A Gruta do Lou

Pacificador de Cabul

Escrevi sobre os pacificadores algumas vezes, não há como, eles são chamados Filhos de Deus. As pessoas almejam muitas coisas, certa vez ouvi o Dr. Adib Jatene declarar, em uma entrevista, almejar vencer a vaidade. Sem dúvida um bom propósito para quem gosta deles e incomum. Choca-me nunca ter ouvido ninguém cujo grande ambição fosse ser um pacificador.

Em princípio, essa atividade incluí atitudes como não entrar em brigas, não estimular contendas, guardar segredos, não cair em tentação, optar pelo: quando um não quer, dois não brigam e tal. Mas quando começamos a pensar no assunto verificamos a profundidade do buraco.

O Obama (atual presidente dos EUA), por exemplo, pretende pacificar o Afeganistão enviando mais trinta mil soldados armados até os dentes para pacificar aquele lugar esquecido e poético. Qualquer dia escreverei um livro cujo título inclua a palavra Cabul. Não é chic? Quem diria que um ganhador do prêmio Nobel da paz seria capaz de ousar tanto em seus gestos pacificadores. Sempre imaginei que pacificar fosse fazer, exatamente, o contrário. Sou mesmo um tolo.

Nas milhares de entrevistas concedidas, me perguntaram qual o meu método de escrita, na maioria delas. Na verdade, não tenho padrão algum. Geralmente, não sei para onde vou quando começo a escrever, mas nesse caso específico quero dizer, sutilmente, que os cristãos de fato precisam ser pacificadores. Se tem algum dom do espírito doado como se fosse dinheiro para as vítimas do terremoto no Haiti, esse dom é a paz. Paz para pacificar, ora bolas. Se o cara tem Jesus Cristo em seu coração, então ele é um pacificador.

Já repararam como o Malafaya pacifica? E eu? Ele pacifica levando as pessoas a doar mais para o ministério dele e eu provocando os pastores mauricinhos, burgueses que se dizem de esquerda. Questão de método, mas nós dois temos Jesus no coração e o dom da paz, tanto quanto alegria, longanimidade, benignidade e bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio, tudo isso junto redundando no amor. Já reparou que todos esses atributos fazem de nós gente pacificadora? Apenas não usamos como deveríamos. É, Deus sabia o que estava fazendo quando nomeou o Espírito Santo para ministro dos dons espirituais e o apóstolo Paulo para seu relações públicas.

Olha, se encontrar por aí alguém pacificando de verdade, embora seja redundante, então encontrou um pacificador. Adoro aquela cena do filme Gandhi (assisti pouco esse filme) quando ele diz para o cara indiano, cujo filho foi morto por um muçulmano, para adotar uma criança muçulmana, cujo pai muçulmano foi morto por um indiano. Infelizmente, nem todos os que se dizem cristãos são pacificadores, pior, a possibilidade de que a grande maioria dos pretensos cristãos estejam muito longe de serem chamados Filhos de Deus, é muito grande.

2 thoughts on “Pacificador de Cabul

  1. Tá certo, esse blá, blá, blá todo sobre ser pacificador tá muito certo. O que me assusta mesmo é a veracidade nua e crua da tua última frase!!!

    Ao expressar isso, lembrei de quanto me dói não ser reconhecido como Filho de Deus em minhas andanças. Fica evidente o quanto estou longe da Graça e todo o pacote.

  2. Sou estúpida, mas JURO que o “vá vá vá vá” foi só pra animar “a festa”, JURO!

    (Lou sacode a cabeça eme negação e pensa: Pior são os pretenciosos…)

    =)

    Fique tranquila, entendi o espírito. Por causa dos pretensiosos, Deus inventou os pacificadores e, como sempre, se deu mal. Maldito homem que confia no homem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *