A Gruta do Lou

Otimismo em um mundo pessimista

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Meu amigo Pr. Wagnor de Azaré faz questão de lembrar algumas atitudes essenciais a um bom pregador, segundo seu entendimento. Um pregador precisa se mexer, correr pela plataforma, enfatizar pontos do sermão com pulos, enquanto grita os slogans previamente preparados, esmurrar o púlpito não é opcional, mas obrigatório, cantar e dançar indispensável. Um bom sermão vai da gargalhada ao choro desesperado, ensina o azareense. Sobretudo, jamais usar frases e palavras negativas, especialmente aquela horrorosa atitude pessimista e perdedora que Jesus iniciou e Paulo perpetuou. Diz mais, aquele jeitão pacato, fleumático e educado de certos pastores das igrejas badaladas, dos bairros mais ricos das grandes metrópoles, não está com nada. Só alcançam a minoria intelectualizada da população evangélica. As massas ficam à mercê dos sanguíneos pastores neo pentecostais e suas pregações agitadas, humanistas e espetacularmente positivas.

Dia desses, recebi o convite para participar, no fim do próximo ano, de um seminário sobre Maslow e Seligman. Os organizadores fizeram questão de enfatizar a necessidade de reservar uma vaga com muita antecedência, pois preveem o esgotamento total delas em pouco tempo. Na década de noventa, tive a oportunidade de utilizar muito os conceitos desses dois psicólogos. Não em pregações, na verdade, usava as leis de Maslow de forma construtiva e as experiências de Seligman, igualmente. Nesse contexto, acredito que esses ensinamentos sejam muito proveitosos. O ser humano tende naturalmente  a desesperar-se e em dias de tanta tecnologia capaz de potencializar a propaganda da calamidade, com força nunca antes imaginada, as leis e descobertas desses caras tornam-se urânio enriquecido.

Quando iniciei minha peregrinação pela gruta, imaginei usar uma linguagem de confronto. Como ensinava Piaget, para levar alguém a uma nova fase de aprendizagem, nada melhor do que confrontá-lo. Embora tenha contra mim alguns leitores que não perceberam minhas mensagens positivas subliminares, resolvi priorizar o crescimento através da aprendizagem, nos mesmos moldes que utilizei com meus alunos, deixando meus diretores e deões malucos e com os cabelos eriçados. Jamais passou por minha mente uma mensagem negativa. Acima de tudo, vi em Jesus essa estratégia. Ele era positivo em sua aparente negatividade. Quando salvou e perdoou a mulher adultera, foi negativo segundo as crenças ortodoxas da época, exclusiva em relação às mulheres menos estáveis em seus casamentos. Fez o mesmo com a mulher samaritana, que depois de se deitar com todos os “eles” de sua aldeia, estava cheia de más intenções para cima do nosso salvador, outra ação nada positiva. Jesus foi o redentor que venceu sofrendo a maior derrota da história da humanidade e suas palavras nunca tiveram intenção diferente de seu intento vencedor.

Todos os dias, sou lembrado a tratar de tirar a trave de meu olho antes de querer tirar o argueiro do olho dos outros. Uma boa forma de manter-me longe da frente de batalha. Tem maluco que sonha ganhar a guerra sozinho. Essa gente só deseja ficar com todas as medalhas de bravura e heroísmo, ou seja, a velha necessidade de valor. Mas gente como eu não liga para os louros, tudo que desejamos é vencer fazendo parte do grupo, mesmo que não apareçamos na foto. Mas não é fácil estar disponível se as contas não estiverem pagas e a barriga calçada, especialmente se isso tiver algo a ver com os filhos, como ensinava o Maslow. Tanto os pastores songa mongas quanto os neo pentelhostais precisam entender que antes de ir para o céu, desejamos nos realizar, ser valorizados e felizes.

Não sou tão bobo assim, sei muito bem que, mesmo que o desastre seja inevitável, será melhor enfrentá-lo sorrindo. Posso caminhar para a morte tremendo e desesperado ou feliz e transpirando esperança. A opção é minha. Ninguém se engane nesse ponto, estamos todos caminhando para a morte. Esse é o tipo de contribuição que a psicologia pode nos dar. Claro que os psicólogos não devem ser responsabilizados pelo pecado de pastores safados que se apropriaram dos ensinamentos de Maslow e Seligman usando-os para fins destrutivos e egoístas. Mas a psicologia voltada à doença mental, aplicada às pessoas de mente sã também não é nada legal. Isso, por si só, basta para justificar meu mau humor a respeito deles.

Enfim, o apóstolo Paulo tinha alguma razão em afirmar a necessidade de se fazer fraco com os fracos. Ele queria ganhá-los e fortalecê-los. Usava Otimismo em um mundo pessimista.

Capricornio PB

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