusive do blog. Como tirei a minha por conta, devo voltar a escrever baboseiras logo, logo.

    Abraço Lou (to de volta, desbloquearam teu sáite)

    Na verdade, essa é uma luta constante, parar com o pouco que nos dá prazer, um desejo incontrolável de auto sabotagem a ser vencido. Bom vê-lo por aqui. Abraços

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